12° domingo do Tempo Comum

Uma resposta dada mais com as ações do que com as palavras

Frei Gustavo Medella

“Senhor, quem sois vós? E quem sou eu?” São Francisco trazia esta pergunta no coração como um refrão orante sempre repetido a partir de dentro. O santo sabia que a resposta a estas indagações brotaria no mais profundo do seu coração e que seria uma construção a ser erguida dia após dia, “pedra por pedra”. Tinha convicção de que respondê-la não era questão apenas do uso acertado de palavras, mas de uma postura a ser cultivada na perseverança, a ponto de conformá-lo cada vez mais ao Senhor.

Dirigindo-se a seus seguidores mais próximos, perguntando primeiro “Quem dizem os homens que eu sou?”, e, sem seguida, “E vós, quem dizeis que eu sou?”, certamente Jesus não pretendia fazer uma sondagem sobre sua popularidade como se estivesse preocupado com o que os outros estariam pensando sobre ele. Também não parece que o Mestre desejasse promover uma prova oral a fim de conceder uma nota de 0 a 10 para compor o ranking de seus melhores alunos.

O foco da pergunta não era Jesus, mas os discípulos. Seu desejo, tudo indica, era chamar a atenção deles sobre a natureza processual do discipulado, realidade diante da qual as possíveis respostas precisam ser revisadas no decorrer da caminhada. Nesta direção, torna-se muito inspiradora uma prece que faz parte da Oração das Vésperas da Liturgia das Horas, que diz assim: “Fazei com que todos aqueles que se dedicam à busca da verdade possam encontrá-la, – e, encontrando-a, se esforcem por buscá-la sempre mais”.

Mais uma vez recorrendo à sabedoria franciscana, deste 12º Domingo do Tempo Comum, podemos levar como lição a frase proferida pelo Seráfico Pai a seus confrades pouco antes de sua partida deste mundo: “Irmãos, comecemos, porque até agora pouco ou nada fizemos”.

Em Cristo, todos são iguais

Pe. Johan Konings

Todo mundo sabe que existem distinções e, muitas vezes, discriminações no tratamento social. O que fazemos com isso na Igreja, na comunidade de Cristo? Paulo, na 2ª leitura, anuncia a igualdade de todos no sistema do “Senhor Jesus”. Acabou o regime da lei judaica, que considerava o ser judeu um privilégio, por causa da antiga Aliança com Abraão e Moisés. A crucificação de Jesus, em nome desse regime antigo (cf. evangelho), marcou a chegada de um regime novo.

Simplesmente observar a lei de Moisés já não é salvação para quem conhece Jesus, para quem sabe o que ele pregou e como ele deu sua vida por sua nova mensagem e por aqueles que nela acreditassem. Estes constituem o povo da Nova Aliança. São todos iguais para Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus – filhos com o Filho e co-herdeiros de seu Reino, continuadores do projeto que ele iniciou.

Neste novo sistema não importa ser judeu ou não-judeu, escravo ou livre, homem ou mulher (branco ou negro, patrão ou operário, rico ou pobre). Mesmo não tendo chances iguais em termos de competição econômica e ascensão social, todos têm chances iguais no amor de Deus. Ora, este amor deve encarnar-se na comunidade inspirada pelo evangelho de Jesus, eliminando desigualdade e discriminação. Provocada pelas diferenças econômicas, sociais, culturais etc., a comunidade que está “em Cristo” testemunhará igual e indiscriminado carinho e fraternidade a todos, antecipando a plenitude da “paz” celeste para todos os destinatários do amor do Pai. Programa impossível, utopia? Talvez seja. Mas nem por isso podemos desistir dele, pois é a certeza que nos conduz! Na “caridade em Cristo”, o capital já não servirá para uma classe dominar a outra, mas para estar à disposição de todos que trabalham e produzem. A influência e o saber estarão a serviço do povo. O marido não terá mais “liberdades” que a mulher, mas competirá com ela no carinho e dedicação.

É preciso perder sua vida para a encontrar (evangelho). Quem se apega aos seus privilégios não vai encontrar a vida em Cristo. Só quem coloca suas vantagens a serviço poderá participar da vida igual à de Cristo, na comunidade dos irmãos.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com