Destaque, Notícias › 24/08/2018

21º Domingo do Tempo Comum

Deixar a tristeza e trazer a esperança

Frei Gustavo Medella

“Ando por aí tentando te encontrar. Em cada esquina paro em cada olhar. Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar”. O verso da canção “Palavras ao Vento”, sucesso na voz de Cássia Eller, pode descrever o percurso do ser humano à procura de Deus. O Senhor, Onipresente, se faz presença discreta aos olhos da gente que, nas idas e vindas da vida, ora o contempla de forma mais expoente, ora precisa se esforçar para enxergá-lo nos fatos, nas circunstâncias, nas pessoas.

No Evangelho deste 21º Domingo do Tempo Comum, Jesus se apresenta na dureza de palavras que os discípulos têm dificuldade de ouvir e acolher: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6,60). De fato, as escolhas de quem se decide pelo seguimento do Senhor com frequência direcionam a pessoa para um percurso pleno de desafios que dela exigem determinação e firmeza. Renunciar a sim mesmo, carregar o peso da cruz, abaixar-se para Lavar os Pés, enfrentar o ódio de quem se sente ameaçado nos próprios privilégios são alguns dos possíveis efeitos colaterais de quem decide de todo coração aderir a Cristo.

Tais exigências, no entanto, não devem ter a capacidade de tirar o ânimo, o entusiasmo e a alegria do discípulo. Afinal, se a Palavra é dura porque desafiante, a mesma dureza ela apresenta para sustentar na força e na firmeza quem dela busca se fazer ouvinte e praticante, conforme reconhece São Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68).

Deixar a tristeza de lado e levar consigo a esperança são exercícios que se fazem necessários diariamente à vida do cristão. O segredo é não parar, pois o Senhor está à espera, em cada esquina, em cada olhar, nas estradas pelas quais, em Jesus Cristo, Ele se dispôs conosco a caminhar.

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Leituras deste 21º Domingo do TC

Primeira Leitura (Js 24,1-2a.15-17.17.18b)

Leitura do Livro de Josué:

Naqueles dias, 1Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2aEntão Josué falou a todo o povo: 15“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”.

16E o povo respondeu, dizendo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos. 17Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. 18bPortanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”.


Responsório (Sl 33)

— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor,/ que ouçam os humildes e se alegrem!
— O Senhor pousa seus olhos sobre os justos,/ e seu ouvido está atento ao seu chamado;/ mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança.
— Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta./ Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido.
— Muitos males se abatem sobre os justos,/ mas o Senhor de todos eles os liberta./ Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege,/ e nenhum deles haverá de se quebrar.
— A malícia do iníquo leva à morte,/ e quem odeia o justo é castigado./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.


Segunda Leitura (Ef 5,21-32)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 21 Vós, que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros. 22 As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor. 23 Pois o marido é a cabeça da mulher, do mesmo modo que Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu Corpo. 24 Mas, como a Igreja é solícita por Cristo, sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. 25 Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. 26 Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra. 27 Ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum, mas santa e irrepreensível. 28 Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo.

29 Ninguém jamais odiou a sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como o Cristo faz com a sua Igreja; 30e nós somos membros do seu corpo!

31 Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32 Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja.


A fé em Jesus exige decisão

Evangelho: Jo 6,60-69

-* 60 Depois que ouviram essas coisas, muitos discípulos de Jesus disseram: «Esse modo de falar é duro demais. Quem pode continuar ouvindo isso?» 61 Jesus sabia que seus discípulos estavam criticando o que ele tinha dito. Então lhes perguntou: «Isso escandaliza vocês? 62 Imaginem então se vocês virem o Filho do Homem subir para o lugar onde estava antes! 63 O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que eu disse a vocês são espírito e vida. 64 Mas entre vocês há alguns que não acreditam.» Jesus sabia desde o começo quais eram aqueles que não acreditavam e quem seria o traidor. 65 E acrescentou: «É por isso que eu disse: ‘Ninguém pode vir a mim, se isso não lhe é concedido pelo Pai.’ « 66 A partir desse momento, muitos discípulos voltaram atrás, e não andavam mais com Jesus. 67 Então Jesus disse aos Doze: «Vocês também querem ir embora?» 68 Simão Pedro respondeu: «A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Agora nós acreditamos e sabemos que tu és o Santo de Deus.»


