Destaque, Notícias › 08/06/2020

Frei César pede mais ‘atitudes de amor e desejo de salvar’ na Trezena do Pari

São Paulo – O Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição, Frei César Külkamp, foi o pregador no 8º dia da Trezena de Santo Antônio, que está sendo celebrada na Paróquia Santo Antônio do Pari, tradicional bairro de São Paulo. O tema escolhido para a Trezena deste ano – “Santo Antônio nos convida ao Cuidado!” – está dentro do contexto da Campanha da Fraternidade 2020 e, nesta solenidade da Santíssima Trindade (domingo, 7 de junho), Frei César falou sobre o “cuidado da Fé”.  Na Celebração Eucarística, às 11 horas, ele teve como concelebrantes o pároco Frei Wilson Batista Simão e Frei Nilo Agostini.

As festas de Santo Antônio costumam lotar a bela e centenária igreja do Pari, mas neste ano, devido à pandemia, todas as celebrações estão sendo virtuais para evitar aglomeração de público e a disseminação do coronavírus. Para a Igreja e para os franciscanos, a vida é mais importante. E vida com amor: “Jesus Cristo nos mostra que a essência de Deus é o amor. Um amor tão generoso que transborda de si criando todas as coisas que existem. Mas, também é um amor feito comunhão de pessoas em Deus. ‘Eu e o Pai somos um’”, lembra Frei César, referindo-se ao mistério da fé trinitária.

Para o Ministro Provincial, Deus amou tanto o mundo, que deu a ele o seu Filho. E fez isto porque o seu desejo não é o de condenar, mas sim salvar. “Se Deus se revela como aquele que ama e quer salvar, não compete a nós ter qualquer outra atitude senão a de amar e resgatar os nossos irmãos e irmãs. Somente assim, seremos plenamente participantes deste grande mistério do Deus Trindade. Ele é único mas é plural, são três pessoas. Assim também nossas comunidades não são formadas por pessoas iguais. Precisamos aprender a amar e cuidar do que é diferente de nós. Isto é comunhão. O contrário é uniformidade”, explicou.

Segundo o celebrante, vivemos num tempo que precisa tanto desta atitude de amor e do desejo de salvar! “Graças a Deus, vemos atitudes bonitas de tantos cristãos, neste tempo de pandemia, na solidariedade, principalmente com os que mais precisam, os doentes, os idosos, os grupos de riscos e os pobres”, ressaltou.

“Mas, infelizmente não encontramos esta empatia em muitos dos nossos governantes, em muitos empresários e poderosos. Ao contrário, nos deparamos estarrecidos com discursos de ódio, de descaso e muita agressividade. Esta é uma doença grave que fere a vida, muito mais do que o vírus. E é também contagiosa, pois se espalha pela população e é capaz de até ser feita em nome da religião”, lamentou Frei César.

Ele também se referiu à série de protestos nos Estados Unidos por conta da violência e da truculência por motivos raciais, por discriminação. “Mas, isto acontece também aqui, bem perto de nós. Até mesmo por aqueles que deveriam cuidar dos direitos e da igualdade das raças”, denunciou.

Para Frei César, todas estas atitudes ferem a comunhão e não podem partir do amor misericordioso do nosso Deus. “E é por isso, que ele vem ao nosso encontro cheio deste amor que salva. Vem em nosso socorro, mas também vem para fazer de cada um de nós instrumentos de amor e de salvação. Instrumentos da comunhão”, observou.

O testemunho de fé dos mártires franciscanos do Marrocos também levou o jovem Fernando a ingressar na Ordem Franciscana e este ano marca a celebração dos 800 anos da vocação franciscana de Santo Antônio. “O jovem Antônio, viu nestes mártires justamente este testemunho de fé. Seu coração foi tomado pelo mesmo ardor e quis também se fazer instrumento deste amor salvífico do Deus Uno e Trino. Parte para o martírio, mas não o alcança de fato. Lança-se, então, a cumprir a vontade de Deus. Torna-se um modelo de fé que impressionou a todos, não só pelo grande conhecimento da Escritura e da Teologia, mas por seu desejo de salvação”, assinalou o pregador.

Segundo Frei César, Antônio foi um gigante da fé. “Uma fé orante, consciente e comprometida. Por sua fidelidade a este Deus que se revela e quer chegar a todo coração humano, ele consagra a própria vida, a sua saúde e vive pouco, mas com profunda intensidade. O Pai, o Filho e o Espírito desceram muito concretamente nele e ali fizeram sua morada. Converteram Antônio num autêntico representante da sua Unidade Divina. Fizeram dele um precioso caminho de cuidado e de salvação”, destacou.

