Destaque, Notícias › 03/02/2014

Com esperança, Pari celebra 100 anos

Por Moacir Beggo

13São Paulo (SP) – Mais do que gratidão, a Missa de Ação de Graças pelos 100 anos da criação da Paróquia Santo Antônio do Pari e da presença franciscana naquele bairro, neste domingo (2 de fevereiro), às 18 horas, focou no tema da esperança para uma comunidade que está mais viva do que nunca, apesar das mudanças que, a cada dia, tornam o bairro comercial. A bela igreja lotou numa demonstração desse amor e força para começar a escrever mais um centenário.

Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da arquidiocese e vigário episcopal da Região Sé, presidiu a celebração, tendo como concelebrantes o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, e o pároco Frei Adriano Freixo Pinto. Também marcaram presença frades de toda a Província, entre eles o Definidor Frei José Francisco dos Santos, e religiosos de São Paulo.

As celebrações pelo centenário começaram com um Tríduo, no dia 30 de janeiro, e continuaram durante todo o domingo. Na missa das 10 horas foi inaugurado um novo altar para Nossa Senhora de Copacabana, e a entronização de sua imagem, e de Nossa Senhora de Urkupiña, ambas devoções muito fortes da cultura boliviana. (Veja aqui como foi a celebração)

meio2Além de D. Tarcísio, Frei Fidêncio e Frei Adriano, a paroquiana Érika Augusto falou em nome da comunidade e se emocionou ao lembrar do incêndio que quase destruiu a igreja do Pari em 2006. Érika falou que poderia ter sido o fim naquele momento da comunidade, mas o povo se uniu e buscou forças para reconstruir o templo. Essa mesma força deve ser buscada para continuar a construção do templo espiritual.

Nessa linha, D. Tarcísio disse que era motivo de alegria e orgulho fazer parte da celebração de 100 anos. “Cem anos de caminhada e nós fazemos parte desta história! Além de celebrar é tempo de renovação da nossa fé, do compromisso missionário evangelizador”, disse o bispo, lembrando que a festa litúrgica do dia celebrava o encontro de Deus com a humanidade. “Vocês perceberam que o Papa Francisco fala muito de encontro. Quando esteve aqui, na Jornada Mundial da Juventude, falou de encontro. Ele disse que a Igreja precisa ser casa de encontro, precisa sair ao encontro das pessoas e que a Igreja tem a missão de criar comunhão, comunidade”, explicou.

Segundo o bispo, durante 100 anos a Paróquia criou comunhão entre os fiéis e preparou o caminho para o Senhor. “Certamente sem esta Paróquia este bairro seria diferente. Quantas famílias esta Paróquia defendeu, animou, sustentou, ajudou. Quantas pessoas não passaram por esta comunidade e se encontraram nesta casa do Senhor. Essa comunidade é uma casa de iniciação cristã. E continua realizando e alimentando esse encontro com Senhor. A missão da nossa Paróquia é ser, como dizia Malaquias, o anjo do Senhor enviado para preparar os seus caminhos. A Paróquia tem que ser isso: preparar o caminho para o Senhor para que as pessoas possam encontrá-Lo”, disse D. Tarcísio.

20Um momento muito bonito da celebração foi quando todos os fiéis acenderam as velas, já que liturgicamente neste dia 2 celebra-se a Festa da Apresentação do Senhor, dia de Nossa Senhora da Candelária ou Candeias. Frei Carlos Lúcio Corrêa, ou Frei Carlinhos, fez os comentários da Missa e viu o povo cantar o “Hino do Centenário”, composição e letra que fez para a festa.

Veja aqui a galeria de fotos da missa solene do Centenário

Gratidão, fé e esperança

Frei Fidêncio, que aos poucos retorna às atividades depois de passar por duas delicadas cirurgias no rosto, disse que era um momento de render graças e proclamar como São Francisco: “Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são o louvor, a glória, a honra e toda bênção” e “louvai e bendizei ao meu Senhor e rendei-lhe graças e servi-o com grande humildade”.

“Neste dia jubilar o olhar de todos nós é, sem dúvida alguma, um olhar retrospectivo, cheio de gratidão! Afinal, são 100 anos de uma comunidade paroquial, ou seja, a história de uma Igreja-Comunidade-de-Fé que começou muito pobre, e que hoje pulsa jubilosa nesta grande cidade de São Paulo. São 100 anos de uma Comunidade de Fé que, em comunhão com os frades (Frei Filipe Niggemeier, Frei Olivério Kraemer e Frei Paulo Luig) foi se solidificando e, ao mesmo tempo, vivendo todas as vicissitudes desta grande metrópole chamada São Paulo. Portanto, nossa gratidão a todas as pessoas, homens e mulheres, que tornaram bela esta nossa história, tendo como braço forte desta construção o nosso intercessor maior: Santo Antônio!”, disse Frei Fidêncio.

