Destaque, Notícias › 19/01/2018

3º Domingo do Tempo Comum

É hora de consertar as redes

Frei Gustavo Medella

“Estavam na barca, consertando as redes”. Bom pescadores que eram, Tiago e João, filhos de Zebedeu, sabiam que consertar as redes e deixá-las em ordem era requisito básico de uma pesca eficiente e fecunda. Com frequência precisavam parar o ofício para fazer a revisão e os consertos necessários em seu instrumento de trabalho. Recebem o chamado de Jesus para serem “pescadores de homens”. Trocam a finalidade, mas não o ofício. Continuam a pescar. Certamente o conhecimento adquirido na atividade original serviu-lhes como orientação para este novo modo de pescar. Era preciso sempre cuidar com zelo e carinho das redes.

O empenho dos apóstolos continua a servir de norte para a Igreja até os dias de hoje. Todo o esforço do Papa Francisco na condução da Igreja tem sido na direção de consertar as redes a fim de que a “Barca de Cristo”, comandada por Pedro, siga em frente com sua missão de pescar os corações humanos para a prática do Evangelho. Os pronunciamentos do Santo Padre ao insistir numa Igreja em Saída, que se coloque a serviço da humanidade, assim como os documentos por ele emitidos (Evangelii Gaudium, Laudato Si’, Amores Letitiae etc) têm sido um constante apelo à Igreja, compreendida como a grande família dos batizados e batizadas, a sair de si para ir ao encontro do mundo, numa postura de diálogo, acolhida e serviço.

Ao agir desta maneira, o Papa vem demonstrar que cada cristão deve ser um “reparador de redes”, especialmente daquelas que tecem a complexa trama do relacionamento humano. Desde as famílias, passando pelos ambientes de trabalho e também nos lugares de grande circulação de pessoas, como praças, avenidas, estações de transporte, inclusive nas redes sociais, em todos estes ambientes sempre existem fios e tramas que precisam ser refeitos. Com calma, perseverança e fé, muitos emaranhados repletos de ódio, desconfiança, corrupção e violência devem ser desfeitos com a habilidade de quem acredita no poder de cura e regeneração presente no amor que Deus oferece gratuitamente a todos os que O buscam.

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A pregação de jesus

1ª Leitura: Jn 3,1-5.10
2ª Leitura: 1Cor 7,29-31
Evangelho: Mc 1,14-20

* 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: 15 «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.»

16 Ao passar pela beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus disse para eles: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.» 18 Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus.

19 Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. 20 Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus.


* 14-15: São as primeiras palavras de Jesus: elas apresentam a chave para interpretar toda a sua atividade. Cumprimento: em Jesus, Deus se entrega totalmente. Não é mais tempo de esperar. É hora de agir. O Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical da situação injusta que domina os homens. Está próximo: o Reino é dinâmico e está sempre crescendo. Conversão: a ação de Jesus exige mudança radical da orientação de vida. Acreditar na Boa Notícia: é aceitar o que Jesus realiza e empenhar-se com ele.

* 16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família… Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


3º Domingo do Tempo Comum, ano B

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras”.

1. Primeira leitura: Jn 3,1-5.10

Os ninivitas afastaram-se do mau caminho.

Com o exílio da Babilônia Israel teve que aprender a conviver com povos de cultura e religião diferentes. Nesta convivência, como povo vencido, eram tentados a considerar o deus Marduk dos babilônios mais poderoso do que o Deus nacional, Javé. Por isso os profetas (Is 40–55) pregavam que o único Deus verdadeiro era Javé, o Deus de Israel, criador do céu e da terra, mas que seria salvador apenas de Israel. Surgiu até certo desprezo pelos povos pagãos. Mas a história contada no livro de Jonas mostra que os habitantes de Nínive, que destruíram o reino de Israel e dominaram Judá eram melhores do que o povo de Israel. A cidade era tão grande que eram necessários três dias para atravessá-la. Jonas, em nome de Javé, anunciou o castigo para Nínive: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”. Bastou um dia de pregação e todos os habitantes se converteram e por isso Deus os perdoou, suspendendo o castigo. Israel e Judá, porém, tiveram muitos profetas que pediam a conversão do povo e não foram atendidos. Por isso os dois reinos foram destruídos e o povo levado para o exílio. Deus quer a conversão e a salvação de todos os povos.

Salmo responsorial: Sl 24

Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,
vossa verdade me oriente e me conduza!

2. Segunda leitura: 1Cor 7,29-31

A figura deste mundo passa.

