Notícias › 29/04/2014

Cristo Ressuscitado faz de nós pessoas apaixonadas pela comunhão

Acompanhe abaixo a reflexão de Ir. Alois, prior da comunidade ecumênica Taizé, sobre a Páscoa.

60774_361456653982565_1812837621_nEsta Semana Santa, que terá amanhã de manhã o seu ponto culminante na celebração da Páscoa, faz-nos viver dias intensos. Vindos de tantos países diferentes, fazemos a experiência de uma comunhão além das fronteiras de línguas e de confissões.

Amanhã vamos saudar-nos, tal como fazem os cristãos em todo o mundo, com estas palavras: «Cristo ressuscitou – ressuscitou verdadeiramente.»

É Cristo Ressuscitado que nos reúne. Mesmo se permanece invisível aos nossos olhos, Ele pode estar misteriosamente presente para cada ser humano, para cada um de nós.

Na cruz, Jesus sofreu terrivelmente e morreu como um criminoso. Mas no fundo desse sofrimento discerne-se uma realidade ainda mais profunda. Vemo-la aparecer no ícone da Cruz: Jesus abre os braços para acolher todos os seres humanos no seu amor. Mesmo com as nossas falhas e a nossa violência interior, somos acolhidos por Ele.

Assim, o sofrimento e a morte de Jesus transformam o nosso sofrimento e a nossa morte. O que há de trágico não é removido, permanecemos desprovidos perante mal. Mas, tal como para Jesus, mais profundamente do que mal brilha uma luz de esperança, mesmo se nos apercebemos muito pouco disso. A chama pode vacilar, mas não será extinta.

Para alimentar a chama da esperança precisamos uns dos outros. Nós, irmãos, gostaríamos de fazer tudo o que for possível para que descubram esta esperança nas vossas vidas. E, inversamente, a vossa presença aqui em Taizé alimenta a nossa esperança.

Sim, é Jesus Cristo que nos reúne. E ele quer fazer de nós pessoas apaixonadas pela comunhão, artesãos de amizade entre crentes e não-crentes.

O irmão Roger inscreveu esta paixão pela comunhão na vocação da nossa comunidade. E sabem que no próximo ano vamos fazer memória do irmão Roger com várias celebrações, especialmente no dia 16 de Agosto, dez anos após o dia em que ele foi morto, aqui, nesta igreja.

É por causa desta paixão pela comunhão que nós não vivemos todos aqui em Taizé, mas alguns irmãos vivem em pequenas fraternidades em diferentes continentes, outros viajam para visitar vários países, para estarmos à escuta do que vivem outras pessoas.

Há um mês, dois irmãos foram à Ucrânia. Há muitos jovens deste país que vêm aqui e também aos Encontros Europeus. Não nos podíamos limitar a olhar de longe para o que eles estão a atravessar.

Outro irmão vai partir segunda-feira para a Rússia, para celebrar a semana da Páscoa com os cristãos deste país. Neste grave conflito que está a acontecer neste momento, em ambos os países há homens e mulheres que querem a paz.

A mesma paixão pela comunhão leva-nos a procurar como caminhar para a unidade visível entre os cristãos. Parece-nos que o tempo atual é propício para dar novos passos neste sentido.

A chama de esperança que Cristo ilumina em cada um une todos os batizados. Tornar esta unidade mais visível é a condição para que o fogo do amor de Cristo possa brilhar para todos os que procuram esperança.

Gostaria por isso de pedir-vos para rezarem por aqueles que têm um ministério nas diferentes igrejas, protestantes, ortodoxos e católicos, pessoas que vos estejam próximas ou cujas responsabilidades sejam mais amplas. Eles têm uma tarefa muito difícil para serem verdadeiramente «bons pastores», como Jesus lhes pede.

Em Taizé estamos infinitamente gratos pela confiança que encontramos da parte dos responsáveis das diferentes igrejas. Eu pude constatar isso mesmo quando participei, no ano passado, na Assembleia Geral do Conselho Mundial de Igrejas. Teve lugar na Coreia do Sul, em Busan, e reuniu vários responsáveis de igrejas protestantes e ortodoxas .

Na mesma viagem, visitei também a Corei do Norte e guardo essa viagem e as pessoas que encontrei no meu coração. E nestes dias, impressionados pelo que aconteceu, rezamos pelas vítimas do naufrágio na Coreia do Sul e pelas suas famílias.

Também no ano passado, com uma centena de jovens, fomos celebrar a Epifania a Istambul. O Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, reservou-nos um acolhimento muito bonito.

Screen-Shot-2013-12-04-at-9.29.58-AMGostaria de dizer uma palavras sobre o Papa Francisco. Ele recebeu-me no final de novembro e pudemos conversar. Que bondade irradia dele! E que compreensão pela nossa comunidade! Incentivou-me fortemente a continuar a acolher jovens em Taizé e a continuar a nossa vida de comunidade ecumênica.

Pude cumprimentá-lo novamente há três semanas, na Eucaristia que ele celebra diariamente na sua pequena capela. E no mesmo dia, ao fim da tarde, Bento XVI recebeu-me no mosteiro no Vaticano onde se recolheu. Agradeci-lhe pela forma como nos acolheu durante o nosso Encontro Europeu em Roma e pela inesquecível oração que tivemos na Praça de São Pedro, no dia 29 de dezembro de 2012.

Peço-vos que acompanhem também com a vossa oração as próximas etapas da «Peregrinação de Confiança». Há irmãos que estão neste momento no Texas, para uma peregrinação com três encontros, em Austin, Dallas e Houston. No final da próxima semana eu irei ao México. Vários irmãos estão lá, há alguns meses, a preparar um encontro de jovens que terá lugar na cidade do México.

E todos vamos continuar uma peregrinação de confiança na vida cotidiana. Amanhã muitos regressam a casa. Tenhamos a confiança de que Cristo Ressuscitado nos precede no nosso caminho, que Ele nos acolhe e nos acompanha onde quer que vamos.

Fonte: Site da Comunidade Taizé

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com