No final, o pároco Frei Wilson agradeceu a Frei César pela celebração e lembrou que na próxima quinta-feira, que não é mais feriado em São Paulo, a celebração de Corpus Christi será pelo Facebook da Paróquia às 19 horas. Já no dia de Santo Antônio, no próximo sábado, a igreja do Pari estará aberta das 6 ás 18 horas para visitas. Mas as celebrações continuarão on line. Serão duas durante o dia:  às 10 horas e às 19 horas, sendo a última presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal da Região Se.


CONFIRA NA ÍNTEGRA A HOMILIA DO MINISTRO PROVINCIAL

Santo Antônio – 8o dia da Trezena 2020

“Santo Antônio e o Cuidado com a Fé”

Solenidade da Santíssima Trindade

Estamos no 8o dia da Trezena em preparação à festa do glorioso Santo Antônio, o santo do mundo inteiro.

E neste dia celebramos com toda a Igreja a solenidade da Santíssima Trindade.

Em geral, as solenidades do Ano Litúrgico celebram um acontecimento da história da salvação. Mas, hoje celebramos um mistério, mistério cristão por excelência, pois nos foi revelado pelo próprio Cristo: nosso Deus tem sua unidade na distinção ou pluralidade – é um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Jesus Cristo nos mostra que a essência de Deus é o amor. Um amor tão generoso que transborda de si criando todas as coisas que existem. Mas, também é um amor feito comunhão de pessoas em Deus. “Eu e o Pai somos um”.

Este mistério nem sempre conseguimos compreender, por sua profundidade, mas continuamente o invocamos, traçando sobre nós, na liturgia por muitas vezes, mas também nas mais diversas situações da vida: quando queremos rezar, quando sentimos medo, quando entramos ou saímos de um lugar sagrado, quando iniciamos e terminamos uma viagem, quando conseguimos realizar algo importante, por vezes quando saímos e retornamos salvos à nossa casa. Nos entregamos, assim, a este Deus-família. Buscamos esta marca de uma fé trinitária.

A passagem do Evangelho hoje é pequena, mas muito importante porque nos leva a rever que imagem nós temos de Deus.

Podemos ainda nos perder numa imagem de um Deus que castiga, condena e que mede nossos atos. Mas, Jesus nos revela que Deus amou tanto o mundo, que deu a ele o seu Filho. E fez isto porque o seu desejo não é o de condenar, mas sim salvar. Deus é amor e salvação.

E é nesta dinâmica que Ele se apresenta trinitário:

– o Pai é aquele que toma a iniciativa de salvar o ser humano, reservando para ele a felicidade eterna na sua Família Trinitária;

– o Filho é quem cumpre esta obra de salvação, com a sua encarnação, vindo morar entre nós e sendo fiel até a morte;

– o Espírito é o amor que une o Pai e o Filho e que foi derramado em nossos corações, especialmente em nosso batismo.

Ou seja, nós somos acolhidos nesta família da Trindade. E é por isso que o Cristo nos revela a face do Deus Trino. E isto não é pra ser uma teoria difícil que ninguém entende, mas é para que saibamos que Deus vem ao nosso encontro como numa cascata de amor, mistura-se conosco e nos prepara para a comunhão eterna com Ele. E não apenas eu, mas também o meu irmão, a minha irmã.

E é por isso que São Paulo, na 2a leitura, convida-nos a nos saudarmos uns aos outros neste sinal de unidade, de membros da mesma comunidade, todos pertencentes à Família de Deus.

Por isso, entendemos que ser filhos e participantes desta Família de Deus, significa também amar, acolher cada irmão e cada irmã.

Se Deus se revela como aquele que ama e quer salvar, não compete a nós ter qualquer outra atitude senão a de amar e resgatar os nossos irmãos e irmãs. Somente assim, seremos plenamente participantes deste grande mistério do Deus Trindade.

Ele é único mas é plural, são três pessoas. Assim também nossas comunidades não são formadas por pessoas iguais. Precisamos aprender a amar e cuidar do que é diferente de nós. Isto é comunhão. O contrário é uniformidade.

Vivemos num tempo que precisa tanto desta atitude de amor e do desejo de salvar!

Graças a Deus, vemos atitudes bonitas de tantos cristãos, neste tempo de pandemia, na solidariedade, principalmente com os que mais precisam, os doentes, os idosos, os grupos de riscos e os pobres.

Mas, infelizmente, não encontramos esta empatia em muitos dos nossos governantes, em muitos empresários e poderosos. Ao contrário, nos deparamos estarrecidos com discursos de ódio, de descaso e muita agressividade. Esta é uma doença grave que fere a vida, muito mais do que o vírus. E é também contagiosa, pois se espalha pela população e é capaz de até ser feita em nome da religião.