Paulo vive na expectativa da parusia iminente: a vinda do Senhor no fim dos tempos. Por isso, as diferentes situações da vida não devem ser supervalorizadas. Vivendo nossa vida como casados ou solteiros, alegres ou tristes, usando honestamente dos bens deste mundo, nunca devemos perder o foco, que é o nosso encontro definitivo com o Cristo Ressuscitado, nosso juiz e nosso Salvador. Jesus também diz: “Procurai o Reino de Deus e as outras coisas vos serão dadas de acréscimo”. Quem encontra um tesouro no campo ou uma pérola preciosa deve fazer todo o possível para adquiri-la.

Aclamação ao Evangelho

O Reino do Céu está perto!
Convertei-vos, irmãos, é preciso!
Crede todos no Evangelho!

3. Evangelho: Mc 1,14-20

Convertei-vos e crede no Evangelho!

Jonas começou sua pregação, anunciando o juízo divino, no centro do Império Assírio. Eles se convertem para escapar do juízo. Jesus inicia sua pregação na periferia, na Galileia. Não anuncia desgraças como Jonas, mas a boa-nova do Reino de Deus. João Batista pedia a conversão e batizava para o perdão dos pecados. Jesus anunciava a boa-nova de Deus, “o Evangelho de Deus”, isto é, a irrupção do Reino de Deus: “Completou-se o tempo, e o reino de Deus está próximo”. Pedia a conversão e a fé: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A conversão que Jesus pede é acolher com alegria o Evangelho. A conversão dos ninivitas se expressa pelo jejum e pelas cinzas; a do Evangelho pede um seguimento generoso. O anúncio do Reino era urgente e deve ter causado grande impacto. Jesus chama discípulos, duas duplas de irmãos pescadores: Simão (Pedro) e seu irmão André, Tiago e João, filhos de Zebedeu. E pede-lhes para mudarem de profissão: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. E eles largam tudo e seguem a Jesus.

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Chamado pessoal, resposta pessoal

Frei Clarêncio Neotti

Completaram-se os tempos. Tanto para Jesus quanto para a criatura humana, procurada e chamada por Jesus. Com sua vida e doutrina, Jesus vai cumprir todas as profecias e toda a vontade do Pai. Nele habita toda a plenitude (Cl 1,19). Nele estão todos os tesouros da sabedoria (Cl 2,3). Dele brota a superabundância de graças (Rm 5,20). Com ele chegou ‘a plenitude dos tempos’ (Gl 4,4). Para a criatura humana começará um tempo novo. Uma aliança nova entre o Criador e a criatura. Entre aquele que é absolutamente santo e o que nasce marcado pelo pecado. Para que essa aliança fosse possível, Deus fez-se um de nós, em tudo igual a nós, menos no pecado (Hb 4,15), elevou a criatura humana à dignidade de filho (1 Jo 3,1) e o transformou em parceiro da história.

Na mesma hora em que toca na razão principal de sua chegada (o Reino de Deus), Jesus associa o homem à sua missão, escolhendo os apóstolos. Podendo fazer tudo sozinho e podendo fazê-lo melhor sozinho, quis a parceria da criatura humana, ainda que isso significasse atraso. Simão e André, Tiago e João, chamados por Jesus, somos nós. Todos  somos chamados. Por sinal, hoje ele escolheu quatro pescadores, profissão malvista naquele tempo e considerada imprópria para pessoas boas e tementes a Deus. Nenhum pecador, nenhum pobre, nenhuma criatura é excluída. As condições continuam as mesmas duas: converter-se e assumir as consequências da conversão; crer no Evangelho, que é Jesus de Nazaré, em sua pessoa, ensinamentos e missão. Assim como Jesus chama a cada um individualmente, cada um, individual e pessoalmente, deverá dizer sim ou não ou permanecer indiferente. A quem disser sim e viver o sim, Jesus chamará de ‘Servo bom e fiel’ (Mt 25,21). A quem responde não, dirá: ‘Não te conheço!’ (Mt 25,12). Com quem ficar indiferente, ‘nem frio nem quente’, Jesus é duríssimo: ‘Vomitar-te-ei de minha boca’ (Ap 3,16).

Aparecem já no Evangelho de hoje algumas condições do discípulo do Senhor, que são consequência da conversão: desapego de tudo, tanto dos bens materiais (rede) quanto dos bens pessoais (a profissão) e de bens sentimentais (pai). O desapego provavelmente é a condição mais difícil do discipulado no Novo Testamento, mesmo porque, a piedade do Antigo Testamento estava muito ligada à posse de bens materiais e sociais. No desapego Jesus é o grande mestre: nada teve de próprio, nem onde reclinar a cabeça (Mt 8,20).

