Destaque, Notícias › 01/12/2017

1º Domingo do Advento

Advento: Tempo de vencer o cansaço e os desafios do caminho

Frei Gustavo Medella

“Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas” (Is 63,5).

No fim da caminhada de mais um ano, talvez alguém se sinta desta forma diante de toda canseira e dos desafios do caminho. O pano alvejado, que perfumava e polia os ambientes, agora se encontra encardido, com a poeira que foi se acumulando no passar dos dias; a folha verde, sinal de vivacidade, empalideceu e caiu. O cansaço acumulado, as frustrações, as teimosias, o desânimo são todos elementos capazes de tirar da pessoa a vivacidade e até mesmo o entusiasmo de seguir em frente. “Ah, se rompesses os céus e descesses!” (Is 63,19b).

Diante desta fadiga, Deus não se faz indiferente. Vem mostrar, mais uma vez, que seus filhos e filhas são chamados à esperança. Se o pano está encardido, é possível restituir-lhe a brancura. A folha caída renasce como adubo e alimento de vida. E assim, ao contemplar o mistério do Natal que começa a ser preparado em mais um Advento, cada um é chamado a encontrar em Deus a força necessária para prosseguir na caminhada. O Senhor insiste em mostrar que das realidades mais frágeis e difíceis podem brotar sinais eloquentes da Graça de da Salvação.

A garantia de que vale a pena perseverar vem do Apóstolo, quando diz: “Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso (Mc 13,33-37). Se o pano está encardido, é hora de mergulhá-lo no mistério da Criança de Belém. Se a folha está murcha, é momento de contemplá-la como grande chance de recomeço. Com as velas do advento, que a luz da espera ilumine e se intensifique cada vez mais em cada coração. Que a solidariedade se torne tarefa e graça. Que a fragilidade de Deus, expressa na pequena criança, seja capaz de comover, dobrar e converter os corações mais endurecidos.

“Fiquem vigiando”

1ª Leitura: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7
Sl 79
2ª Leitura: 1 Cor 1,3-9
Evangelho: Mc 13,33-37

33 Prestem atenção! Não fiquem dormindo, porque vocês não sabem quando vai ser o momento. 34 Vai acontecer como a um homem que partiu para o estrangeiro. Ele deixou a casa, distribuiu a tarefa a cada um dos empregados, e mandou o porteiro ficar vigiando. 35 Vigiem, portanto, porque vocês não sabem quando o dono da casa vai voltar; pode ser à tarde, à meia-noite, de madrugada ou pelo amanhecer. 36 Se ele vier de repente, não deve encontrá-los dormindo. 37 O que eu digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando.»


* 28-37: Somente agora Jesus responde à pergunta dos discípulos (v. 4). Mas, em vez de dizer «quando» ou «como» acontecerá o fim, ele indica apenas como o discípulo deve se comportar na história. A tarefa do discípulo é testemunhar sem desanimar, continuando a ação de Jesus. A espera da plena manifestação de Jesus e do mundo novo por ele prometido impede, de um lado, que o discípulo se instale na situação presente; de outro, evita que o discípulo desanime, achando que o projeto de Jesus é difícil, distante e inviável.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

1º Domingo do Advento, ano B

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”.

Primeira leitura: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7

Ah! Se rompesses os céus e descesses!

Esta linda oração, que se dirige a Deus chamando-o de Pai, brotou do coração da comunidade de judeus exilados na Babilônia, há mais de 50 anos. As promessas de um retorno à Terra Prometida, feitas pelos profetas Ezequiel e Dêutero-Isaías, pareciam demorar demais. Por isso, a oração expressa certa impaciência e, ao mesmo tempo, confiança filial, porque se dirige a Deus como Pai. A oração é um misto de lamentação penitencial e de súplica ardente. É um pedido a Deus para que apresse sua intervenção libertadora, prometida pelos profetas: “Ah! se rompesses os céus e descesses!” Era verdade que Ezequiel contava uma visão que teve na Babilônia. Dizia que Deus seria novamente adorado no templo de Jerusalém e, como um pastor cuida de suas ovelhas, ele mesmo tomaria conta do seu povo disperso pelo exílio (Ez 34). E um discípulo do profeta Isaías dizia que, ainda que uma mãe pudesse esquecer seu filho, Deus jamais haveria de esquecer seu povo (Is 40,14-15). Mas na leitura de hoje, extraída dos capítulos 63 e 64 de Isaías, o profeta pede em sua oração que Deus rompa o silêncio e comece a cumprir as promessas: “Tu és nosso oleiro e nós todos somos obra de tuas mãos”. É um veemente apelo, um pedido cheio de fé e esperança em Deus que cria e renova a história de seu povo. A figura do oleiro lembra Deus como oleiro, capaz de refazer um vaso que se estragou (Jr 18,1-10), que do barro formou o ser humano frágil e limitado (Gn 2,7) e com dedos de artista modelou o sol, a lua e as estrelas (Sl 8,4). É um apelo do povo pecador a Deus que cria um novo céu e uma nova terra (Is 66,22). E Deus nos responde pelo seu Filho Jesus Cristo: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). O clamor do povo pede que Deus “volte atrás”, “arrependa-se” do mal causado ao seu povo. Por outro lado, o povo está consciente que deve arrepender-se de seus maus caminhos e voltar a ser fiel ao seu Deus, praticando com alegria a justiça.

