Destaque, Notícias › 12/05/2017

5º DOMINGO DA PÁSCOA

Jesus é o caminho que leva ao Pai

1ª Leitura: At 6,1-7
Sl: 32
2ª Leitura: 1 Pd 2,4-9
Evangelho: Jo 14,1-12

-* 1 Jesus continuou dizendo: «Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. 3 E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também. 4 E para onde eu vou, vocês já conhecem o caminho.» 5 Tomé disse a Jesus: «Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?» 6 Jesus respondeu: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.»

8 Filipe disse a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós.» 9 Jesus respondeu: «Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não acredita que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês, não as digo por mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim, ele é que realiza suas obras. 11 Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditem nisso, ao menos por causa destas obras. 12 Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai.


* 14,1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

5º Domingo da Páscoa

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”.

1. Primeira leitura: At 6,1-7

Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo.

Lucas fala de uma Igreja que cresce, movida pelo Espírito Santo. Não são apenas judeus da Palestina que se convertem, mas também judeus de língua grega, além de pagãos convertidos ao judaísmo (prosélitos). O crescimento provocou uma crise interna de organização. As viúvas de origem grega eram mal atendidas na comunidade. A crise ocasionou a criação de um novo ministério, o dos diáconos, encarregados de cuidar dos pobres de origem grega. Todos os sete diáconos escolhidos têm nome grego. Eram homens de boa fama, repletos de fé, repletos do Espírito Santo e de sabedoria. Surge, assim, um novo ministério (serviço) para atender melhor os convertidos de origem grega. Pedro justifica a criação dos diáconos: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. Na prática os cristãos de língua grega passam a formar uma comunidade própria, sob a liderança dos diáconos. – O Papa Francisco disse: Prefiro uma Igreja que caminha e leva tombo a uma Igreja parada… que não cresce!

Salmo responsorial: Sl 32

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça
da mesma forma que em vós nos esperamos.

2. Segunda leitura: 1Pd 2,4-9

Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.

Para chegar ao Pai e “formar um edifício espiritual, um sacerdócio santo…oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus…”, é preciso acolher a Palavra, isto é a Verdade d’Aquele que é Vida.

Aclamação ao Evangelho:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém chega ao Pai senão por mim.

3. Evangelho: Jo 14,1-12

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

No domingo passado Jesus se apresentava como a porta que dá acesso ao Pai e como o bom pastor, capaz de dar a própria vida para que todos tenham vida em abundância. Hoje se dá a razão porque Jesus é o único acesso ao Pai: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O início do texto interpreta o evento pascal, mas em termos de espaço e tempo: Jesus morre, mas não permanece no túmulo e, sim, “volta à casa do Pai”. Quando Jesus diz: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”, provoca a pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?” – Tomé é o discípulo disposto a seguir Jesus no “caminho” para Jerusalém, onde haveria de morrer, e diz a seus companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele”. – Na resposta que Jesus dá não fala mais em “casa do Pai” como algo fora da pessoa, mas de algo existencial, muito próximo e imediato: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Na pessoa de Jesus a distância física e temporal com o Pai é eliminada e substituída pela presença existencial de Deus em sua pessoa e em seus discípulos. Basta conhecer a Jesus para conhecer o Pai. Então Filipe – o único discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo – fica impaciente e diz: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta!” E Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?” Na resposta Jesus insiste três vezes que é preciso ter fé, acreditar. Quem crê em Jesus – Caminho, Verdade e Vida – reconhece o rosto, as palavras e obras do Pai, que, em Jesus são a fonte da Vida. Moisés queria ver o rosto de Deus: “Deixa-me ver a tua glória” (Ex 32,23) e Deus lhe responde que isso era impossível, pois morreria; só podia “ver Deus pelas costas”, isto é, pelos sinais de alguém que “passou”. Pela fé, em Jesus, agora é possível “ver o rosto de Deus Pai”. Não é necessário esperar o fim do mundo para “ver” seu rosto. A presença de Jesus ressuscitado se manifesta agora pelas palavras e obras dos fiéis que, animados pelo Espírito, Santo vivem o amor (cf. Jo 14,15-26).

Voltar sempre de novo a Jesus

Eu sou o caminho, a verdade e a vida!

