Destaque, Reflexão Dominical › 02/07/2016

Correr e combater pelo que de fato vale a pena

“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” (2Tm 4,7-8).

Eis um bonito texto lapidar que serve como metáfora da caminhada humana no mundo. A vida é combate, muitas vezes do ser humano contra ele mesmo, numa busca empenhada de vencer os próprios condicionamentos, os medos, o egoísmo e a imaturidade a fim de corresponder às grandezas para as quais foi chamado por Deus. A vida é corrida (adjetivo e substantivo). Temos pressa, desejamos respostas rápidas e queremos dar encaminhamentos ligeiros a questões que têm como natureza permanecerem abertas… Carecemos de certezas. Corremos muito, mas com frequência não temos consciência para onde… O que desejamos de fato? Quais são os nossos mais genuínos sonhos e projetos?

Pedro e Paulo também lutaram… Correram… Superaram obstáculos, enfrentaram resistência, cometeram equívocos, caíram e se levantaram. Nas tramas complexas de suas existências, foram diuturnamente instados a oferecer sentido a tudo por que passavam. E só conseguiram porque tinham um ponto de referência consistente: a certeza de que “Aquele que os chamara permaneceria fiel até o fim” (Cf. 1Ts 5,24). Esta certeza permitia a ambos esperarem no amor a manifestação gloriosa do Senhor.

É justamente a compreensão do que vem a ser esta “manifestação gloriosa” que pode, aos poucos, nos dar o norte da vida que buscamos: plena, feliz, pacífica e completa, em Deus. Não se trata de nada de material ou passageiro, como viagens de luxo, hotéis cinco estrelas, muitíssimo dinheiro no banco, muitos carros importados na garagem. Correr e lutar por todas estas coisas é reduzir nossa existência aos poucos anos que temos por aqui. É não se dar conta de que, conforme diz o Papa Francisco, “não existe cortejo fúnebre acompanhado de caminhão de mudança”.

Trabalhar e viver pela verdadeira glória, empreender sacrifícios que verdadeiramente valham a pena, ao contrário, é seguir as orientações do Cristo, quando diz: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em favor de muitos” (Mc 10,45). Que estes “muitos” sejam cada vez mais e que, como Pedro e Paulo, estejamos incluídos entre aqueles que entregaram sua vida em favor do Reino.

(Frei Gustavo Medella)

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com