Destaque, Notícias › 17/11/2017

33º Domingo do Tempo Comum

Os caciques talentosos na tribo da impunidade

Frei Gustavo Medella

Na aldeia da impunidade, todos os caciques da corrupção são muito talentosos. É preciso muita habilidade para transitar nos meandros da desonestidade, da troca de favores e da busca de vantagens indevidas. Mover-se neste mundo de conveniência e deslealdade demanda esperteza e grande quantidade de energia.

Tais caciques se comportam como os empregados da parábola dos talentos, cujo patrão viajou para o estrangeiro, mas com uma diferença: desconsideram totalmente o patrão e não levam em conta o seu retorno. Na aldeia da impunidade, se o patrão designa Deus, muitos dos caciques até citam Seu Santo Nome, mas agem como se Ele não existisse e se mantêm na direção oposta à de Sua Justiça. Faltam-lhes comprometimento e empatia. A exemplo daquele que enterrou o talento, enterram-se na lama de tramoias e negociatas das quais poucos saem ganhando e quase todos no final perdem.

Trabalhar na lógica do Reino também exige talento, aliado à capacidade de enxergar além dos próprios interesses. Implica em perceber que as verdadeiras e duradouras vantagens são aquelas em favor de todos, especialmente dos mais frágeis e que, por motivos tão diversos e complexos quanto à natureza humana, sofrem as agruras da vida. São os pobres, os crucificados de nosso tempo.

Neste sentido, celebrar o Dia Mundial dos Pobres é, ao mesmo tempo, graça e provocação. Graça porque, ao contemplarmos de coração aberto a pobreza da qual o Senhor se investiu em Cristo, podemos mais uma vez perceber que, quanto mais desapegados formos, mais felizes podemos ser. Provocação pelo fato de nos recordar que a dura realidade de privação do básico que milhões de nossos irmãos e irmãs enfrentam no mundo poderia ser transformada se todos soubéssemos viver e conviver com maior atenção àqueles que passam necessidade, se soubéssemos trabalhar com maior empenho e competência os talentos que o Senhor coloca à nossa disposição.


Esperar, arriscando

1ª Leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31
Sl 127
2ª Leitura: 1Ts 5,1-6
Evangelho: Mt 25,14-30

* 14 «Acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro. 16 O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17 Do mesmo modo o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18 Mas, aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19 Depois de muito tempo, o patrão voltou, e foi ajustar contas com os empregados. 20 O empregado que havia recebido cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21 O patrão disse: ‘Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. 22 Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23 O patrão disse: ‘Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. 24 Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste. 25 Por isso, fiquei com medo, e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26 O patrão lhe respondeu: «Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. 27 Então você devia ter depositado meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28 Em seguida o patrão ordenou: ‘Tirem dele o talento, e dêem ao que tem dez. 29 Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes.»


* 14-30: Não basta estar preparado, esperando passivamente a manifestação de Jesus. É preciso arriscar e lançar-se à ação, para que os dons recebidos frutifiquem e cresçam. Jesus confiou à comunidade cristã a revelação da vontade de Deus e a chave do Reino. No julgamento, ele pedirá contas por esse dom. A comunidade o repartiu e o fez crescer, ou o escondeu dos homens?

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


33º Domingo do Tempo Comum, ano A

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Senhor nosso Deus fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

1. Primeira leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo louva a mulher ideal, uma temente a Deus, que gera, protege e promove a vida. A primeira leitura de hoje, dos 21 versos que compõe o poema, extrai 7 versos, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos, como serviço de amor ao seu maridos, aos filhos, aos empregados e empregadas e até mesmo aos pobres e necessitados. Por isso, o poema exalta não tanto na beleza da mulher, mas os talentos e habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com sua mão. Como a tecelã estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesmo, veste o marido, os filhos e empregados, e pode estender as mesmas mãos para os necessitados e os pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. Não se elogia a sua beleza física, mas a dedicação de seu amor. Na sua feminilidade ela se realiza como mulher, como esposa e como mãe porque gera a vida, alimenta e protege a vida, “como quem serve” (cf. Lc 22,27), para fazer a todos felizes. O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada porque encarna a generosidade e a providência divina. – As mãos carinhosas de nossas mães são mãos que nutrem e se doam como as mãos de Jesus que tomou o pão em suas mãos, deus graças a Deus, partiu o pão e disse: Tomai e comei dele todos, isto é o meu corpo entregue para vos dar a vida. – Como nossa sociedade valoriza a mulher que trabalha dupla jornada? E o trabalho braçal dos mais pobres?

