Destaque, Notícias › 27/07/2018

17º domingo do Tempo Comum

Falta pão porque sobra corrupção – Frei Gustavo Medella

No final de semana em que a liturgia apresenta no Evangelho o episódio da multiplicação dos pães (Jo 6,1-15), observa-se no Brasil um “milagre às avessas”. Se foi incrível a disposição para a partilha despertada por Jesus no coração daquele povo que tinha fome, inacreditável têm sido os rumos tomadas pela organização política e econômica do país nos tempos mais recentes. Falta pão, falta escola, falta hospital, falta oportunidade, falta emprego. Do outro lado, abundam corrupção, egoísmo, ganância, mau uso do dinheiro público, corporativismo e manutenção de privilégios. Aumenta o número dos moradores de rua, dos desempregados, das crianças subnutridas. Sobram negociatas, medidas demagógicas, manobras repletas de maldade que novamente estão colocando o Brasil no desonroso “mapa da fome”. Fazem falta a generosidade e o compromisso. E como fazem!

Portadores da esperança que são chamados a ser, diante deste quadro, os cristãos têm a obrigação de remar na contracorrente. Dá trabalho, é verdade, mas não há outro caminho por onde seguir. Resistir contra um sistema que produz exclusão e morte faz parte do conjunto de escolhas fundamentais sem as quais o seguidor de Cristo se descaracteriza. A convicção de que não de poder servir, ao mesmo tempo, a Deus e ao dinheiro (cf. Lc 16,13) mais uma vez se manifesta como verdade cristalina.

Para concluir, a palavra de alerta, encorajamento e resistência que São Pedro dirige à comunidade: “Sede sóbrios e vigilantes. Vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé” (1Pd 5,8-9a).


Leituras bíblicas do 17º Domingo do Tempo Comum

Primeira Leitura (2Rs 4,42-44)
Leitura do Segundo Livro dos Reis:

Naqueles dias, 42veio também um homem de Baal-Salisa, trazendo em seu alforje para Eliseu, o homem de Deus, pães dos primeiros frutos da terra: eram vinte pães de cevada e trigo novo. E Eliseu disse: “Dá ao povo para que coma”.

43Mas o seu servo respondeu: “Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?” Eliseu disse outra vez: “Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: ‘Comerão e ainda sobrará’”.

44O homem distribuiu e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor.

Responsório (Sl 144)

— Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,/ e os vossos santos com louvores vos bendigam!/ Narrem a glória e o esplendor do vosso reino/ e saibam proclamar vosso poder!

— Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam/ e vós lhes dais no tempo certo o alimento;/ vós abris a vossa mão prodigamente/ e saciais todo ser vivo com fartura.

— É justo o Senhor em seus caminhos,/ é santo em toda obra que ele faz./ Ele está perto da pessoa que o invoca,/ de todo aquele que o invoca lealmente.

Segunda Leitura (Ef 4,1-6)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 1Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes; 2com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor.

3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados.

5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos.

Jesus sacia a fome do povo
Evangelho: Jo 6,1-15

-* 1 Depois disso, Jesus foi para a outra margem do mar da Galiléia, também chamado Tiberíades. 2 Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele fazia, curando os doentes. 3 Jesus subiu a montanha e sentou-se aí com seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, festa dos judeus. 5 Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro.

Então Jesus disse a Filipe: «Onde vamos comprar pão para eles comerem?» 6 Jesus falou assim para testar Filipe, pois sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: «Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um.» 8 Um discípulo de Jesus, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 «Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?»

10 Então Jesus disse: «Falem para o povo sentar.» Havia muita grama nesse lugar e todos sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. 11 Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam. 12 Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: «Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada.» 13 Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães que haviam comido.

14 As pessoas viram o sinal que Jesus tinha realizado e disseram: «Este é mesmo o Profeta que devia vir ao mundo.» 15 Mas Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha.

* 6,1-15: Jesus propõe a missão da sua comunidade: ser sinal do amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistência e dignidade. A segurança da subsistência não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um que é repartido entre todos. A garantia da dignidade não se encontra no poder de um líder que manda, mas no serviço de cada um que organiza a comunidade para o bem de todos.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


17º Domingo do Tempo Comum, ano B

Frei Ludovico Garmus, ofm 

Oração: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam”.

  1. Primeira leitura: 2Rs 4,42-44

Comerão e ainda sobrará.