Também acompanhamos a série de protestos pelas cidades dos Estados Unidos por conta da violência e da truculência por motivos raciais, por discriminação. Mas, isto acontece também aqui, bem perto de nós. Até mesmo por aqueles que deveriam cuidar dos direitos e da igualdade das raças.

Todas estas atitudes ferem a comunhão e não podem partir do amor misericordioso do nosso Deus. E é por isso, que ele vem ao nosso encontro cheio deste amor que salva. Vem em nosso socorro, mas também vem para fazer de cada um de nós instrumentos de amor e de salvação. Instrumentos da comunhão.

E é aqui que encontramos o gancho que nos liga ao nosso querido Santo Antônio.

Estamos celebrando estes dias de Trezena na sequência do tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Santo Antônio nos convida ao Cuidado!”

E, hoje, dentro desta solenidade, o tema é “o cuidado da Fé”.

Este ano de 2020 marca a celebração dos 800 anos da vocação franciscana de Santo Antônio. Quando ele se encontra com os frades que se tornaram os primeiros mártires da Ordem Franciscana, em Marrocos. Antes de irem ao Marrocos, eles passaram por Portugal e conversaram longamente com o jovem, que ainda se chamava Fernando. Depois de sofrerem o martírio, seus corpos voltam a Portugal. Diante deste testemunho de fé, também ele, que já se alimentava da Palavra de Deus, pede para se tornar franciscano e partir em missão. Recebeu o hábito e o nome de Antônio, mas o destaque é a transformação que acontece nele pela vida de fé.

Fé, no sentido bíblico, é um dom de Deus em vista da salvação: a própria salvação e a salvação dos outros.

O jovem Antônio, viu nestes mártires justamente este testemunho de fé. Seu coração foi tomado pelo mesmo ardor e quis também se fazer instrumento deste amor salvífico do Deus Uno e Trino.

Parte para o martírio, mas não o alcança de fato. Lança-se então a cumprir a vontade de Deus. Torna-se um modelo de fé que impressionou a todos, não só pelo grande conhecimento da Escritura e da Teologia, mas por seu desejo de salvação. Restaura a paz onde havia conflito, prega a verdadeira doutrina e enfrenta seus erros, vai ao encontro dos pecadores, aponta para a verdade dos sacramentos, mas também da justiça, mesmo a grandes tiranos. É o defensor dos fracos, auxílio dos doentes e desesperados. Volta-se cheio de ternura e afeto aos pobres e famintos, garantindo-lhes o pão que surge da partilha. E até hoje, diante dele, os devotos chegam com o coração despedaçado. Olhando para a sua imagem, rezam e choram lágrimas que pedem a paz no coração, na consciência, nas relações, diante das ansiedades, da intolerância e da agressividade da vida.

Antônio foi um gigante da fé. Uma fé orante, consciente e comprometida. Por sua fidelidade a este Deus que se revela e quer chegar a todo coração humano, ele consagra a própria vida, a sua saúde e vive pouco, mas com profunda intensidade.

O Pai, o Filho e o Espírito desceram muito concretamente nele e ali fizeram sua morada. Converteram Antônio num autêntico representante da sua Unidade Divina. Fizeram dele um precioso caminho de cuidado e de salvação.

Hoje também nós, ao celebramos a comunhão de Deus e a d’Ele conosco na Santíssima Trindade e, ao celebramos a fé em Santo Antônio, somos provocados em nossa própria fé. Devemos também nós abrirmos nossa vida e a nossa sensibilidade para que esse Deus que ama e quer habitar o nosso coração, como habitou o coração de Antônio, e nos transforme em instrumentos portadores de sua graça e do seu amor, mesmo num mundo violento e agressivo.

Desta forma, conheceremos o rosto de Deus revelado em Jesus Cristo.

E o Papa Francisco já nos disse que este rosto de Deus é a misericórdia.

E num certo domingo de Pentecostes, Santo Antônio pregou assim:

“A misericórdia de Deus tem três faces.
Também a nossa misericórdia para com o próximo deve ser tripla.
A misericórdia do Pai é agradável, espaçosa e preciosa.
Agradável porque limpa os vícios…
Espaçosa, porque se dilata pelo tempo afora em boas obras…
Preciosa, nas delícias da vida eterna…

E continua a pregar Santo Antônio, agora dirigindo-se a cada um de nós:

Também a tua misericórdia com o próximo deve ser tripla:
se ele pecou contra ti, perdoa-lhe;
Se saiu do caminho da verdade, ajude-o a voltar;
Se tem fome, dá-lhe de comer.”

Que estas indicações trinitárias de Santo Antônio, repletas de uma fé comprometida, ajudem a cada um de nós a buscarmos o amor e a salvação de Deus que é Uno e Trino!

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