A exigente tarefa de vigiar

Frei Gustavo Medella

Tomar conta da leiteira que esquenta o leite sobre o fogão está entre as tarefas mais inglórias que existem. Afinal, é quase certo que o leite vai subir e derramar justamente naquele instante em que você se distraiu, seja porque tocou o telefone, porque foi assistir ao gol do seu time na televisão ou porque alguém o chamou para fazer uma pergunta qualquer. Feita a sujeira, o jeito é limpar o fogão, com cuidado para não se queimar na grade, na boca ou na leiteira, e seguir a vida.

O exercício da vigilância é algo que desgasta, porque expõe os limites e a impotência de quem vigia, afinal, caso contrário, nem precisaria vigiar aquilo que já estaria sob o seu controle. Ter de vigiar é admitir a imprevisibilidade, é estar aberto e preparado para surpresas.

E é justamente vigilância que Jesus pede a seus seguidores no Evangelho deste 19º Domingo do Tempo Comum (Lc 12,32-48). Uma vigilância ativa, marcada por um espírito de comprometimento daquele que, quando ainda à espera do Senhor, age da mesma forma que agiria caso estivesse na presença d’Ele. Esta atitude indica para o modo coerente de ser que se espera daquele que se diz que cristão, afinal, no Reino de Deus, não deveria encontrar ressonância o ditado popular que diz: “Quando o gato sai, o rato sobe à mesa”.

Perceber, com os olhos da fé, a presença próxima de Deus mesmo quando Ele parece distante é fonte de força e coragem para o discípulo. Agir assim é manter a atitude de uma vigilância criativa e cheia de boas esperanças. É deste modo que desejaria caminhar, sem me descuidar da chegada do Senhor como quem também não se descuida do leite colocado para ferver. Nem sempre consigo. Já derramei algum leite no fogão. E, quando acontece, o melhor a fazer é limpar a sujeira e seguir em frente. Deus seja minha força para que, vigilante e entusiasmado, procure me colocar verdadeiramente a serviço do Reino.

(Fonte: Franciscanos)

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