Destaque, Notícias › 28/12/2017

Festa da Sagrada Família

Jesus, Maria, José e nós…

Frei Gustavo Medella

Mais uma vez o calendário nos coloca entre duas festas litúrgicas que nos comovem e mobilizam: Sagrada Família e Santa Maria, Mãe de Deus, nos dias 31 de dezembro de 2017 e 1º de janeiro de 2018. Duas celebrações entrelaçadas, uma conferindo sentido à outra e, no centro de ambas, o Menino Jesus. Celebrar, no ponto de interseção entre dois anos, os Mistérios da Encarnação manifestos em Deus que escolhe nascer de uma mulher simples, no seio de uma família pobre, pode ser, para nós, chance de fazermos uma profunda revisão de vida, de reorganizarmos nossas prioridades, de reabastecermos nosso “reservatório de esperança”.

Jesus, Maria e José estão no Centro do Presépio onde o protagonista é Deus. Revelam uma parceria entre divino e humano para a qual o Senhor sempre esteve disposto e disponível. De nossa parte, cabe sempre de novo insistir neste propósito de fazermos nossa parte, de nos colocarmos, ao modo de Deus, uns a serviço dos outros. Esta seja nossa meta, este seja o sentido de nossa vida. Sempre juntos, em Deus. Feliz 2018!


Deram-lhe o nome de Jesus

Leituras da Solenidade da Santa Mãe de Deus

1ª Leitura: Nm 6,22-27
Salmo: 66 (67)
2ª Leitura: Gl 4, 4-7
Evangelho: Lc 2, 16-21

16 Foram então, às pressas, e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. 17 Tendo-o visto, contaram o que o anjo lhes anunciara sobre o menino. 18 E todos os que ouviam os pastores, ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19 Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração. 20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido, conforme o anjo lhes tinha anunciado.

O Messias é pobre -* 21 Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo, antes de ser concebido.


* 8-20: Os primeiros a receber a Boa Notícia (Evangelho) são os pobres e marginalizados, aqui representados pelos pastores. Com efeito, na sociedade da época, os pastores eram desprezados, porque não tinham possibilidade de cumprir todas as exigências da Lei. É para eles que nasceu o Salvador, o Messias e o Senhor. E são os primeiros a anunciar a sua chegada. Jesus é o Salvador, porque traz a libertação definitiva. É o Messias, porque traz o Espírito de Deus, que convoca os homens para uma relação de justiça e amor fraterno (cf. Is 11,1-9). É o Senhor, porque vence todos os obstáculos, conduzindo os homens dentro de uma história nova.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


Família, sempre de novo o tema da família

Festa da Sagrada Família

Eclesiástico 3, 3-.14-17a;  Colossenses  3, 12-21;  Lucas 2,22-40

Frei Almir Guimarães

tique-20Entre o Natal e o Ano Novo somos convidados a contemplar a beleza humano-divina da família de Nazaré. Sabemos que o amanhã da humanidade passa pela família, como dizia João Paulo II. Não ignoramos que a pequena célula da sociedade e da Igreja passa por delicadas, constantes e inusitadas transformações (fragilidade do vínculo conjugal, separações, recasamentos, famílias que nascem sem sólidos propósitos, união entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças problemáticas etc). Pais, educadores, pastores estamos todos preocupados. É como se estivéssemos sempre num canteiro de obras. A conclusão dos trabalhos não acontece. Os que nascemos ainda na primeira metade do século passado sentimos na pele as dificuldades de anunciar a Boa Nova da família cristã. Quanta evolução e quantos questionamentos! Continuamos a acreditar que a família seja um bem para a pessoa que vem ao mundo, para a sociedade e para a Igreja.

tique-20Quais os valores próprios da família e a natureza dos laços familiares? A família é o lugar humano por excelência, o berço do homem, modelo das relações éticas (responsabilidades dos pais para com os filhos, dever dos filhos em relação aos pais). Trata-se de uma experiência humana primeira inultrapassável porque enraizada nos laços humanos.