DSC02848Mas o Ministro Provincial enfatizou que a celebração do primeiro centenário lança um novo desafio. “Não queremos olhar apenas no retrovisor da nossa história e viver de saudosismos dos heróis da fé desta comunidade paroquial. O centenário é uma provocação para assumirmos a nossa missão profética neste mundo em transformação dentro do qual vivemos. E como Francisco de Assis devemos nos perguntar: ‘Senhor, que queres que eu faça? Senhor que queres que nós façamos?’

E o Papa Francisco certamente nos dirá o que disse aos jovens na JMJ: ‘Ide, sem medo, para servir!’ Mas a quem servir? Como servir? De que forma servir? Esta é a Igreja de Jesus Cristo que nós, protagonistas da história presente, somos chamados a reconstruir”, acrescentou.

Frei Fidêncio, então, convidou a olhar com esperança para este novo centenário que se inicia e agradeceu, em nome da Província da Imaculada, a Arquidiocese de São Paulo, aos frades, a todos os fiéis da comunidade. “Parabéns a toda Paróquia!”, gritou, ovacionado pelo povo.

32Frei Adriano, o pároco e guardião da Fraternidade do Pari, frisou que o momento era de gratidão. “Agradecemos tantas vidas doadas, frades incansáveis no serviço, pessoas generosas, conhecidas e anônimas, somos gratos pelo crescimento, pelas crises, derrotas e vitórias, ano a ano, semeadas nesta comunidade de fé”, disse, observando que agora o passado caminha conosco como herança e memória, mas não podemos viver nele. “Deus não é Deus do passado, mas do presente. A partir desta presença do passado, olhamos o hoje, o presente, com fé”.

A esperança não pode morrer nos corações dos fiéis. “Se isso acontecer, nossas vidas se tornarão desertos. Nada de desertos! Esperança sempre de um mundo melhor, de uma Igreja como casa de acolhimento; de uma sociedade mais justa, menos desigual; de um ser humano redimido”.

O “choro de alegria”

meio3Érika Augusto falou pela comunidade e disse que era um privilégio viver este dia “histórico para todos nós”.

Segundo a paroquiana, durante o Tríduo, pôde-se reviver e contar um pouco da história desses cem anos, e o momento agora é de muita responsabilidade.

“Com poucos recursos e infraestrutura, a comunidade se uniu e construiu essa bela igreja. Até crianças ajudaram na sua construção! Em 1924, nossa igreja estava pronta para a comunidade”, lembrou.

“Sabemos que esse passado é importante, mas não é fundamental. Num passado recente, no dia 14 de julho de 2006, um grande incêndio quase destruiu a nossa igreja”, disse, parando para conter a emoção. “Muitos duvidavam que iríamos reconstruir essa igreja. Desde então, quatro párocos – Frei Cid Tadeu Passos, que está aqui hoje, Frei Gilberto Piscitelli, Frei Gilmar José e agora Frei Adriano – revezaram-se na reconstrução deste templo. Agradecemos a cada um pelo empenho em reconstruir o nosso templo. Aos poucos fomos recuperando a beleza de nossa casa”, comemorou.

Mas Érika lembra que isso não é o suficiente. “O templo foi recuperado, sinal visível de que nossa comunidade está aqui, nova e viva. Nosso coração, nosso templo espiritual, o corpo místico como dizia D. Tarcísio, como está enquanto comunidade?”, questionou.

A paroquiana não perde a esperança: “Construir essa Paróquia só foi possível graças ao empenho de cada um. Juntos, formamos uma grande e ativa comunidade e é isso que precisamos recuperar. Muitos se queixam de cansaço, das mudanças ocorridas no bairro, mas essa é nossa realidade. Nós formamos essa comunidade, e temos a responsabilidade de dar continuidade a tantos e tantas que nos precederam”.

Érika convocou a todos: “Os franciscanos podem contar com o nosso apoio e nosso trabalho. Juntos chegamos até aqui e juntos vamos continuar esse caminho. Que São Francisco e Santo Antônio nos ajudem a sermos o Evangelho vivo, e possamos testemunhar com nossas vidas o motivo de estarmos aqui e formarmos a comunidade de Santo Antônio do Pari!”

A celebração terminou com o descerramento da placa comemorativa do jubileu em frente à Igreja e uma grande queima de fogos. Em seguida, os fiéis participaram de uma confraternização no Salão de Festas.

Fonte: Site da Província Franciscana da Imaculada Conceição

 

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