Salmo responsorial: Sl 79

Iluminai a vossa face sobre nós,
Convertei-nos para que sejamos salvos.

Segunda leitura: 1Cor 1,3-9

Esperamos a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Paulo, ao escrever à comunidade dos coríntios, alegra-se com a graça que Deus lhes concedeu pela sua pregação do Evangelho. Era uma pregação animada pela fé e esperança na vinda próxima do Senhor. Deus é fiel e salvará quem ele chamou a viver em comunhão com seu Filho, Jesus Cristo. Paulo reza para que eles perseverem firmes na fé até a revelação plena de Jesus Cristo, por ocasião de sua segunda vinda.

Aclamação ao Evangelho

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
e a vossa salvação nos concedei!

Evangelho: Mc 13,33-37

Vigiai: não sabeis quando o dono da casa vem.

Domingo passado, com a Solenidade de Cristo Rei do Universo, encerrou-se o ciclo A do Ano Litúrgico. Com o 1º Domingo de Advento entramos no ciclo B do Ano Litúrgico. No ano B as leituras do Evangelho serão, em geral, tiradas do Evangelho de Marcos. Como Mateus, também Marcos conclui as narrativas da atividade de Jesus com o discurso escatológico (cf. Mt–25; Mc 13,1-37). Hoje ouvimos a parábola sobre a vigilância diante da incerteza da vinda do Filho do Homem encerra o discurso escatológico de Jesus em Mc 13,33-37. Jesus estava com seus discípulos no alto do Monte das Oliveiras e um deles disse: “Mestre, olha que pedras e que construções!” E Jesus comentou: “Vês estas grandes construções? Não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído”. Outros discípulos lhe pediram: “Dize-nos, quando será isso e qual é o sinal de que tudo isso vai acabar?” Na resposta de Jesus misturam-se o tema da destruição do Templo e o do fim do mundo. Mas sobre o quando do fim do mundo Jesus diz: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32). Hoje ouvimos apenas a conclusão do discurso escatológico (Mc 13,33-37). Uma vez que ninguém sabe quando acontecerá o fim do mundo, Jesus ensina com uma pequena parábola o que devemos fazer enquanto o Senhor não vem. Na parábola o patrão se ausenta por tempo indeterminado. Por isso escolhe o vigia para vigiar a porta e distribui tarefas para cada um dos empregados. Durante sua ausência. (parábola dos talentos e a parábola das dez virgens) eles devem cumprir as tarefas que lhes foram confiadas pelo patrão, e ficar atentos porque não sabem quando o patrão vai voltar. O que não pode acontecer é o patrão os encontrar dormindo. O que Jesus disse aos seus discípulos, Marcos lembra que vale para o seu tempo, para todos os tempos: “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”

O tempo da ausência do patrão é o tempo entre a primeira vinda de Cristo (Natal) e a segunda vinda, no fim dos tempos, como juiz dos vivos e dos mortos. É o que lembramos na profissão de fé: “Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai…, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”. Vigilantes, esperamos com alegria a primeira vinda do Salvador (1ª leitura), mas também sua segunda vinda como juiz (2ª leitura). – Na celebração da Eucaristia, ao final da consagração, o sacerdote diz: “Eis o mistério da fé!” E os fiéis respondem: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” – Esta é a nossa fé.

Atenção, muita atenção…

Frei Almir Guimarães

Determinou a Igreja com sabedoria que no tempo do Advento recitemos as palavras  dos que antecederam a primeira vinda do Senhor e revivamos os seus desejos. E não celebramos o seu desejo só por um dia, mas por tempo mais prolongado, pois o objeto de nossos desejos, quando tarda, parece, ao chegar, mais doce ao nosso amor  (Elredo de Rielvaux, abade).

tique-20Entramos nas terras preciosas e luminosas do Advento. Arde em nossas gargantas um desejo do encontro com o Deus verdadeiro que sacia nossas sedes. Desejo, anelo, esperança e expectativas dominam a liturgia e fazem parte das batidas de nosso coração nesta quadra do ano. Não queremos viver dezembro na mesmice das coisas que se repetem monótona e rotineiramente: presépio, compras, bolas coloridas, enfeites, almoço de natal, missa do galo, roupa nova e bonita, as mesmas coisas, sempre as mesmas coisas.

tique-20Tudo está feito e tudo está para ser refeito. Sentimos que em nossa vida pessoal e na vida do mundo falta plenitude, tudo está por acabar, há sempre esse gosto de insatisfação. Sentimos então que se faz urgente vigiar.  Prestar atenção nas coisas de todos os dias.

