Destaque, Notícias › 15/04/2013

3º Domingo da Páscoa

Acompanhe abaixo uma reflexão para o 3º Domingo do Tempo Pascal do Pe. Élcio Toledo, SJ

O tempo pascal é para aprofundarmos nossa fé na ressurreição, mas também é a oportunidade de refletirmos sobre a Igreja como sendo o lugar da nossa fé. E as leituras da missa de hoje trazem uma boa reflexão sobre a Igreja.

No Evangelho da semana passada já se falava da importância da comunidade para as experiências com Jesus. Hoje o tema se completa com a missão de São Pedro como o pastor dessa comunidade. O texto tem referências importantes com outros evangelistas, principalmente com o chamado de Pedro em Lucas (Lc 5, 1-11) e a entrega das chaves da Igreja a Pedro, em Mateus. (Mt 16-20).

O relato começa com uma frase de Pedro: “Vou pescar” (Jo 21, 3a). A intenção de Pedro não era buscar alimento para o grupo, mas significava uma volta à antiga vida de pescador. É ao mesmo lago de Tiberíades, onde antes tinha “deixado tudo” (Lc 5, 11) que ele volta. Retoma a barca e as redes e volta à sua antiga vida de pescador. Essa decisão de ir pescar mostra certo desânimo com a vida de seguidor de Jesus. (o mesmo desânimo está nos discípulos de Emaús – Lc 24, 13ss.). No entanto a realidade não é mais a mesma, pois os companheiros dizem “Também vamos contigo”(Jo 21, 3b). Os dois filhos de Zebedeu também eram pescadores, mas o que faziam os outros na barca? Sete pessoas naquele barco mais parece uma excursão de turistas que uma empreitada de pescadores, deve ser por isso que passam a noite toda e não pescam nada. Mas não se trata disso, trata-se de que os companheiros não deixam Pedro sozinho, mas o acompanham. Pedro já não pode voltar à antiga vida de pescador, pois a comunidade não o abandona.

Apesar da experiência de Pedro e dos filhos de Zebedeu como pescadores, eles nada pegam. Às palavras de Jesus: “Lançai as redes à direita da barca e achareis” (Jo 21, 6) eles alcançam um grande êxito. Isso mostra que não basta a comunidade estar reunida, mas deve estar atenta às palavras de Jesus. Só cumprindo as ordens de Jesus que se conseguirão os peixes. Pelo esforço meramente humano, a vigília de nada servirá. Esse relato ensina a comunidade a não estar reunida apenas para “fazer turismo no lago”, mas para seguir o que Jesus diz.

Os discípulos arrastam a rede com cento e cinquenta e três peixes grandes, e a rede não se rompe (Jo 21, 11). Essa rede que permanece firme é sinal do que se espera da Igreja, que os discípulos não a deixem se dividir e dispersar os peixes. Segundo um entendimento dos comentaristas antigos, havia cento e cinquenta e três comunidades na época em que esse relato foi escrito, mostrando que elas deveriam permanecer na mesma rede, arrastada pelos discípulos.

O diálogo com Pedro lembra a passagem de Mt 16, 15-19. As três vezes que Jesus faz a pergunta dão a Pedro a oportunidade de refletir bem sobre sua resposta. Se em Cesaréia as chaves da Igreja haviam sido dadas após a profissão de fé, aqui a missão é dada só após a profissão do amor. “Se me amas, seja o pastor das minhas ovelhas”(Jo 21, 15-17). Jesus confirma a missão do príncipe dos apóstolos e pede que a motivação principal seja o amor. Só quem ama pode ser o pastor e esse amor é mais que uma simpatia pelo Cristo, é uma comunhão de sentimento e de compromisso com Ele. O tema do pastoreio será o assunto do próximo domingo.

O relato termina com a afirmação da morte de Pedro pelo martírio e com a frase “Segue-me”(Jo 21, 19). É um convite vocacional diferente daquele feito antes da Paixão. O seguimento agora é para os ensinamentos e as atitudes de Jesus, seguir sabendo a quem se segue e não mais o seguimento de um aprendiz.

Pedro aprendeu bem a lição e se tornou realmente o pastor que Jesus queria que fosse. Na primeira leitura vê-se que Pedro proclama “o nome de Jesus”(At, 5, 28) mesmo com a proibição das autoridades. Como na pesca milagrosa, ele “prefere obedecer a voz de Deus antes que a dos homens” (At, 5, 29), pois sabe que só assim proclamará uma boa nova às pessoas. Ele segue verdadeiramente o Cristo, mesmo quando é perseguido, humilhado e castigado, e isso é para ele motivo de orgulho e não de desânimo. “Saíram contentes por terem sido considerados dignos de injurias por causa do nome de Jesus” ” (At, 5, 41). Realmente eles podem cantar “Transformaste o meu pranto em festa” (Sl 29, 12).

Nesse tempo de páscoa somos convidados a refletir sobre a Igreja, a amá-la porque ela é a continuadora da missão de Cristo, a não abandoná-la nas dificuldades, mas aprender a ouvir a voz de Cristo estando nela. Sem amor não há verdadeiro seguimento e nem verdadeiro serviço. À pergunta se amamos o Cristo, devemos pensar bem o que significa esse amor. Não é um mero pertencer aos quadros da Igreja, participar de algumas celebrações e ser simpático aos seus ensinamentos. Mas é estar identificado com a vida e a missão de Cristo e saber que é na Igreja o lugar de nos comprometermos com essa vida e missão.

Amar o Cristo sem estar na Igreja é como amar uma pessoa e desprezar o mundo onde ela vive, os sonhos que ela tem e o trabalho que ela faz, ou seja, é uma amor descompromissado, que só se aproxima quando a pessoa lhe serve. Não é amor ao próximo, mas amor a si mesmo, pois não é o bem do próximo que está no centro, mas o bem que o próximo trás para si. A resposta de Pedro nos ensina que nosso amor a Cristo nos leva a servir o seu povo, reunido e identificado na Igreja.

(At, 5, 27b-32. 40b-41 ; Sl 29 ; Ap 5, 11-14 ; Jo 21, 1-19)

Fonte: Blog do Pe. Élcio Toledo, SJ

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