Frei Almir Ribeiro Guimarães

“A Igreja precisa levar a Jesus: este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer que a Igreja não leve a Jesus, ela seria uma Igreja morta. Jesus pode romper com os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisiona-lo e surpreende-nos com sua constante criatividade divina.”
José A. Pagola

Não há dúvida. Precisamos voltar a Jesus. Um Jesus vivo, ressuscitado, misteriosamente presente em nosso meio e impulsionando-nos a caminhar em frente na busca de um mundo novo, de uma nova ordem de coisas em que os pequenos são reis, os servos são santos, os que recolhem os jogados à beira da estrada mostram que querem fazer da terra um antegozo do paraíso. Sim, antes de tudo buscamos sua presença humana, mas também de ressuscitado. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Hoje quem nos fala assim é o Ressuscitado.

É verdade que a figura de Cristo impressiona a muitos homens e mulheres de nossos tempos pelo seu lado humano: atenção para com os mais simples, respeito pelas crianças, revolta contra os praticantes da lei pela lei e sem coração, compaixão, capacidade de criar laços de amizade, coragem diante das perseguições, alguém que não compactua com a corrupção e a mentira, buscadores de seres dilacerados. A leitura dos evangelhos nos coloca diante de uma figura atraente e que merece toda atenção. Os que o ouvem têm vontade de andar no seu seguimento.

Um aspecto de nosso relacionamento com Jesus é o da amizade. Ele mesmo disse que já não nos chamaria de servos, mas de amigos. Pela leitura em silêncio das páginas das escrituras, pela contemplação do Sacrário, sem muitas falas e hinos, vamos cultivando em nós essa dimensão da amizade com Jesus. Outras vezes preferimos chama-lo de Mestre. Gostamos de chamá-lo de Senhor, de nosso Senhor. Não seria essa uma preocupação que deviam ter pais e catequistas já com as crianças chamando atenção para um Jesus amigo, Mestre e Senhor?

Sabemos que esse Jesus humano foi a presença do Altíssimo entre nós. Nele Deus visitou (e visita) nossa terra. Percorre nossos caminhos, senta-se à nossa mesa. Se ele é nosso irmão, é também nosso Senhor, tendo passado pela morte e ganhado nova vida é o Senhor. O Jesus histórico encantador e fascinante é o Ressuscitado.

Importante vivermos uns com os outros. Termos o gosto pela convivência, pela comunidade. No seio dessas comunidades ouviremos sua Palavra, falaremos das coisas que precisamos fazer, comeremos seu corpo. É um modo de fazer-se presente a nós. Assim voltamos a Jesus.

“Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por este Deus apaixonado por um vida mais digna, mais humana e feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos” (Pagola).

Voltar a Jesus é empreender um caminho de transformação pessoal que designamos de conversão. Mudança interior em que os valores de Cristo passam a ser nossos valores: simplicidade de vida, extinção de toda vontade de dominar e colocar-se acima dos outros, respeito pelas manifestações de vida, sobretudo nos mais frágeis ( crianças, idosos, aqueles que pela ganância de alguns vivem o inferno antes da hora, os doentes e os idosos).

“Muitas vezes nosso trabalho pastoral é concebido e desenvolvido de tal foram que tendemos a estruturar a fé dos cristãos não a partir da experiência do encontro pessoal com Jesus, o Filho querido de Deus encarnado entre nós, mas a partir de certas crenças, da docilidade a certas pautas de comportamento moral e de celebração fiel de uma liturgia sacramental. Mas só com isto não conseguimos despertar nas comunidades a adesão mística a Jesus Cristo, nem a vinculação própria dos discípulos e seguidores. Fizemos uma Igreja na qual muitos cristãos e não poucos pastores pensam que, pelo fato de viver nela aceitando certas doutrinas e cumprindo certas práticas religiosas, já estão vivendo a experiência vivida pelos primeiros discípulos a comprometer-se a seguir Jesus” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p.52).

Concluindo:

Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar aos homens.
Cristo é a verdade: na confusão ruidosas das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como termo último de todas as verdades.
Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira que nos abre as portas, para uma vida sem fim, em plenitude total.

