Informes Paroquiais, Notícias › 08/12/2013

Mensagem aos jovens

 

tempo_adventoQueridos jovens,

estamos ao final da primeira semana do tempo do Advento: tempo de espera para aquele que chega, aquele que vem ao nosso encontro no Natal, vem ao nosso encontro sempre. Para Deus, sempre é Natal, sempre é momento para nos encontrar. Aquele que por nós sempre espera, é por nós agora esperado. “Anuncio-vos uma grande alegria: nasceu para vós o Salvador, que é Cristo Senhor”. Sim. Que grande alegria. Alegria verdadeira. Alegria que enche nosso coração de paz. Alegria de uma presença humilde, discreta, nada barulhenta, que acalma nosso coração cansado de tantas incertezas, de tantas buscas incertas. Santo Agostinho diz: “Inquieto está sempre o nosso coração, enquanto não repousa em Ti, Senhor”. Que neste Natal experimentemos esta alegria verdadeira na criança, no menino Deus que nasce entre nós. Como seria bom isto! Como seria bom!

O Senhor sempre nos espera. No Advento, nós o esperamos. Não qualquer espera: uma espera vigilante, atenta, pra valer, com todo nosso empenho, acreditando. São atitudes importantes. Atitudes a serem trabalhadas, cultivadas em nós. Não nos outros. Primeiro, em nós, em cada um de nós. Sem estas atitudes, o Senhor virá ao nosso encontro de qualquer maneira. Mas sem elas, como nós iremos ao encontro Dele? Se não estivermos atentos, o Senhor nasce e nós permanecemos mortos; o Senhor vem ao nosso encontro e não percebemos; a Luz brilha, mas permanecemos nas escuridão. O Advento e o Natal precisam acontecer na nossa vida, nas nossas atitudes.

Apresento apenas uma pequena sugestão. Pensei nela com o evangelho da missa de quarta-feira passada, dia 04/12. O Evangelho começava com a seguinte frase: “Naquele tempo, Jesus foi para a margem do Mar da Galiléia, subiu a montanha e sentou-se”. Nestes três movimentos de Jesus gostaria de propor a cada um de nós uma verdadeira preparação para o Natal.

1. Jesus foi para a margem: como é importante esta ida. Não se trata apenas de um movimento geográfico, de um lugar para outro. Trata-se, mais ainda, de um movimento existencial, uma mudança de vida. É preciso ir para a margem, sair do centro, do foco das atenções, do lugar de destaque para abraçar a periferia da vida, a margem, onde muitas vezes, fora dos nossos olhares, longe dos holofotes, longe dos aplausos, a vida espera por nós. Trata-se de abraçar e encontrar a nossa vida nos seus aspectos obscuros, lá onde ainda está o pecado, o mal em nós, esquecido num canto de nossas vidas. Jesus vai para a margem! Ele sai do centro para encontrar as pessoas que estão à beira do caminho, para nos encontrar. No Natal vemos isso: Jesus não nasce no centro, na cidade em destaque, que era Jerusalém. Nasce numa aldeia esquecida daquela época, Belém; nasce na periferia, fora das atenções e dos aplausos; nasce até mesmo fora das casas. Enquanto permanecermos no centro; enquanto buscarmos aparecer e estar em destaque, não perceberemos que o Senhor nasce ao lado. Enquanto estivermos cheios de nós, a casa de nossa vida cheia de tantas outras realidades, o menino-Deus continuará sem lugar para nascer. Jamais para nós será Natal. Mas, repito: para Jesus sempre é Natal. Mesmo que não consigamos, nada de desespero, nada de perder a esperança: a criança nascerá, não duvidem disso. Se o Senhor dependesse de nossos bons comportamentos para nascer correríamos perigo. Porque quantos pecados cometemos! Não! Jesus nasce sempre, mesmo quando estamos em pecado. Ele vem ao nosso encontro sempre, mesmo quando estamos envolvidos na lama. Justamente por isso, nós deveríamos ser gratos e oferecer a ele o melhor de nós. Saiamos do centro, saiamos de nós, partamos para a margem, e acolhamos o Senhor lá, onde Ele espera por nós.

2. Jesus subiu a montanha: subamos sempre! Nada de desânimo! Para o alto, cabeça erguida, coragem! Subamos. A saída de nós para irmos à margem da vida pode causar insegurança, incertezas, sofrimentos, dor, tristeza. Lembro do leproso na vida de São Francisco. Ele próprio diz: “Eu queria afastar-me deles, dos leprosos, que estavam à margem. Mas depois que o Senhor me conduziu para o meio deles, o que antes me parecia amargo, converteu-se em doçura da alma e do corpo. E eu queria estar sempre com eles”. Para transformar o amargo em doce, para não desanimar, é preciso deixar-se conduzir pelo Senhor, é preciso subir a montanha. Como Jesus, como São Francisco. O monte, a montanha, todo lugar elevado na Bíblia é sempre lugar para o encontro com Deus. “Subir a montanha” significa: encontrar-se, ir ao encontro de Deus. É o que Jesus faz. Sem esta subida, corremos o perigo de nos afundarmos na vida, de perdermos a coragem para acolher os leprosos de hoje. Sem o encontro com Deus, sem subir, entregamo-nos às reclamações, ao pessimismo, aos problemas, e ficamos com cara de vinagre. Cristãos com rosto de vinagre? O Natal é a festa que pede de nós um outro rosto! Para o alto sempre! Corações ao alto! Ânimo. Subamos a montanha com Jesus!

3. Jesus sentou-se: sentar é a postura de quem procura acolher. É a atitude de quem está assentado, confiante, sereno na vida. Não está agitado, disperso, correndo de um lado para o outro. Está concentrado, sentado, pronto para acolher, para receber, para se encontrar. Quantas agitações nossas impedem um verdadeiro encontro e acolhimento dos irmãos; impedem nosso encontro com Deus, com a criança que nasce no Natal. Dizer que “Jesus sentou-se” remete para a atitude de quem é todo atenção. Jesus está atento para acolher a vida das pessoas. Por isso que, logo em seguida, continuando a leitura do Evangelho, levam até Jesus os doentes, cegos, paralíticos, surdos, mudos, e Ele cura a todos. A ação bondosa de Deus surge após estes três movimentos: ir para a margem, subir a montanha e sentar-se.

Queridos jovens, neste Natal queremos experimentar a bondade de Deus em nossas vidas. Nós cegos, queremos ver a presença de Deus; nós mudos, queremos falar palavras boas; nós surdos, queremos ouvir Deus e o clamor de tantos que sofrem; nós paralíticos, queremos andar em missão, sair, sair de nós para encontrarmos os leprosos de hoje. Para isso: vamos para a margem, subamos a montanha e sentemos.

Boa caminhada de Advento e Feliz Natal a todos!

Fr. Adriano Freixo Pinto, OFM – Pároco

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