Advento, tempo de desacelerar

Frei Gustavo Medella

Já é Natal na… (não vou dizer o nome da loja para não fazer merchandising gratuito). E assim começam as propagandas no rádio, TV, internet, outdoors, cartazes, com lâmpadas, bolas, árvores e bonecos de neve que não derretem sob os 40ºC do verão brasileiro. É hora de pensar em presentes, compras, 13º (menos para quem é funcionário do Estado do Rio), viagens, festas, cardápios, sobremesas, roupas. As pessoas ficam em polvorosa, sentem-se ansiosas, têm a impressão de sempre estarem atrasadas, correm, suam e se cansam porque em toda parte as cores e os sons anunciam insistentemente que “Já é Natal”.

Calma… Não precisamos necessariamente entrar neste frenesi, que faz lembrar o dilúvio do tempo de Noé, ao qual Jesus faz referência no Evangelho deste 1º Domingo do Advento (Mt 24,37-44). Aliás, quando nos deixamos levar por esta roda viva da publicidade e do mercado corremos o grave risco de não perceber que o Senhor vem, mas vem discreto, simples e de mansinho, afinal ele vem Menino, vem Criança.

É por isso que há este privilegiado tempo do Advento: para que as pessoas se desfaçam de expectativas ilusórias, para que retomem o essencial de suas vidas, repensem as escolhas e prioridades. É um tempo bonito de silêncio, espera e serenidade. De treinar os sentidos a partir do coração, para se perceber as manifestações sutis do Verbo que não podem ser notadas no tumulto e na correria. Advento, tempo de desaceleração, de encontrar a beleza do simples e a grandeza do Pequeno.

Portanto, não precisa correr tanto. Você tem quatro semanas para se preparar, mas com calma e docilidade. Mesmo que a ceia seja simples, os presentes, poucos, sem pompas ou badalações, o mais importante é enfeitar bem o coração, atendo-se no que é essencial. Ainda não é Natal, mas com certeza será, tanto mais cada um conseguir se preparar.

(Fonte: Franciscanos)

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