Destaque, Reflexão Dominical › 16/07/2016

Marta e Maria moram no coração humano

(Frei Gustavo Medella)

Marta e Maria moram juntas. São irmãs. Marta e Maria têm um grande amigo, que por ambas nutre grande apreço e inclusive gosta muito de estar na casa delas. Marta e Maria se relacionam bem, mas, como todos os irmãos, têm suas pequenas discordâncias. Maria é mais dada a conversas, gosta muito de ouvir e é capaz de ficar horas a fio escutando quando o colóquio lhe parece interessante. Marta, porém, tem um jeito um pouco mais agitado. Preocupa-se muito com organização e se identifica mais com trabalhos práticos, sendo para ela um tanto quanto difícil permanecer muito tempo sem fazer algo que a movimente. No entanto, às vezes também se cansa…

Marta e Maria se amam e amam também Aquele que as visita. Demonstram o mesmo amor, mas de forma distinta, de acordo com o gosto e a personalidade que possuem: uma ouvindo e a outra, servindo. O Visitante se sente bem entre elas, porque é acolhido, valorizado e servido. O único desencontro ocorre quando Marta, talvez tomada por certo cansaço, sente vontade de também estar junto ao Visitante para ouvi-lo, para usufruir de sua companhia. Até aí, nada de mal… Seu tropeço, talvez, tenha sido o de colocar o foco na irmã e não na Visita, partindo para uma atitude crítica e um pouco azeda. Por outro lado, foi transparente ao expor diante do Mestre o que sentia. Apenas um pequeno desajuste, como tantos que acontecem tantas vezes em tantas famílias. Perfeitamente superável, tanto que, certamente, o colóquio tenha continuado, seguido, provavelmente, por um gostoso almoço preparado por Marta. Maria, talvez, tenha lavado a louça e arrumado a cozinha.

Marta e Maria moram juntas, moram dentro de cada coração humano, onde Jesus também gosta de estar. Marta e Maria podem ser emoção e razão, oração e ação, colocadas a serviço do Mestre na vida daqueles que o amam. O contato íntimo e espiritual com o Verbo fornece força e iniciativa para que o ser humano possa servi-lo na figura daqueles que o encarnam como o Cristo Sofredor, especialmente os pobres e excluídos. Nesta lida, que também cansa e às vezes desanima, o reabastecimento se faz na intimidade com o Senhor, voltando-se novamente aos pés do Mestre, colocando-O a par de toda angústia e cansaço e d’Ele extraindo a força necessária para seguir em frente.

(Fonte: Franciscanos)

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