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É hora de transformar o coração

Frei Almir Guimarães

tique-20Trabalho duro esse de transformar o coração. Conversão. Mudança de vida. Reorientação profunda da existência. Convite exigente que faz o Evangelho para dar  à nossa  caminhada o jeito de viver de Jesus e, desta forma, colaborar para que o  mundo à nossa volta se transforme.  Jesus quer seus ouvintes se convertam e creiam na Boa Nova que ele é Jesus, o grande responsável por lançar na terra os fundamentos de mundo de irmãos e de colaboradores, mundo que se chama Reino de Deus.  Completou-se o tempo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

tique-20Colocar Jesus à frente, sempre à frente: “O mais decisivo é escutar a partir de dentro seu chamado: Vinde atrás de mim. Não é tarefa de um dia. Escutar esse chamado  significa despertar a confiança  em Jesus, reavivar nossa adesão pessoal a ele, ter fé no seu projeto, identificar-nos com seu programa, reproduzir em nós suas atitudes e viver animados por uma esperança do reino de Deus.  Esse poderia ser hoje um lema para a comunidade cristã: ir atrás de Jesus, coloca-lo à frente de todos, recordá-lo cada domingo como o líder que vai à nossa frente, gerar uma nova dinâmica, centrar tudo em seguir de  perto  Jesus Cristo. Nossas comunidades cristãs se transformariam.  A Igreja seria diferente”  (Pagola, Marcos, p. 36-37).

tique-20Deixar um mundo e abraçar outro. “Foi assim que Deus deu a mim, Frei Francisco, começar uma vida de conversão. Parecia-me deveras extremamente desagradável ver e acercar-me do leproso. O Senhor me deu a graça de aproximar-me dele e estreita-lo em meus braços.  Nesse momento houve uma transformação em mim: o que antes me parecia doce tornou-se me amargo e o amargo, doce.  Pouco depois deixei uma certa maneira de viver,  deixei o mundo”  (São Francisco).

tique-20Converter-se

QUADRADINHO-AZUL  é  acolher na fé a iniciativa  gratuita, imprevisível  de Deus  que decidiu  em Jesus  nos visitar  em pessoa para nos salvar, ou seja, entrar numa felicidade sem fim;

QUADRADINHO-AZUL  é mudar a direção da vida, é deixar de considerar-se o centro do mundo e de desejar ser autossuficiente;

QUADRADINHO-AZUL  é tomar a decisão a decisão de ser discípulo e  não mestre de si mesmo;

QUADRADINHO-AZUL  não é, antes de tudo,  passar do vício para a virtude, mas experimentar uma mudança radical, isto é, que atinge a raiz de nossa existência;

QUADRADINHO-AZUL  é  tomar a decisão de fazer a aventura da vida  com outros e com o Outro.  Não querer fazer as coisas a ferro e fogo. Antes de tudo não está numa como que ginástica espiritual, mas na iniciativa da acolhida do amor de Deus.

tique-20Conversão e fé caminham juntas. Por isso, a conversão é difícil. Demanda morte a si mesmo, uma Páscoa do eu humano.  A conversão é combate à semelhança  do combate de Jacó com o anjo.

QUADRADINHO-AZUL  é aceitar que  nossos projetos possam  ser desarrumados por Alguém. É fazer morrer nossas ideias feitas a respeito de Deus, morrer  às nossas ilusões. Deixar que ele nos busque: “Onde estás Adão?”

tique-20Michel Hubaut falando da fé-conversão de Francisco: “Ao longo de sua vida ele cultivará uma fé acesa, vigilante, disponível ao chamado do Senhor e ao seu Espírito. Ter fé significa  liberar nossas fontes interiores:  escutar  Deus, buscar o Senhor, deixar-se amar e modelar por Deus; mesmo na noite deixar-se conduzir pela esperança  que teve seu rosto em Jesus;  despertar-nos de nosso torpor espiritual.  Francisco  tem esse projeto evangélico.  Sua fé descobre que  Deus é dinamismo de amor  que  não ameaça nossa liberdade, mas nos estrutura  e nos constrói e nos leva à plena realização”.

tique-20“Os valores que Jesus propõe como capazes de levar o ser humano ao seu máximo desenvolvimento não deixam de ser, à primeira vista, desconcertantes: o perdão  diante da violência, partilhar em vez de acumular, cooperar em vez de competir, ser austeros e não consumistas, amar sem esperar retorno, dar a vida pelos outros em  lugar de querer chegar aos píncaros da vida e reserva-la somente para si”  (Pedro José Gómez Serrano).

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Precisamos de mestres de vida

José Antonio Pagola

Jesus não foi um profissional especializado em comentar a Bíblia ou interpretar corretamente seu conteúdo. Sua palavra, clara, direta, autêntica, tem uma força diferente, que o povo sabe captar imediatamente.

O que sai dos lábios de Jesus não é um discurso. Tampouco uma instrução. Sua palavra é um chamado, uma mensagem viva que provoca impacto e abre caminho no mais profundo dos corações.