Salmo responsorial: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

2. Segunda leitura: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo do tempo Comum). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6) Paulo se inclui, pois esperava que a vinda do Senhor acontecesse estando ele e os irmãos em Cristo ainda vivos (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Sendo iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo vivas a fé e a esperança.

Aclamação ao Evangelho

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor.

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. Evangelho: Mt 25,14-30 

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos que hoje ouvimos no Evangelho é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). A parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse. – Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos. A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?


O que fomos fazendo de nossa vida?

Frei Almir Guimarães

“As virtudes que devemos desenvolver no interior da Igreja atual não se chamam “prudência”, “conformidade”, “resignação”, “fidelidade ao passado”. Devem levar muito mais o nome de “audácia”, “capacidade de assumir risco”, “busca criativa”, “escuta do Espírito” que faz tudo novo. Arriscar não é um caminho fácil  para nenhuma instituição, também não para a Igreja. Mas não há outro se quisermos comunicar a experiência cristã num mundo que mudou radicalmente”  (José Antonio Pagola).

tique-20Parábola dos talentos, do dinheiro a ser colocado no banco, dos dons que o Altíssimo concede aos que ama e que ele coloca na aventura da vida. Parábola que fala de uma prestação de contas. Estamos no final do ano litúrgico da Igreja. Em dezembro começa tudo de novo. O que fomos fazendo de nossa vida? Como a comunidade dos cristãos administra os talentos e dos dons? Num tempo de intempéries: coragem criatividade, testemunho.

tique-20Dois dos empregados fizeram o dinheiro do patrão render. Um terceiro ficou com medo, não teve coragem de arriscar. Enterrou as chances de ser alguém. Perdeu oportunidades de viver. Simplesmente de viver. As coisas não existem para ser conservadas e guardadas a sete chaves. Podem ficar velhas demais e para nada mais servir. Na vida é necessário frutificar.

tique-20Mais cedo ou mais tarde, tomamos consciência de que precisamos dar um sentido aos nossos dias e à nossa vida. Vida material, corpo, mente, sexualidade, casamento, trabalho, saúde, doença… é nossa vida. O que precisamos fazer de nossa vida? Para que nos chama o mistério da vida? Não podemos trabalhar por trabalhar. Será preciso trabalhar com um “espírito”, na busca da melhor maneira, criando laços à nossa volta. Fazendo da atividade laboral uma obra humana. No casamento, com o amor do começo, com o talento do começo, vamos construindo uma comunidade de vida e de amor. Como pais e mães, diante dos desafios dos tempos, colocamos o dom da paternidade e da maternidade em função dos filhos: escuta, orientação, apontar para o quase impossível. Fizemos das tripas coração para que fossemos dignos do nome de pai e de mãe? Não enterramos nossos talentos?

tique-20Na realidade dentro de cada um de nós há apelo a uma vida de plenitude que se traduz numa existência decentralizada, aberta para o Outro e os outros. Vivemos sentindo saudade do amor. Nascemos do amor de Deus e não seremos felizes se não amarmos. No juízo final seremos julgados pelo amor. Enterrar os talentos quer dizer girar em torno de nós mesmos.

tique-20Nascemos no seio de uma família católica. Aprendemos a colocar gestos religiosos em nossa vida. Recebemos os sacramentos, chamamos o padre na hora da doença e queremos um sepultamento religioso. Tudo isso é bom. Mas talvez traduza apenas uma mentalidade estática, parada, inerte. Pretendemos, sem maiores empenhos, “conservar” estaticamente o que recebemos.

tique-20“O erro mais grave do “terceiro servo” da parábola evangélica não é ter enterrado o seu talento sem fazê-lo frutificar, mas pensar equivocadamente que está respondendo a Deus com sua postura conservadora, a salvo de todo risco. O fato de não mudar nada não significa que estamos sendo fieis a Deus. Nossa suposta felicidade pode ocultar  algo como rigidez, covardia, imobilismo, comodidade e, em última análise falta de fé na criatividade do Espirito. A verdadeira fidelidade a Deus não se vive a partir da passividade e da inércia, mas da vitalidade e do risco de quem trata de escutar hoje seus chamados”(Pagola).

tique-20O jesuíta Marcel Dormergue: “O esposo vem quando quiser. Ele não pode nos encontrar vazios de espera. Nem de disponibilidade: se o que vem é novo de verdade precisaremos nos levantar e ir em frente e de outra maneira. A derradeira vinda do Esposo é precedida de vindas discretas que marcam nosso itinerário”.