tique-20João Paulo II, na Familiaris Consortio define a família como uma “comunidade de vida e de amor”.

tique-20A família é um bem para a sociedade, sobretudo porque o cidadão é pessoa e a pessoa cresce sendo amada e amando, sendo reconhecida e dando-se. A família aparece como o verdadeiro lugar, quer dizer, o lugar privilegiado em que o ser humano é considerado pelo que é – uma pessoa que se realiza no dom e na comunhão. O homem não é apenas o que mostram as aparências. É um mistério a ser descoberto.

tique-20A família é o lugar onde o ser humano é posto no mundo e educado (transmissão da vida), mas também o lugar por excelência (primeiro e principal) onde se vivem os valores próprios da pessoa: valores de reconhecimento, gratuidade, dom e comunhão.

tique-20A família não é mais entendida como camisa de força sufocante, mas como espaço privado, em que cada um deve poder desfrutar de uma certa independência, recebendo o afeto e a atenção que merecem e de que necessitam.

tique-20Mesmo com todas as transformações em curso não assistimos a uma desinstitucionalização da família. Constatamos a uma relativa desinstitucionalização da vida a dois. O Estado, no entanto, não pode desligar-se da família. Hoje intervém mais com relação às crianças. Os casais “informais” exigem ser reconhecidos para beneficiar dos mesmos direitos dos casais “casados”.

Em pequenas gotas:

A família é um bem para a sociedade, porque é o centro onde nascem e crescem os futuros membros da sociedade.

A família é o primeiro laço de transmissão da cultura. Ali o ser humano constrói a sua identidade no seio de uma rede de laços de parentesco.

Quando nascemos precisamos de afeto. É deste modo que adquirimos a força interior necessária para viver, para construir, para resistir às adversidades, ultrapassar obstáculos, realizar projetos.

Vivemos batalhando para que nossas famílias sejam cristãs, verdadeiras Igrejas domésticas. Para tanto urge:

o que os jovens cristãos sejam solidamente formados na fé, no seguimento de Cristo, para que ingressem na família na qualidade de discípulos de Cristo e o sacramento do matrimônio tenha vigor;

o marido e mulher deverão cultivar uma espiritualidade conjugal: ajuda mútua, auxiliar um ao outro a buscar a santidade de vida;

o marido e mulher haverão de defender atitude de respeito pelos mais frágeis: o feto, as crianças, os idosos.

o os líderes de uma família não pouparão esforços para viverem juntos grande intimidade com Deus e tentarão mostrar aos filhos pelo exemplo e testemunho a beleza do  Evangelho.


A Virgem do Ano Novo nos acompanhará

Solenidade da Santa  Mãe de Deus

Números 6,22-27; Gálatas 4, 4-7; Lucas 2, 16-21

Frei Almir Guimarães

tique-20Ano novo. Tudo começa de novo. Um sentimento de gratidão toma conta de todos. Um pedido, uma súplica, um desejo: graças para os dias do ano que se inicia.  Houve a noite da passagem de ano. Festa, fogos, música. Nas praças do mundo inteiro pessoas se confraternizam, se abraçam.  Dizem com os lábios e os corações: “Feliz Ano Novo”.

tique-20Pedimos a bênção ao Senhor. O Livro dos Números fala a respeito da maneira como deveriam ser abençoados os filhos de Israel:

O Senhor te abençoe e te guarde.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti.
O Senhor volte para ti o seu rosto e te de a paz!

