Destaque, Notícias › 16/11/2018

33º Domingo do Tempo Comum

Que estrelas precisam vir ao chão?

Frei Gustavo Medella

“As estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13,25). A cena apocalíptica descrita por Jesus no texto do Evangelho deste 33º Domingo do Tempo Comum relata fatos extraordinários que seriam um prenúncio da vinda do Filho do Homem. Nesta data em que a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres, poderíamos associar as estrelas que devem cair do céu com as ilusões que precisamos superar para que, de fato, tenhamos um encontro transformador com o Filho do Homem que deseja estar conosco e agir em nós.

A estrela da idolatria – Não se trata propriamente de uma estrela solitária, mas de uma constelação de ídolos que precisamos abandonar para que tenhamos uma adesão mais madura a Cristo. Caem o apego ao dinheiro e aos bens e a sede de poder e prestígio para dar lugar a uma postura mais voltada para a sobriedade e a partilha.

A estrela do egoísmo – É outra constelação onde se destacam as estrelas do tipo “auto”, como a autossuficiência e autorreferencialidade. São estrelas tão luminosas e chamativas que tornam cego que as traz em seu horizonte e não consegue enxergar sequer a necessidade e os anseios daqueles que estão mais próximos. Precisam dar lugar à solidariedade, à sensibilidade e ao espírito de interajuda.

A estrela do preconceito – É típica do curto horizonte de quem tem preguiça de pensar com mais profundidade e prefere rotular as pessoas que o circulam, achando-se sempre, é claro, melhor do que todas elas. É a estrela das frases feitas, repetidas à exaustão e que revelam a alienação de quem as repete. Encontrar com Jesus é abrir-se à acolhida ao diferente e à disposição para o diálogo.

A estrela de um deus “à minha imagem e semelhança” – É quase parte integrante da constelação da idolatria. Nasce da tentação humana de “domesticar o Evangelho”, transformando a Palavra numa água com açúcar capaz de entorpecer as consciências. Tem de dá lugar à Profecia.

Estes são apenas alguns tipos de estrelas que precisam cair por terra para que tenhamos um encontro verdadeiro com o Filho do Homem, especialmente quando Ele se manifesta nos mais pobres de nosso tempo.

Leituras bíblicas para este domingo

Primeira Leitura:
Daniel 12,1-3

Leitura da profecia de Daniel – 1“Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, defensor dos filhos de teu povo; e será um tempo de angústia, como nunca houve até então, desde que começaram a existir nações. Mas, nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem inscritos no livro. 2Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno. 3Mas os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda a eternidade.” – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 15(16)
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, / meu destino está seguro em vossas mãos! / Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, / pois, se o tenho a meu lado, não vacilo. – R.

Eis por que meu coração está em festa, † minha alma rejubila de alegria / e até meu corpo no repouso está tranquilo; / pois não haveis de me deixar entregue à morte / nem vosso amigo conhecer a corrupção. – R.

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; † junto a vós, felicidade sem limites, / delícia eterna e alegria ao vosso lado! – R.

Segunda Leitura:

Hebreus 10,11-14.18

Leitura da carta aos Hebreus – 11Todo sacerdote se apresenta diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. 12Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. 13Não lhe resta mais senão esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. 14De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica. 18Ora, onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado. – Palavra do Senhor.

A história e o fim dos tempos

Evangelho: Mc 13,24-32

* 24 «Nesses dias, depois da tribulação, o sol vai ficar escuro, a lua não brilhará mais, 25 as estrelas começarão a cair do céu, e os poderes do espaço ficarão abalados. 26 Então, eles verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os anjos dos quatro cantos da terra, e reunirá as pessoas que Deus escolheu, do extremo da terra ao extremo do céu.»

Fiquem vigiando -* 28 «Aprendam, portanto, a parábola da figueira: quando seus ramos ficam verdes, e as folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está perto. 29 Vocês também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo que ele está perto, já está às portas. 30 Eu garanto a vocês: tudo isso vai acontecer antes que morra esta geração que agora vive. 31 O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão.