O medo de correr riscos

José Antonio Pagola

Com frequência se entende a religião como um sistema de crenças e práticas que servem para proteger-se de Deus, mas não ajudam a viver de maneira criativa. Esta religião leva a uma vida triste e estéril, onde o importante é viver seguros diante de Deus, mas nela falta alegria e dinamismo.

Temos que dizê-lo sem rodeios: no fundo dessa religião só há medo. Quem busca proteger-se de Deus é que tem medo dele. Essa pessoa não ama a Deus, não confia nele, nem desfruta de sua misericórdia. Só o teme e, por isso, busca na religião o remédio para seus medos e fantasmas.

Depois de Jesus já não temos mais direito de entender e viver assim a religiosidade. Deus não é um tirano que atemoriza as pessoas, buscando egoisticamente seu próprio interesse, mas um Pai que confia a cada um o grande dom da vida. Por isso Jesus imagina seus seguidores não como “observantes piedosos” de uma religião, mas como crentes audaciosos dispostos a correr riscos e superar dificuldades para “criar” uma vida mais digna e feliz para todos. Um discípulo de Jesus se sente chamado a tudo, menos a enterrar sua vida de maneira estéril.

O terceiro servo da parábola é condenado não por fazer algo mau, mas porque, paralisado pelo medo de seu senhor, “enterra” os talentos que lhe foram confiados. A mensagem é bem clara: não se pode devolver a Deus a vida dizendo: “Aqui está o que é teu. A vida que me deste não serviu para nada!” É um erro pensar que se pode viver uma vida “religiosamente correta”, sem arriscar-nos a viver o amor de maneira mais audaciosa e criativa.

Quem só procura cuidar de sua vida, protegê-la e defendê-la, acaba pondo-a a perder. Quem não segue as aspirações mais nobres de seu coração, por medo de fracassar, já está fracassando. Quem não toma iniciativa por medo de equivocar-se, já está se equivocando. Quem só se dedica a conservar sua virtude e sua fé, corre o risco de enterrar sua vida. No final não teremos cometido grandes erros, mas também não teremos vivido.

Jesus é um convite para viver intensamente. Só devemos temer uma coisa que é viver sempre com medo de arriscar-nos, com medo de sair do “correto”, sem audácia para renovar-nos, sem coragem para atualizar o Evangelho, sem fantasia para inventar o amor cristão.

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.


Ter o fim diante dos olhos

Pe. Johan Konings

Os últimos domingos do ano litúrgico nos convidam a viver com o Fim diante dos olhos. Mas, quem vive pensando no céu não arrisca esquecer a terra?

Na 2ª leitura, Paulo nos lembra o ensinamento de Cristo, dizendo que a Parusia ( a segunda vinda de Cristo; cf. dom. passado) vem de improviso, como um ladrão de noite. Por isso, devemos viver vigiando. O que esse vigiar implica aparece no evangelho, a parábola dos talentos: não enterrar nosso talento, mas fazer frutificar aquilo que Cristo nos confiou para o tempo de sua ausência física. Assim seremos semelhantes à boa dona-de-casa que cuida incansavelmente de sua família (1ª leitura).

Cristo não tem hora marcada para nos visitar; o que importa é que ele nos encontre empenhados naquilo que ele nos confiou, e consagrou com o dom da própria vida: o amor fraterno a reinar entre nós. Pois essa é a “causa” pela qual Jesus deu sua vida. Os “talentos” de que fala o evangelho – as quantias de ouro confiadas a cada um – são uma imagem da “causa” do Cristo e do Reino. Devemos fazer render, e não enterrar, a porção da obra da salvação que Cristo nos confia. Essa porção é diferente para cada um, mas sempre exige de nós uma participação ativa na obra do amor de Deus, que Jesus nos confiou. A participação permanente na obra do amor que Cristo implantou é a única preparação válida para a sua nova vinda.

Entendendo-se assim, “pensar no céu”, pensar no Cristo que vem, não vai ser causa de alienação e de desinteresse pela terra, nem fuga de responsabilidade. Pelo contrário, vai produzir uma atenção constante – o contrário daquela mentalidade de loteria dos que passam a vida sem se empenhar por nada, pretendendo “jogar na hora certa” (Será por isso que muitos querem saber a data?)

Pensar no céu com realismo é viver cada dia como se fosse o último. Cristo deve nos encontrar empenhados em sua casa, que é o amor eficaz para com os irmãos seus e nossos, filhos do mesmo Pai. Então, cada momento recebe um valor de eternidade. Quem sabe, haverá por aí uma saída para um problema que ataca a muitos em nosso tempo: o sem-sentido da vida?

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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