SERÁ QUE ANDAMOS DANDO FLORES?

Uma maneira de andarmos despertos
Pequeno exame de consciência diário
dos  Pequenos Irmãos dos Pobres.

Senhor, será que vivemos a jornada de hoje 
de acordo com teus desejos?
Prestamos atenção aos que se aproximaram de nós.
Respondemos à esperança e expectativa que eles depositavam em nós?
Abraçamos os  que choravam?
Sorrimos de ternura até que eles, por sua vez,
também  começassem  a sorrir?
Demos flores antes do pão?
Podemos dizer que fizemos  “explodir” 
tua alegria em nosso rosto diante deles?
Fomos irmãos para nossos irmãos?
Se  assim não fizemos, que tu te dignes nos perdoar?
Mesmo que tenhamos feito, certamente não foi o suficiente.
Dia a dia, incendeia nosso coração de amor

tique-20Vigiar não é apenas um conselho solto que Cristo nos dá. Trata-se de uma postura a ser adquirida. Sem neurose, o cristão  (e diria mesmo o homem) é aquele que tem lamparina na mão  tentando espancar as trevas de seu interior e desse mundo caído na escuridão do não sentido.  Desejar, vigiar, acordar do torpor…

tique-20Pedro, Tiago e João dormiam quando o Senhor vertia suor com lágrimas em Getsêmani.  Não puderam eles vigiar um momento sequer.  O chefe da casa precisa vigiar porque na hora em que menos se espera entra o ladrão. E depois é tarde demais.  Ah!  Aquelas curiosas mocinhas.  Eram dez. Cinco tinham óleo nas lamparinas.  Entraram para a festa do amor porque foram  vigilantes.

tique-20Não se trata de ser vigilante apenas no momento da morte ou do Juízo final. A cada momento o Senhor dá sinais de sua proximidade. Elenquemos algumas dessas situações:  os sem vez, sem teto, os exilados, um vizinho doente que sofre de solidão e de abandono,  um serviço a ser prestado, um pôr de sol a ser contemplado, uma flor que se abre, uma criança que explode de alegria quando aprende a andar…Vigiar  os sinais da presença do Invisível que grita  por tais  e tantos outros sinais.

tique-20Atenção, pois, muita atenção. Tempo do desejo, tempo da vigilância. Vigiar para saber claramente o que significa  viver como cristãos em comunidades fraternas…  Vigiar para saber o que o Senhor espera de nós, Igreja, e de nós pessoalmente para não precisarmos ouvir mais tarde o duro  “não vos conheço”. Vigiar para saber o que podemos fazer para o mundo não se perca.

tique-20“ Um dos riscos que nos ameaçam hoje é cair numa vida superficial, mecânica, rotineira… Não é fácil escapar. Com o passar dos anos, os projetos, as metas, os ideias de muita gente acabam apagando-se. Não poucos acabam levantando-se  cada dia “só para ir levando a vida”. O apelo  de Jesus à vigilância  nos chama a despertar da indiferença, da passividade ou do descuido  com que vivemos frequentemente nossa fé. Para vive-la de maneira lúcida  precisamos conhece-la  mais profundamente, confronta-la com outras atitudes possíveis  perante a vida e procurar vive-las   com todas as suas consequenc8ias. É muito fácil viver dormindo. Basta fazer o que todos fazem: imitar, amoldar-nos ajustar-nos ao que está na moda. Basta viver buscando segurança externa ou interna. Basta defender o nosso pequeno  bem-estar  enquanto a vida vai se apagando  em nós  (Pagola, Lucas,  p. 213-214).

Despertar a esperança

José Antonio Pagola

Alguém disse que “o século XX acabou sendo um imenso cemitério de esperanças”. A história destes últimos anos encarregou-se de desmitificar o mito do progresso. Não se cumpriram as grandes promessas do Iluminismo. O mundo moderno continua cheio de crueldades, injustiças e insegurança.

Por outro lado, o enfraquecimento da fé religiosa não trouxe uma maior fé no ser humano. Pelo contrário, o abandono de Deus parece ir deixando o homem contemporâneo sem horizonte último, sem meta e sem pontos de referência. Os acontecimentos se atropelam uns aos outros, mas não conduzem a nada de novo. A civilização do consumismo produz novidade de produtos, mas só para manter o sistema no mais absoluto imobilismo. Os filósofos pós-modernos nos advertem que precisamos aprender a “viver na condição de quem não se dirige a lugar nenhum” (Giacomo Vattimo).