* 60-71: As palavras de Jesus provocam resistência e desistência até entre os discípulos. Muitos conservam a ideia de um Messias Rei, e não querem seguir Jesus até à morte, entendida por eles como fracasso. E não assumem a fé por medo de se comprometerem. Os Doze apóstolos, porém, aceitam a proposta de Jesus e o reconhecem como Messias, dando-lhe sua adesão e aceitando suas exigências.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


21º Domingo do Tempo Comum, ano B

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”.

1. Primeira leitura Js 24,1-2a.15-17.18b

Serviremos ao Senhor porque ele é o nosso Deus.

Terminada a conquista da Terra Prometida, Josué convoca uma grande assembleia no Santuário de Siquém. Na presença das doze tribos de Israel, dos anciãos, dos chefes e dos juízes do povo, faz um longo discurso no qual exorta o povo a servir fielmente a Deus. Provoca o povo a uma decisão: servir aos deuses dos outros povos ou servir ao Senhor que os libertou do Egito. Ele e sua família já decidiram servir unicamente ao SenhorO povo, lembrado da maravilhosa libertação do Egito, da proteção divina recebida no deserto, da Aliança selada com Deus no Sinai e do dom da terra (Ex 24,3-8) também decide servir ao Senhor: “Longe de nós abandonarmos o Senhor, para servir a deuses estranhos… Nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”. É uma decisão de fé, de fidelidade e amor ao único Deus, que liberta da escravidão. Assim Josué renovou a aliança do povo com Deus. Discursos comovem, exemplos de fé e amor a Deus, como o de Josué e sua família, arrastam (Evangelho). A fé é uma opção pessoal e comunitária.

Salmo responsorial: Sl 33,2-3.16-23

Provai e vede quão suave é o Senhor!

2. Segunda leitura: Ef 5,21-32

Este mistério é grande, em relação a Cristo e à Igreja.

A leitura que ouvimos choca nossa sensibilidade, sobretudo, das mulheres, quando Paulo diz: “As mulheres sejam submissas aos seus maridos”. Fixando nossa atenção apenas nessa frase que choca os ouvidos modernos, estamos sujeitos a perder a mensagem mais profunda do texto. Basta ouvir a conclusão da frase: “como ao Senhor” – isto é, a Cristo Jesus, o ponto de comparação. Submissão não significa dominação do marido sobre a mulher. Todo o texto é iluminado pela frase inicial: “Vós que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros”. Todos nós que seguimos e amamos a Cristo devemos amar (ser solícito com) uns aos outros. Ser solícito é sinônimo de amar. Esta solicitude/amor começa na família, da qual nos fala Paulo. Na cultura de então, o homem era “a cabeça” da família. Hoje os maridos dizem: “Quem manda lá em casa é a mulher”… A comparação é com Cristo, “cabeça da Igreja e o Salvador de seu Corpo”, aquele que dá a vida por nós. Cristo é o modelo de amor/solicitude para a mulher e para o marido. A Igreja ama a Cristo, porque “cabeça” e corpo estão unidos. Assim, a mulher é solícita em tudo (ama) pelo seu marido. O marido, por sua vez, sendo “a cabeça da mulher”, deve amá-la (ser solícito) como Cristo ama a Igreja; isto é, deve ser capaz de dar até sua vida por ela. E o Apóstolo argumenta: Amar a sua mulher é amar a si mesmo, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne”. Por isso, conclui Paulo, a união de amor entre homem e mulher é um grande “mistério”, um “sacramento” do amor que nos une a Deus. Eles se tornam uma só carne e ninguém odeia sua própria carne, mas ama sua esposa como a si mesmo, a exemplo de Cristo que ama sua Igreja.

Aclamação ao Evangelho

Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida;
as palavras que dizeis, bem que são de eterna vida.

3. Evangelho: Jo 6,60-69

A quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna.

No texto do domingo anterior Jesus se apresentava como o pão descido do céu. Para ter a vida eterna é necessário alimentar-se deste pão celestial, comer a sua carne e beber o seu sangue. Cristo nos sustenta na caminhada da vida cristã com a doação de sua própria vida. No evangelho de hoje temos a reação dos judeus a estas palavras de Jesus, consideradas “duras”, difíceis de escutar. Jesus insiste que veio de Deus e para Deus vai “subir”. Os judeus estão entendendo suas palavras segundo a carne e não segundo o Espírito, por isso não acreditaram nele. E Jesus explica: “O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que eu vos falei são espírito e vida”. E o evangelista comenta: “Jesus sabia… quem eram os que não tinham fé”. Diante de Jesus não dá para ficar neutro. Deve escolher entre seguir a Cristo com fé ou abandoná-lo, como muitos o fizeram (primeira leitura). Quando Jesus pergunta aos discípulos que ainda ficaram com ele, se também queriam ir embora, Pedro reafirma sua fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos, firmemente, e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (cf. Mt 16,13-16). A fé que professamos em Cristo é que nos une, num só corpo, como Igreja (segunda leitura).