No Natal do Menino das Palhas  Deus realizou as esperanças desta bênção.  O Menino de Belém brilha e ilumina, tem compaixão de nós e nos traz o presente da paz.  Natal é festa da luz e da paz.  Que esta  bênção possa penetrar o coração de todos ao longo do ano novo.

tique-20O trecho do evangelho de Lucas proclamado neste primeiro de janeiro fala da chegada dos pastores ao presépio. No centro de tudo Maria, José e o Menino. Chegam contando que anjos dos céus os haviam envolvido de grande luminosidade e dizendo que um Menino havia nascido. José nada diz. É um contemplativo silencioso. Maria também nada fala. Escuta, presta atenção. Observa atentamente esses homens simples e pobres que chegam. Guarda estas coisas no fundo do coração. Este será sempre seu jeito de ser. Levar tudo para o interior, para o mistério de seu coração. Quieta, sem alarde, sem exterioridades. Maria, a Mãe do Menino, é  discreta. É habitante do silêncio.

tique-20A Maria, a Mãe de Deus, a Senhora do Ano Novo consagramos os dias do tempo que vamos viver. Fazemos nossas as palavras de São Proco de Constantinopla:

“Que a natureza salte e o gênero humano exulte, pois também as mulheres são honradas. Dance em coro a humanidade, enquanto as virgens recebem as honras. Onde avultou o pecado, a graça superabundou (Rm 5,20). Reuniu-nos a santa Mãe de Deus, a Virgem Maria, tesouro puríssimo de virgindade, paraíso espiritual do segundo Adão, oficina da união da naturezas, mercado em que foi negociada a nossa salvação, câmara nupcial na qual o Cristo desposou a carne. Ela é aquela  sarça espiritual que o fogo de Deus nascente não queimou; é a leve nuvem que carregou o que se senta sobre os querubins, quando este tomou um corpo; é o veio puríssimo  que recebeu  o orvalho celeste, aquela em que o Pastor se revestiu de ovelha. Maria, serva e Mãe virgem, céu, única ponte  entre  Deus e o homem, extraordinário tear da encarnação  onde Deus teceu a túnica da união das duas naturezas, da qual o Espírito Santo foi o tecelão” (Lecionário Monástico  I, p. 385).


Jesus de Maria, bênção do povo

Pe. Johan Konings

Que sentido tem para você a celebração do Ano Novo? Mais uma festinha? Ou até uma farra? Um costume social? Uma ocasião para demonstrar seu carinho para com os amigos, trocar votos de paz e felicidade, injetar um pouco de otimismo em si mesmo e nos outros?

Para os cristãos, o novo ano litúrgico já começou, há um mês, no 1º domingo do Advento. Celebrar o Ano Novo no 1º de janeiro não é próprio da Igreja; mas os cristãos participam desta celebração como cidadãos da sociedade civil. Participam da celebração do Ano Novo civil com uma festa de Maria, Mãe do Deus Salvador, Jesus Cristo. Querem felicitar de modo especial a Mãe da família dos cristãos – pois, ao visitarmos hoje a casa de nossos amigos, não cumprimentamos primeiro a dona da casa?

Por que a Igreja marca este dia com uma festa de Maria, Mãe de Deus? É um voto de paz e bênção para a sociedade, para o mundo! Pois o filho de Maria é uma bênção para toda a humanidade e o será também neste novo ano civil, que hoje inicia.

A 1ª leitura de hoje nos faz ouvir a bênção de Deus transmitida pelos sacerdotes do templo de Jerusalém. Maria nos transmite uma bênção maior, da parte de Deus: o seu filho, Jesus. Os nossos votos de paz e bênção, neste dia, devem ser a extensão desta bênção que é Jesus, e que Maria fez chegar até nós. Em Jesus é que desejamos paz e bênção aos nossos amigos.

Então, nossos votos serão profundamente cristãos, e não apenas fórmula social ou até desejo egoísta, mera bajulação de “amigos importantes”… Desejaremos aos nossos amigos aquilo que veio até nós em Cristo: o amor de Deus na doação da vida para os irmãos. Esta é a verdadeira paz, que convém desejar neste Dia Mundial da Paz. Somente onde reinam os sentimentos de Jesus – o esquecimento de si para o bem dos irmãos, como pessoas e como sociedade – pode existir a paz que vem de Deus. É este o espírito de Jesus, no qual chamamos a Deus de Pai e aos outros, de irmãos.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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