Notícias › 18/11/2013

33° domingo do Tempo Comum

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Acompanhe a reflexão do Pe. Emmanuel Araújo, sj, para o 33° domingo do Tempo Comum.

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”

“No próximo domingo, celebraremos a Solenidade de Cristo Rei, com a qual encerramos o Ano Litúrgico, consagrando a Ele o mundo, nossa história, nossas vidas. Com isso, anunciamos a fé na realização plena e definitiva do Reino que já está presente na história, mas ainda não em plenitude, e proclamamos nossa certeza do “novo céu e nova terra” (Apoc 21,1).

Em seguida, iniciaremos o tempo do Advento, no qual a Igreja destaca as duas vindas de Cristo, em sua profunda relação e unidade: a primeira inicia o que será cumprido plenamente na segunda. Mas por que falar do fim do mundo no início do ano litúrgico? O novo ano litúrgico começará com o tema final do ano que terminou, porque a vinda de Cristo é sempre a perspectiva de nossa vida: nós estamos a caminho do Reino definitivo.

Tendo presente essa perspectiva dos próximos domingos, olhamos para a liturgia da Palavra de hoje. Na 1a leitura, encontramos o profeta Malaquias nos dias duros do recente pós-exílio (aproximadamente 445 a.C.). O Templo foi reconstruído, mas a situação é dramática. Há muitos abusos religiosos: os judeus repudiam as esposas de sua juventude e casam com mulheres estrangeiras; os ricos abusam dos pobres; os chefes do povo não são coerentes e o culto é cheio de desvios. Nesse contexto, onde está Deus? Há um grande desânimo entre o povo. Malaquias condena energicamente essa situação e chama os justos que sofrem à esperança: Deus virá gloriosamente no meio do povo, vai destruir todo o mal e brilhará como “sol da justiça, trazendo a salvação”.

Na 2a leitura, encontramos os cristãos de Tessalônica, que esperavam pela vinda do Senhor. Na 1a carta, Paulo se dirigiu à comunidade, que esperava uma 2a vinda imediata de Jesus, para corrigir os exageros que aconteciam por conta disso. Na 2a carta, o contexto é o das pessoas que percebem que o Senhor não veio tão rápido como pensavam. Alguns se inquietam, outros se acomodam. O trecho de hoje se dirige a esse grupo. O Senhor virá sim, mas enquanto não chega a Parusia – e ninguém sabe quando chegará – é preciso viver de maneira responsável, numa espera ativa e vigilante; não há lugar para os “que vivem à toa, muito ocupados em fazer nada”.

O texto do evangelho nos situa no Templo de Jerusalém e destaca a sua grandiosidade. Jesus está nos seus átrios, já próximo à Paixão, e fala sobre a queda de Jerusalém e a destruição do Templo. Foi uma profecia recolhida por Marcos que, no tempo de Lucas, já se cumprira (aconteceu em 70 e Lucas escreve entre 80 e 85). Assim, Lucas tira o foco da perspectiva do fim dos tempos e o coloca no tempo intermediário.

Estamos, pois, no tempo da Igreja, tempo em que os seguidores e seguidoras de Jesus trabalham pela construção do Reino de Deus na história, esse Reino que já está presente, mas ainda não em plenitude. Até que a segunda vinda do Senhor aconteça, seguimos peregrinos, rumo ao Reino definitivo. Nesse tempo haverá dificuldades, perseguições, sofrimentos, haverá grandes desafios a serem superados pelos discípulos e discípulas.

Por isso é preciso, em primeiro lugar, paciência: não se deixarem enganar jamais por aqueles que apresentam falsos anúncios da Parusia. Em segundo lugar, fé e confiança: mesmo diante das ameaças, os discípulos e discípulas terão sempre o Senhor ao seu lado, ensinando como agir e o que dizer. Em terceiro, esperança: há um futuro de vida plena que lhes é garantido e nada poderá tirá-lo; nem um fio de seus cabelos será perdido.

Os discípulo e discípulas não podem esquecer que seguir Jesus em um mundo que se organiza com base em valores contrários aos do Evangelho significará serem perseguidos e odiados, como o foi o seu Senhor. Por isso não podem esquecer jamais que o Senhor vai destruir todo o mal e brilhará como “sol da justiça, trazendo a salvação”, e devem viver uma espera ativa da Parusia, na certeza de que é permanecendo firmes que ganharão a vida.”

Fonte: Pe. Emmanuel Araujo, sj

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