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Palavras duras, mas divinas

Frei Clarêncio Neotti

O Evangelho de João distingue-se pelas contínuas dicotomias, isto é, pela colocação de dois termos antagônicos, duas opções contrárias, deixando ao leitor a escolha, depois dos argumentos pró e contra apresentados: luz x trevas, dia x noite, pecado x graça, Deus x diabo, espírito x carne, sim x não. Também hoje o ouvinte de Jesus é posto diante de uma alternativa, depois da doutrina proposta por Jesus. Ou aceitamos ou não aceitamos. Não há terceira opção.

As palavras de Jesus eram duras, inéditas, contrárias aos costumes, mas apresentadas como vindas do céu (v. 50), com autoridade divina, por alguém que se dizia enviado do Pai (v. 57), que apresentava todas as qualidades e fazia os milagres previstos pelos profetas (v. 14).

A dureza das palavras de Jesus referiam-se a quatro assuntos sobretudo. Primeiro, a afirmação de que vinha do céu, enviado do Pai (vv. 38.42). Aceitar isso seria reconhecê-lo divino e com autoridade divina e, portanto, capaz de ensinamentos novos e verdadeiros. Segundo, o poder que ele dizia ter de ressuscitar os mortos (v. 54). Os judeus estavam divididos quanto à ressurreição. Os fariseus ensinavam que os mortos ressuscitariam. Os saduceus não aceitavam a ressurreição. Parte do povo seguia os fariseus e parte os saduceus. Terceiro, o problema de comer carne. Havia leis muito rígidas para o consumo da carne dos animais. Que dizer de carne humana? Quarto, a impossibilidade de se beber sangue, já que a lei mosaica era de extremo rigor para quem consumisse sangue (Lv 17,10.14).

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A quem iremos, Senhor?

Frei Almir Guimarães

A quem iremos, Senhor?  Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus (Jo 6, 68-69).

Escolher. Saber escolher. Escolhas pequenas. Escolhas fundamentais. Escolhas a partir das quais se organiza uma existência. O tema da escolha se tornou complicado devido à pluralidade das opções, em razão de uma reflexão séria sobre o sentido das escolhas definitivas como prisões que impedem a aceitação  do fato da mudança. Na primeira leitura deste  domingo vemos Josué  declarar peremptoriamente  sua escolha: “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”.  No final do Discurso do Pão da Vida de João a exclamação de Pedro nos toca profundamente no momento em que o  Mestre  questiona se os Doze querem ir embora como os outros: “A quem iremos Senhor?”

Escolher Cristo, optar por Cristo não quer dizer apenas ser membro de uma religião e professar intelectualmente um credo que encerra dogmas de fé.  Trata-se  criar com ele um pacto, de orientar  palavras, gestos, propósitos sob a claridade de sua adorável pessoa.  Trata-se de encontrar  sua palavra viva a ressoar  no mais profundo de  nós mesmos e no mundo.  Uma palavra que  mexe com  nosso projeto existencial. Um palavra que nos coloca num estado de profunda e feliz inquietude.

“Todos os cristãos, em qualquer lugar e situação que se encontrem, estão convidados a renovar hoje  mesmo seu encontro  pessoal com Jesus Cristo, ou pelo menos, tomar a decisão de deixar-se encontrar por Ele, de procura-lo dia a dia sem cessar” (Papa  Francisco, A alegria do Evangelho, 3).  Sim, talvez o mais urgente seria que nos deixássemos encontrar por ele.

Nunca perdemos de vista que ele, o Senhor, vive e é o ressuscitado e que, de muitas formas e maneiras, apresenta-se a nós.  No final da infância, o tempo da juventude e  na estão da maturidade sempre somos convidados a nos colocar em sua presença de tal sorte que vivamos nele e com ele. Tudo isso sem beatice e ritos adocicados.  Uma forte presença que nos envolve e nos interpela.  Nada de repetições de estilos pastorais, de rezas, de costumes  sem sua presença tonificante e forte.

