Notícias › 18/02/2013

Discurso de posse de Frei Adriano

Leia aqui na íntegra as palavras de Frei Adriano Freixo Pinto, durante celebração de sua posse como pároco:

“Dom Tarcísio, sua presença aqui, como presidente desta celebração eucarística, testemunha que a posse do pároco é um gesto de confiança da Igreja. Responsável por uma porção do Povo de Deus dentro da diocese, na paróquia, é o pároco um servidor, está ele a serviço: servidor e a serviço da Igreja numa determinada diocese; servidor e a serviço dos fiéis, nesta paróquia de Santo Antônio do Pari. Assim vejo esta tomada de posse: não se pede para ser pároco, para estar na linha de frente das responsabilidades, mas responde-se a um apelo, a uma convocação: “Eis-me aqui. Envia-me”. Assim, a tomada de “posse” não é uma “posse”, algo a que se apegar como propriedade pessoal, mas serviço livre ao Senhor, à Igreja, aos fiéis e não-fiéis, na resposta generosa e livre de um chamado.

Consciente de minhas inúmeras fragilidades, qual vaso de barro, confio esta paróquia aos cuidados de uma rede de colaboradores. Cada vez mais vemos que, sozinhos, pouco podemos realizar, numa sociedade cada vez mais complexa. Sonho com uma Igreja, com uma fraternidade religiosa franciscana, marcada pela corresponsabilidade, pela comunhão, pela participação, onde cada um sente-se autor e ator, e não mero expectador dos acontecimentos; onde cada um possa derrubar o muro da indiferença, do comodismo, da falta de compromisso; onde cada frade, cada paroquiano, possa de fato se comprometer com a construção de sua casa, de sua Igreja, família de Deus.

Neste sentido, espero contar com esta fraternidade religiosa franciscana de Santo Antônio do Pari, na pessoa de cada frade a quem a Província confiou formar esta fraternidade. Espero contar com a dedicação dos paroquianos aqui do Pari, pessoas fiéis a esta Igreja de longa data e a quem seremos sempre devedores. Desde já, meu sincero agradecimento a cada um que ajudou a preparar esta tomada de posse.

Agradecimento carinhoso aos amigos e colaboradores da Paróquia do Sagrado, em Petrópolis – RJ, com quem convivi e muito aprendi por quase seis anos de minha vida, antes de seguir para cá. Nunca esquecerei a vida partilhada entre nós.
E, sem dúvida alguma, digo, podem contar vocês todos comigo. Não medirei esforços para ser um irmão que procurará ajudar. Não me vejam como um super-homem, um homem de aço. Sou de carne e osso, frágil e pecador. A mim foi pedido carregar a carga mais pesada da administração, das responsabilidades pastorais desta paróquia. Se carregarmos juntos, o peso tornar-se-á leve para todos.

Perguntaram sobre minhas expectativas. Após um mês aqui no Pari, já tendo conversado em várias ocasiões com as lideranças e alguns frades e participado de algumas reuniões, posso garantir que ainda estamos no período da adaptação. Ainda há muito a conhecer. Mas nunca se conhece como expectador de fora. Conhecimento é inserção. Caminho se faz é na caminhada. Caminhemos, portanto. Assim, penso que devo esforçar-me para conduzir a Paróquia Santo Antônio do Pari, em sintonia com as orientações da Arquidiocese de São Paulo, em comunhão fraterna com os demais frades, para as “águas mais profundas”, onde somente o Senhor torna-se nossa segurança. Retornemos ao Senhor! “Reorientemos nossos corações para Deus, rejeitando o orgulho e o egoísmo”, disse o Papa Bento XVI hoje, na oração dominical do Angelus, ao meditar o Evangelho deste 1º Domingo da Quaresma, onde Jesus vence as tentações focado na força de Deus!

Consciente dos grandes desafios que o mundo urbano secularizado apresenta para nossa Igreja, para uma vida de fé sincera e para a defesa da unidade em Cristo, espero que em nossa Paróquia de Santo Antônio do Pari possamos encontrar espaço para um encontro pessoal com o Senhor, fortalecendo os passos tantas vezes cansados e as mãos trêmulas. Nutro também a expectativa de conseguirmos atingir mais as pessoas, ir ao encontro delas, e não apenas esperar que elas venham até nós. Como diz Santo Antônio, que arrastemos as pessoas mais com nossos exemplos do que com nossas palavras. O que fazer? Como fazer? No decorrer da caminhada, esperamos encontrar as devidas respostas e mais perguntas… A todos meu muito obrigado pela confiança depositada.”

Fr. Adriano Freixo Pinto, ofm

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