A força do “sexo frágil”

Frei Gustavo Medella

“Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda!”, diz a canção de Erasmo Carlos. E as leituras que compõem a liturgia na qual celebramos a Assunção de Maria, neste domingo (21 de agosto), vêm confirmar a sentença cantada pelo Tremendão. Contemplar o exemplo da Mãe da Verdade permite-nos perceber o quão mentiroso se mostra este estigma da fragilidade feminina.

Na primeira leitura, a grávida vestida de sol – imagem de Maria e da Igreja – dá à luz o seu rebento, defendendo-o da voracidade do dragão que desejava devorar seu filho. Maria, sob a ação do Espírito, defendeu seu Filho das armadilhas de um rei ganancioso e o conduziu a um crescimento sadio e integral. Mesmo vivendo com pobreza, conseguiu criar Jesus num ambiente no qual Ele crescia em graça, sabedoria e estatura. Essa mulher é a Igreja teimosa, que insiste em ser portadora de profecia e esperança diante de tantas propostas de fé que devoram a autonomia das pessoas, alienando-as em promessas ilusórias e enganadoras.

No Salmo, aparece a figura da rainha, com veste resplandecente de ouro. Em Maria, seu grande esplendor é a simplicidade da qual se revestiu. A humildade da serva que cativou o coração de Deus, a disponibilidade da prima que se pôs a serviço da parenta idosa, a coragem e a ousadia da menina que se colocou à disposição dos planos de Deus. Quanto à Igreja, seguindo-se a máxima de São Lourenço, “seu grande tesouro são os pobres”.  Quando a Igreja negligencia tal tesouro e se apega às riquezas e ao poder, torna-se infecunda, segundo as palavras do próprio Papa Francisco: “O apego das riquezas nos dá tristeza e nos torna estéreis”.

No Evangelho, a força de quem assume trazer o céu dentro de si e abraça o compromisso de levar o céu aos outros. A presença de Maria junto a Isabel certamente foi luz e descanso para aquela gestante de idade avançada. Cada vez que Igreja torna viva a solidariedade e a partilha entre a humanidade, oferece ao mundo o céu, seu dom mais precioso.

Deus nos chama para viver o céu. Assim como chamou Maria e ela o aceitou prontamente. Que a festa da Assunção nos estimule a aderirmos com integralidade a este convite que o Senhor insistentemente nos faz. Nossa Senhora da Glória, olhai por nós!

(Fonte: Franciscanos)

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