Oração pelas Mães:

Senhor Deus, grato por teu olhar, por tua bondade,

pela tua delicada presença em todo o tempo de minha vida.

Hoje penso em minha mãe, hoje já envelhecida.

Muito obrigado pela mãe que me deste.

Seu sangue corre em minhas veias.

Junto dela, escondido, comecei a viver quando era quase nada,

quando a força da vida que vem de ti me fez começar a viver.

Ele me deu proteínas, sangue, noites de vigília, cuidados de todos os jeitos, seu leite generoso, cuca de banana, leite queimado com mel nos dias de resfriado, presentes no natal, afago e beijo na hora de dormir e por minha causa e em meu benefício suportou provações e viveu muitas preocupações.

Eu te dou graças pela sua vida, pela coragem que ela sempre teve de compreender meu pai em seus momentos de loucura para que eu pudesse sempre ter pai e mãe.

Que minha mãe possa ter a alegria da volta de meu irmão, filho pródigo que hoje vive no mundo tétrico da bebida e das drogas e que deixou mulher ew filhos ao deus-dará.

Que minha mãe possa atingir uma ditosa velhice.

Que possa usufruir de longos períodos de calma, serenidade, repouso e paz no coração.

Eu te dou graças, Senhor, por teres criado esta criatura inteligente, esperta, cordial, cheia de cortesia, verdadeira e tua amiga, Senhor.

Gosto de ver minha mãe rezando no canto da sala,

apresentando a ti sua vida e nossa vida.

Graças, Senhor, pela mãe que me deste!

Seguir o caminho de Jesus

José A. Pagola

Os catecismos costumam falar de alguns “traços” ou atributos que caracterizam a verdadeira Igreja de Cristo. Como confessamos no credo, a Igreja de Cristo é “una, santa, católica e apostólica”: Não poderíamos, certamente, reconhecê-Ia numa Igreja de comunidades que se defrontam, em que predomina a injustiça, que excluem os outros ou abandonam a fé inicial pregada pelos apóstolos.

Mas há algo que é condição prévia e não podemos esquecer: Uma
Igreja verdadeira é, antes de tudo, uma Igreja que “se parece” com Jesus.
Se ela não tem algum traço parecido com Ele, nessa mesma medida esta-
mos deixando de ser sua Igreja, por mais que continuemos repetindo que
pertencemos a uma Igreja santa, católica e apostólica.

Parecer-se com Jesus significa reproduzir hoje seu modo de vida e sua
maneira de ser; encarnar-nos na vida real das pessoas como Ele se encarnava; despertar confiança em Deus no coração das pessoas e, sobretudo, amar como Ele amava. Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” A maneira de caminhar para o Pai é seguir seus passos.

Pode-se notar que a Igreja é de Jesus se ela se preocupa com os que sofrem, se ela se arrisca a perder prestígio e segurança por defender a causa dos últimos, se ela ama acima de tudo os desvalidos. Se amamos a Igreja temos que preocupar-nos em fazer que nela e a partir dela as pessoas sejam amadas como Jesus as amava.

Uma Igreja onde as pessoas são amadas e se busca uma vida mais
digna e feliz para todos “se faz notar” hoje, porque é isso precisamente que mais falta no mundo: nas relações entre povos ricos e pobres, na economia controlada pelos poderosos, na sociedade dominada pelos fortes.

Por outro lado, só assim a Igreja se torna digna de fé. Se não sabemos
reproduzir hoje o amor de Jesus, é inútil procurar fazer-nos dignos de fé
por outros meios. As pessoas verão que somos como todos: incapazes de
guiar-nos só pelo amor compassivo. Não seremos “Igreja de Jesus”, pois
nos faltará o traço que melhor o caracterizou. Jesus terá deixado de ser
para nós “o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Do livro “Liturgia Dominical”, de José A. Pagola, Editora Vozes.

O sacerdócio dos fiéis

Johan Konings, SJ

O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa.

As leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados. A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores) da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da palavra e fundadores de comunidades, seus sucessores são os bispos). As comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial (bispos, presbíteros, diáconos).

A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada com o título do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal.

O sacerdócio dos féis, reafirmado no Concílio Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquela é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.

No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que vivemos: ele tem o rosto de Jesus.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

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