O povo fica admirado “porque ele não ensina como os escribas, e sim com autoridade”. Esta autoridade não está ligada a nenhum título ou poder social. Não provém da doutrina que ele ensina. A força de sua palavra é ele mesmo, sua pessoa, seu espírito, sua liberdade.

Jesus não é “um vendedor de ideologias”, nem um repetidor de lições aprendidas de antemão. É um mestre de vida que coloca o ser humano diante das questões mais decisivas e vitais. Um profeta que ensina a viver.

É duro reconhecer que, frequentemente, as novas gerações não encontram “mestres de vida” que elas possam escutar. Que autoridade podem ter as palavras dos dirigentes civis ou religiosos, se não estão acompanhadas de um testemunho claro de honestidade e responsabilidade pessoal?

Nossa sociedade precisa de homens e mulheres que ensinem a arte de abrir os olhos, de maravilhar-se diante da vida e interrogar-se com simplicidade sobre o sentido último da existência. Mestres que, com seu testemunho pessoal, semeiem inquietude, transmitam vida e ajudem a considerar honestamente as interrogações mais profundas do ser humano.

Dão o que pensar as palavras do escritor anarquista A. Robin, pelo que podem pressagiar para nossa sociedade: “Suprimir-se-á a fé em nome da luz; depois suprimir-se-á a luz. Suprimir-se-á a alma em nome da razão; depois suprimir-se-á a razão. Suprimir-se-á a caridade em nome da justiça; depois suprimir-se-á a justiça. Suprimir-se-á o espírito da verdade em nome do espírito crítico; depois suprimir-se-á o espírito crítico”.

O evangelho de Jesus não é algo supérfluo e inútil para uma sociedade que corre o risco de seguir tais rumos.

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Pescadores de gente

Pe. Johan Konings

Muitos jovens dentre aqueles que demonstram sensibilidade aos problemas dos seus semelhantes encontram-se diante de um dilema: continuar dentro do projeto de sua família ou dispor-se a um serviço mais amplo, lá onde a solidariedade o exige…

Foi um dilema semelhante que Jesus causou para seus primeiros discípulos (evangelho). Jesus estava anunciando o reinado do Pai celeste, enquanto eles estavam trabalhando na empresa de pesca do pai terrestre. Jesus os convidou a deixarem o barco e o pai e a se tornarem pescadores de gente.

O Reino de Deus precisa de colaboradores que abandonem tudo, para catarem a massa humana, que necessita o carinho de Deus. Deus quer proporcionar ao mundo seu carinho, sua graça. Não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. Provocar tal conversão na maior cidade do mundo de então, em Nínive, tal foi a missão que Deus confiou ao “profeta a contragosto”, Jonas ( 1ª leitura). Também Jesus convida à conversão, porque o Reino de Deus chegou (Mc 1, 14-15). Para ajudar, chama pescadores de gente. Tiramos daí três considerações:

– Deus espera a conversão de todos, para que possam participar de seu reino de amor, fr justiça e de paz.

– Para proclamar a chegada do seu reinado e suscitar a conversão, o coração novo, capaz de acolhê-lo, Deus precisa de colaboradores, que façam de sua missão a sua vida, inclusive às custas de outras ocupações (honestas em si);

– Mas além dos que largam seus afazeres no mundo, também os outros – todos – são chamados a participar ativamente na construção desse Reino, exercendo o amor e a justiça em toda e qualquer atividade humana.

É este o programa da Igreja, chamada a continuar a missão de Jesus: o anúncio da vontade de Deus e de sua oferta de graça ao mundo; a vocação, formação e envio de pessoas que se dediquem ao anúncio; e a orientação de todos a participarem do Reino de Deus, vivendo na justiça e amor.

Jesus usou a experiência dos pescadores como base para elevá-los a outro nível de “pescaria”. A Igreja pode seguir o mesmo modelo: partir da experiência humana, profissional, social, cultural, para orientar as pessoas à grande pescaria. Sem essa base humana, os anunciadores parecem cair de paraquedas no mundo ao qual eles são enviados, parecem extraterráqueos. Mas se aproveitam a experiência de vida que têm, “conhecendo o mar do mundo”, poderão recolher gente para Deus. Para Paulo, ser apóstolo é fazer da própria vida um anúncio do Evangelho: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). Ele não faz apostolado, oito horas por dia, fim de semana livre, férias e décimo terceiro… Ele é apóstolo, “apóstolo 24 horas”. Faz até coisas que não precisaria fazer: ganhar seu pão com o próprio trabalho manual, dispensar a companhia de uma mulher etc. Faz tudo de graça, para não provocar a suspeita de proveito próprio. Porque sua maior recompensa é a felicidade de anunciar o Evangelho gratuitamente. O Evangelho é sua vida.

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