O profeta Eliseu era discípulo do grande profeta Elias, Quando Elias no final de sua missão foi arrebatado ao céu, Eliseu se tornou o sucessor e passou a conviver com três grupos de “filhos de profeta”, seguidores de seu mestre Elias (2Rs 2,1-8). Eram pobres e viviam no meio dos pobres, em tempos de guerra, sofrimento e muita pobreza. Eles ajudavam o povo na luta pela sobrevivência, animando-os a permanecer firme na fé do Deus de Israel e recebiam esmolas para sobreviver. Em tempos de crise, guerras os mais pobres sofrem mais, mas também têm mais facilidade de partilhar os frutos de seu trabalho com seus irmãos do que os ricos. Assim aconteceu com o camponês da primeira leitura deste domingo. Para agradecer a Deus pela boa colheita, ele ofereceu os primeiros pães para a comunidade pobre de Eliseu. Eram vinte pães de cevada (pão dos pobres) e podiam matar a fome dos cinquenta profetas de Eliseu. De repente, vieram mais cinquenta “filhos de profeta” de uma comunidade vizinha, também famintos. E Eliseu mandou servir os pães primeiro aos visitantes. O discípulo reclamou com Eliseu e disse: “Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?” Mas Eliseu insistiu: “Dá ao povo que coma; “pois assim diz o Senhor: Comerão e ainda sobrará” (Evangelho). – Os pobres têm muita confiança em Deus e nos ensinam a partilhar (cf. Mt 6,25-34; Lc 12,22-34).

Salmo responsorial: Sl 144

 Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

  1. Segunda leitura: Ef 4,1-6

Há um só corpo, um só Senhor,

uma só fé, um só batismo.

O apóstolo Paulo escreve esta Carta quando está preso por pregar Jesus Cristo. Mesmo assim continua pregando da prisão por meio de cartas. Considera-se chamado por Deus, assim como os efésios e os exorta a caminharem firmes na fé em Cristo. O que interessa é viver a fé no amor e na paciência, unidos por meio de Cristo como um único corpo, onde cada membro tem a sua função. Unidos com Cristo, o Espírito Santo e o Pai celeste. Quando estamos nesta união com a Trindade Santíssima, Deus “reina sobre nós, age por meio de nós e permanece em todos”. 

Aclamação ao Evangelho

Um grande profeta surgiu, surgiu e entre nós se mostrou;

é que Deus seu povo visita, seu povo meu Deus visitou.

  1. Evangelho: Jo 6,1-15

Distribuiu-o aos que estavam sentados,

tanto quanto queriam.

A narrativa de Jo 6,1-58 contém um “sinal” (v. 1-15) – a multiplicação/divisão dos pães – seguido de um discurso que explica o significado deste sinal. João não fala de milagres de Jesus, mas de sinais que apontam para um sentido mais profundo. O evangelho deste domingo nos conta apenas o sinal. Jesus vai para o outro lado do Mar (lago) de Tiberíades e o povo o segue pela margem, por causa das curas que Ele fazia. Jesus está sentado num monte com os discípulos e vê uma grande multidão, vindo ao seu encontro. Era um povo sedento dos ensinamentos de Jesus, mas também, cansado e faminto. Dois discípulos entram em cena. Jesus sabia o que ia e devia fazer, e provoca a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” – Filipe é o único discípulo que Jesus chamou pessoalmente (Jo 1,43-44). Quando Jesus vê a multidão e pergunta como dar de comer a essa gente, está perguntando e provando a mim, a você. Filipe calculou e disse: “Nem duzentas moedas de prata (mais de seis meses do ganho de um diarista!) bastariam para dar um pedaço de pão para cada um”. Nisso, André informou: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” – Jesus mandou todo mundo sentar-se na grama, pegou os pães e os peixes que o menino oferecia, agradeceu a Deus e começou a distribuir aos que estavam sentados, “tanto quanto queriam”, e fez o mesmo com os peixes. Eram cinco mil homens que comeram, sem contar mulheres e crianças. Vendo isso, o povo dizia que Jesus era o Profeta esperado (primeira leitura) e logo queriam proclamar Jesus com rei; mas ele se retirou.

O que você faria se Jesus lhe perguntasse: “Onde vamos comprar pão para que eles (a multidão) possam comer?” Iria fazer cálculos, como Filipe, para saber quanto dinheiro seria preciso para comprar o pão? Ou, como André, procuraria alguém que tivesse pão? Ou faria como o menino que apresentou a Jesus cinco pães e dois peixes? Jesus não veio para resolver sozinho o problema do pão, como pensava o povo, querendo proclamá-lo como rei. Jesus nos ensina a ver o problema do pão com os olhos de Deus. Provoca-nos buscar a solução juntos, em comunidade; por isso diz “onde vamos comprar pão”. Filipe colaborou do seu jeito, calculando quando dinheiro seria necessário, mas ninguém tinha esse dinheiro. André procurou pão entre o povo e encontrou o pobre menino com cinco pães e dois peixinhos, mas achava que com isso seria impossível saciar a fome de tanta gente. O menino, na sua inocência, apresentou os pães a Jesus e Jesus os dividiu, todos comeram e ainda sobraram doze cestas cheias dos restos que sobraram. A proposta de Jesus é a partilha do pão.

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