As três lições de Zaqueu

Frei Gustavo Medella

“Ver Jesus, ainda que de longe, já seria uma graça!” Talvez fosse este o pensamento que levara o baixinho Zaqueu a cometer aquela estripulia. Adulto de pequena estatura, tornou-se outra vez criança o bastante para subir numa figueira a fim de conseguir ver o Mestre no meio da multidão que O cercava (Cf. Lc 19,4). Zaqueu pensava que, para, “saber quem era” Jesus, precisaria subir, estar acima dos outros.

Eis que o Mestre passa, conforme o esperado. No entanto, para Zaqueu, o desenrolar dos fatos supera suas melhores expectativas. Em meio à multidão, Jesus O enxerga sobre a árvore, olha para ele com carinho e vira do avesso os conceitos daquele cobrador de impostos.

Primeiro, mostra a Zaqueu que, para estar com Deus, o ser humano não precisa se colocar acima dos outros, mas, ao contrário, precisa descer, tem de estar entre os seus, numa postura de humildade e serviço. “Zaqueu, desce depressa!” (Lc 19, 5d).

Em seguida, ensina que o verdadeiro lugar de encontro com o divino é “dentro de casa”. É no íntimo do coração, no sacrário da consciência, que o ser humano tem um encontro fecundo transformador com Espírito Santo que nele habita. “Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5d).

Por último, revela que o encontro verdadeiro com Deus é fonte de conversão! Ninguém permanece o mesmo depois de se encontrar com o Senhor. “Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: ‘Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais’” (Lc 19,8).

Pelo que diz o texto, parece que Zaqueu aprendeu bem rápido. Quanto a mim, não sei quanto tempo vou demorar para assimilar tais ensinamentos. Talvez leve a vida toda. O mais importante é não desistir e continuar tentando.

(Fonte: Franciscanos)

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com