Sabemos que importante na vida e viver e viver em plenitude.  Por diferentes circunstâncias escolhemos a pessoa de Cristo, o caminho de Cristo,  a estrada que nos é aberta  por sua pessoa, por ele que é grão de trigo que morre, esposo que nos espera,  coração que nos acolhe quando estamos  sobrecarregados.

Optar por Cristo quer dizer acolher a força do Evangelho.  O Evangelho  é Jesus Cristo, sua mensagem, sua vida, sua ressurreição. Optar por Jesus quer dizer viver casamento, paternidade, maternidade, juventude, maturidade, velhice, doença e tempo sadio, todos os relacionamentos  do jeito que Jesus viveu.  Trata-se de uma decisão que acompanha a vida toda.

Depois de dois mil anos as palavras de Jesus não deixam de nos surpreender. Os valores que  Jesus viveu e que queremos abraçar não deixam ser, à primeira vista, desconcertantes: “Os valores que Jesus propõe  como capazes de levar o ser  humano ao máximo desenvolvimento não deixam de ser desconcertantes: o perdão diante da violência, partilhar em vez de acumular, cooperar em vez de competir, ser austeros e não consumistas, amar sem esperar retribuição, dar a vida pelos outros em vez de desfrutá-la até o fim para o próprio interesse”    (Pedro José  Gomez Serrano).

Os que optam por Cristo escolhem viver sob a luz de uma sabedoria alternativa.  Ela será experimentava por aqueles que seguem o  caminho chamado  Jesus, pelos que passam pela porta estreita e apontam na direção de uma abundância de vida. Os que o seguem experimentam profunda alegria.  Não somente a alegria que podem proporcionar  os sucessos pessoais ou simplesmente a falta de conflitos, mas aquela que nasce por sermos profunamente amados.

A quem iremos?  Os jovens não podem caminhar a esmo borboleteando ,  seguindo a  a doutrina da hora,  das mensagens que  às dezenas  chegam aos seus celulares.  Os casais não são meros comparsas de uma caminhada qualquer, mas amam-se na força do amor de Jesus.  A quem iremos?  Os que optam pela vida consagrada haverão deter esse Jesus como esposo delicado de sua venturosa vida.

A quem iremos?  “Toda a vida de Jesus, sua forma de tratar os pobres, seus gestos,  sua coerência, sua generosidade simples e cotidiana, e finalmente sua total dedicação, tudo é precioso e fala à nossa vida pessoal” (Papa  Francisco, A alegria do Evangelho, n. 265)

Prece

Quero seguir-te.

Tu me conheces e sabes o que quero,
tanto meus projetos como minhas fraquezas.
Não posso ocultar-te nada Jesus.
Gostaria de deixar de pensar em mim e
dedicar mais tempo a ti.
Gostaria de entregar-me inteiramente a ti.
Gostaria de seguir-te aonde tu fores.
Mas nem isso me atrevo a dizer-te,
porque sou fraco.
Tu o sabes melhor do que eu.
Sabes de que barro sou feito,
tão frágil e inconstante.
Por isso, preciso ainda mais de ti,
para que tu me guies sem cessar,
para que sejas meu apoio e meu descanso.
Obrigado, Jesus, por tua amizade!

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Viver as dúvidas com sinceridade

José Antonio Pagola

Não poucos cristãos sentem hoje brotar em seu interior dúvidas, não sobre este ou aquele ponto particular da mensagem de Cristo, mas sobre a totalidade da fé cristã. O que os preocupa não são os dogmas, mas algo mais fundamental e prévio: por que hei de orientar minha vida seguindo as fórmulas ingênuas de Cristo que encontro em alguns documentos tão arcaicos e, ao que parece, tão legendários? Por que meu anseio pela vida, pelo prazer e pela liberdade hão de subordinar-se a uma moral rigorosa e quase impossível?

Muitas vezes, sem formulá-lo de maneira precisa, experimentam em seu interior uma divisão profunda: “Quisera crer, mas me sinto incapaz de aderir com sinceridade ao cristianismo”. “Sinto que não posso ou não devo abandonar minha fé cristã, mas, ao mesmo tempo, encontro-me cada vez mais distante e estranho a tudo isso”.