Quando não se espera quase nada do futuro, o melhor é viver para o dia de hoje e desfrutar ao máximo o momento presente. É a hora do hedonismo e do pragmatismo. Uma vez instalados no sistema com certa segurança, a coisa inteligente a fazer é retirar-se ao “santuário da vida privada” e desfrutar todo prazer “agora mesmo” (just now).

Por isso são poucos os que se comprometem a fundo para que as coisas sejam diferentes. Cresce a indiferença em relação às questões coletivas e ao bem comum. A democracia já não gera ilusão nem instiga os esforços das pessoas para criar um futuro melhor. Cada um se preocupa consigo mesmo. É o lema: “Salve-se quem puder”.

Esta crise de esperança está configurada por múltiplos fatores, mas tem provavelmente sua raiz mais profunda na falta de fé do homem contemporâneo em si mesmo e em seu progresso, na falta de confiança na vida. Eliminado Deus, parece que o ser humano vai se transformando cada vez mais numa pergunta sem resposta, num projeto impossível, num caminhar para lugar nenhum.

Não estará o homem de hoje precisando, mais do que nunca, do “Deus da esperança” (Rm lS,13)? Esse Deus do qual muitos duvidam, que muitos abandonaram, mas também o Deus pelo qual tantos continuam perguntando. Um Deus que pode devolver-nos a confiança radical na vida e mostrar-nos que o homem continua sendo “um ser capaz de projeto e de futuro” (J.L. Coelho).

Trecho de “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.

Estar pronto para Cristo

Pe.  Johan Konings

Começa o Advento, início do novo ano litúrgico (ano B). Na 1ª leitura, o profeta Isaías provoca Deus a “rasgar o céu” e a descer para nos salvar. Estamos murchos como folhas mortas. E, contudo, Deus é nosso Pai, nós somos obras de suas mãos. Como o povo humilhado, no tempo do exílio babilônico, fazemos nosso o desejo de que Deus venha nos socorrer.

Encontrar-se com Deus não é motivo de terror, mas de esperança. Se nos voltarmos para ele, ele se voltará para nós.

Na 2ª leitura, Paulo nos assegura que Deus nos fortalecerá até o fim, quando Cristo abrirá o céu e descerá para nos fazer entrar em sua glória. O encontro definitivo com Deus significa para o cristão a plena manifestação daquilo que Cristo iniciou.

O evangelho, todavia, adverte: não sabemos quando o Senhor voltará para pedir contas do serviço que ele deixou em nossas mãos. Por isso, convém vigiar. A ressurreição de Jesus é como a viagem de um empresário. Enquanto ele está fisicamente longe somos nós os responsáveis por sua obra. Ora, a obra que Jesus iniciou e levou a termo, até a morte, foi a obra da justiça e do amor fraterno. Quando nos empenhamos por isso, sua obra acontece. A causa de Deus é causa nossa. Devemos sempre estar preocupados com o amor fraterno, que Jesus deixou aos nossos cuidados e do qual ele mesmo deu o exemplo até o fim.

O ano litúrgico é o espelho de nossa vida. Desde o início, coloca-nos na presença permanente de Deus como sentido último de nossa vida, a cada momento. Põe diante de nossos olhos a vocação final: o encontro com Cristo na glória de seu pai. Nesta perspectiva, sentimo-nos obra inacabada, mas em Cristo temos o exemplo e a garantia do acabamento que Deus nos quer conferir: uma vida doada no amor até o fim. Jesus, ressuscitado e vivo na glória do Pai, quer vir até nós, para completar a obra do Pai em nós e nos aperfeiçoar no amor fraterno, com a condição de sermos encontrados empenhados no serviço que ele nos confia.

Advento é preparação para Natal, celebração da vinda de Jesus no meio de nós. Vinda no presépio, mas também vinda no dia-a-dia e no encontro definitivo. Advento significa que nos preparamos para nos encontrar com ele, na alegria, cuidando do amor que ele veio aperfeiçoar em nós.

Deus nos respeita tanto que conta com a nossa colaboração; a salvação não vem só de um lado. Em Jesus, ele nos mostrou em que consiste sermos salvos: em sermos como Jesus, agora, na vida terrena, e eternamente, na glória. Essa é a parte da salvação que Deus realiza. A nossa parte é: estarmos prontos, acatarmos sua obra, no amor disponível e eficaz de cada dia. Muitos hoje, se sentem abandonados, deprimidos. Existe até uma indústria da depressão, procurando vender remédios antidepressivos…

“Há alguém que se preocupe comigo?”, pergunta o deprimido. Mas talvez ele não se prontifique para encontrar. Aquele que transforma nossa vida debilitada em esperança engajada… Por isso, a liturgia de hoje nos ensina a correr ao seu encontro!

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com