32 Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos no céu, nem o Filho. Somente o Pai é quem sabe.

* 24-27: A queda de Jerusalém manifesta e antecipa o julgamento com que Deus acompanha toda a história, e que se consumará no fim dos tempos. O Filho do Homem é Jesus que, pela sua morte e ressurreição, testemunhadas pelos discípulos, irá reunir todo o povo de Deus (cf. Dn 7,13-14).

* 28-37: Somente agora Jesus responde à pergunta dos discípulos (v. 4). Mas, em vez de dizer «quando» ou «como» acontecerá o fim, ele indica apenas como o discípulo deve se comportar na história. A tarefa do discípulo é testemunhar sem desanimar, continuando a ação de Jesus. A espera da plena manifestação de Jesus e do mundo novo por ele prometido impede, de um lado, que o discípulo se instale na situação presente; de outro, evita que o discípulo desanime, achando que o projeto de Jesus é difícil, distante e inviável.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Minhas palavras não passarão

Pe. Johan Konings

Jesus vivia num tempo de apocaliptismo. Esperava-se uma intervenção de Deus, talvez por meio do Messias, para substituir este mundo ruim por “um mundo novo muito melhor”. Qualquer acontecimento um tanto fora do comum era interpretado como sinal de que “estava para acontecer” … É como quem está no ponto do ônibus: em qualquer veículo maior aparecendo na curva pensa reconhecer “seu ônibus” …

As pessoas dificilmente suportam a incerteza quanto ao futuro. O ser humano precisa de uma referência estável. Jesus no-la oferece. Depois de ter evocado as imagens que seus contemporâneos usam a respeito do fim do mundo, ele afirma: “Minha palavra não passará” (evangelho). Em meio a tudo que pode caducar, sua palavra está firme, como baliza e ponto de referência em nossa vida e em nossa história, enquanto as grandezas históricas esvaecem como a neblina diante do sol. Depois dos sonhos do progresso ilimitado, o mundo toma consciência de que talvez esteja cavando seu próprio túmulo. O progresso traz desmatamento, desertificação, poluição ambienta!. Nos países ricos faltam nascimentos, nos pobres, comida para os que nascem. Mas, em vez de reagir com responsabilidade, impondo-se os devidos limites, muitos respondem com irresponsabilidade. “Aproveitemos, pois amanhã tudo acaba”. Esse é o lado apocalíptico da sociedade de consumo. A sociedade assiste como que de camarote à própria destruição.

No meio disso, a palavra de Jesus é referência firme. É palavra de amor e fidelidade até o fim. Por causa disso, nunca passa. Supera o fim do mundo. É amor sem fim. Ainda que passem TV, intemet, programas espaciais … o amor fraterno nunca sai de moda. Ainda que não possa mais pagar a gasolina do meu carro particular, nunca serei dispensado de visitar meu irmão necessitado. Ainda que fechem todos os supermercados, nunca poderei fechar a mão para o pobre. O que Jesus ensinou e mostrou sempre terá sentido. É a aplicação mais segura que existe. Se aplico minha vida neste sentido, posso dormir tranqüilo. O que Jesus ensina não é roído pela inflação.

Costumamos imaginar o definitivo e o eterno como vida depois da morte, ressurreição futura (1a leitura). Mas, na realidade, nossa ressurreição já começou na medida em que nossa vida está unida à de Cristo, que ressuscitou. A vida que dura não é a das células do corpo, mas a da comunhão com Deus. A ressurreição de Jesus é a mostra segura dessa vida: quem segue Jesus, já está encaminhando para essa vida que não tem limite, por ser a vida de Deus mesmo. Jesus não perde a vaidade. Observando sua palavra e vivendo sua prática de vida já estamos vivendo a vida sem fim que se manifestou na ressurreição de Jesus.

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