É fácil então sentir-se culpado de algo sem saber com certeza de quê. O que aconteceu comigo? O que fiz ao longo dos anos para chegar a esta situação? É possível, certamente, que haja uma parte de responsabilidade em tudo isto, mas agora o importante é viver essa experiência de dúvida religiosa de maneira positiva. Essa falta de certeza interior pode ser precisamente uma ocasião para superar o imobilismo e a rotina, para libertar-se de uma religião excessivamente infantil e para descobrir Jesus Cristo de maneira nova.

Talvez descubro, pela primeira vez, que sou livre para crer ou não crer. Certamente é mais cômodo não fazer-me nenhuma pergunta e viver tranquilo, mas é mais digno enfrentar a minha própria liberdade e saber por que abandono a fé ou por que me comprometo a seguir a Cristo.

Se continuo buscando a verdade, sem tardar sentirei que não sou só eu que me faço perguntas. Agora é o próprio Jesus que me interpela: “Também tu queres ir embora?” E a gente se vê obrigado a introduzir novas questões em sua proposta: Por que resisto a reorientar minha vida a partir do chamado de Cristo? Posso responder sinceramente por quê?

Cedo ou tarde chega o momento de tomar uma decisão: Ou coloco Jesus no mesmo plano que outras grandes figuras da humanidade, ou então me decido a experimentar pessoalmente o que há de único em sua pessoa e sua mensagem.

O importante é a sinceridade do coração. Não fiar-se nas certezas e seguranças do passado, nem desanimar quando começam as dúvidas. A verdadeira fé não está em nossas explicações bem fundadas, nem em nossas dúvidas, mas na sinceridade do coração que busca a Deus.

Quando alguém busca com honestidade, talvez não encontre resposta imediata para todas as suas interrogações, mas é provável que sinta no fundo de seu coração o mesmo que Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna”.

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A opção certa

Pe. Johan Konings

Há cinco semanas estamos acompanhando o episódio do sinal do pão (Jo 6). Hoje ouvimos o desenlace.  No domingo anterior vimos como Jesus se apresentou como o “pão da vida” e proclamou que estava oferecendo sua carne como alimento para a vida do mundo.

Muitos não “engoliram” isso, porque “essa palavra é dura demais” (6,60). Dura, não apenas pela dificuldade de compreensão (alguns falavam até em antropofagia), mas sobretudo por causa das consequências práticas. Estranharam o que Jesus disse a respeito de sua carne. Estranhariam muito mais ainda sua “subida aonde estava antes”, sua glorificação, pois essa se manifesta na “exaltação” de Jesus…. no alto da cruz, quando ele revela plenamente o amor infinito de Deus, seu Pai. Só pelo Espírito de Deus é possível compreender isso (6,52-53). É difícil “alimentar-se” com a vida que Jesus nos propõe como caminho, com aquilo que ele disse e fez, sobretudo, com o dom radical de sua vida na morte – pois tudo isso significa compromisso.

A 1ª leitura dá um exemplo de compromisso. O povo de Israel, ao tomar posse da terra prometida, teve de escolher com quem ia se comprometer, com os outros deuses, ou com Javé, que os tirou do Egito. Visto que Javé mostrou de que ele era capaz, optaram por ele (Js 24). Optar significa decidir-se, não em cima do muro. É dizer sim ou não.

Jesus põe os seus discípulos diante da opção por ele ou pelo lado oposto. “Vós também quereis ir embora?” E Pedro responde, em nome dos Doze e dos fiéis de todos os  tempos: “A quem iríamos. Tu tens palavra de vida eterna”. O que Jesus ensina é o caminho da vida  eterna, da comunhão com Deus para sempre. Foi para isso que Jesus reuniu em torno de si os Doze, que representavam o novo Israel, o povo de Deus, para que o seguissem pelo caminho. Para que constituíssem comunidade, comungando da vida que ele dá pela vida do mundo. Nosso ambiente parece recusar essas palavras de vida eterna. Por diversas razões. Uns porque querem viver sua própria vidinha, sem se comprometer com nada, outros porque preferem um caminho próprio, individual… O difícil da palavra de Jesus consiste nesse compromisso concreto. Ao longo dos séculos, houve quem tornasse o cristianismo difícil por meio de penitências e exercícios, até reprimindo e deprimindo. Mas a verdadeira dificuldade é abdicar da autossuficiência e entregar-se a uma comunidade reunida por Cristo para segui-lo pelo caminho da doação total. Só que este caminho é também o caminho da “perfeita alegria”, de que fala Francisco de Assis.

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