Destaque, Notícias › 13/07/2018

15º domingo do Tempo Comum

O jeito cristão de acolher – Frei Gustavo Medella

Certa vez eu, petropolitano, ouvi uma crítica de uma capixaba que morava na Cidade Imperial: “Vocês, aqui de Petrópolis, são estranhos… Dizem: ‘passe lá em casa’, mas não dão o endereço; ou, então: ‘me ligue’, mas não passam o número do telefone”. Fiquei pensando sobre aquela consideração e se, de fato, procedia ou não. Certo é que a moça, em suas experiências, tinha sentido no povo de Petrópolis esta distância considerável entre o que afirmavam pelas palavras e realizavam com os gestos.

No Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum, Jesus faz o envio missionário de seus discípulos, de dois em dois, recomendando-lhes o despojamento e a confiança na Providência. Jesus conta com a hospitalidade das pessoas e admite que podem também ocorrer experiências negativas, mas estas não deveriam ser a regra: “Se em algum lugar não vos receberem…” Neste caso, não era para criar escândalo, mas apenas seguir em frente.

O que Jesus não chegou a prever era a atitude “petropolitana” (brincadeira) de apresentar uma atitude de acolhida que, na realidade encobria um desejo de não receber o Senhor e seus mensageiros. Creio estar aí nesta contradição uma pergunta oportuna para medirmos a qualidade de nossa adesão a Cristo. Será que, às vezes, mesmo cantando: “Entra na minha casa, entra na minha vida”, não posso estar com as portas do coração fechadas para que o Senhor tenha acesso? Minha atitude de acolhida em relação aos que vêm a meu encontro têm sido sincera e disponível? Como as pessoas se sentem perto de mim? São algumas questões que podem nos ajudar a crescer em nosso testemunho de batizados e batizadas.

Quanto ao espírito de acolhida dos petropolitanos, posso garantir que, quem sobe a serra, vai se sentir bem entre o povo de Petrópolis. Além de ser turística, a cidade tem como vocação acolher pessoas de todos os cantos do Brasil que vêm para passear e comprar as famosas roupas de malha da Rua Teresa. Se você ainda não veio, pode vir que vai gostar. Se for no inverno, traga roupa de frio.


Leituras deste 15º Domingo do TC

Primeira Leitura (Am 7,12-15)

Leitura da Profecia de Amós:
Naqueles dias, disse Amasias, sacerdote de Betel, a Amós: “Vidente, sai e procura refúgio em Judá, onde possas ganhar teu pão e exercer a profecia; mas em Betel não deverás insistir em profetizar, porque aí fica o santuário do rei e a corte do reino”.
Respondeu Amós a Amasias, dizendo: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo’”.

Responsório (Sl 84)

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!

— Quero ouvir o que o Senhor irá falar:/ é a paz que ele vai anunciar./ Está perto a salvação dos que o temem,/ e a glória habitará em nossa terra.
— A verdade e o amor se encontrarão,/ a justiça e a paz se abraçarão;/ da terra brotará a fidelidade,/ e a justiça olhará dos altos céus.
— O Senhor nos dará tudo o que é bom,/ e a nossa terra nos dará suas colheitas;/ a justiça andará na sua frente/ e a salvação há de seguir os passos seus.

Segunda Leitura (Ef 1,3-10)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, para o louvor da sua glória e da graça com que nos cumulou no seu Bem-amado.

Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular, em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.

A missão dos discípulos
Evangelho: Mc 6,7-13

-* Jesus começou a percorrer as redondezas, ensinando nos povoados. Chamou os doze discípulos, começou a enviá-los dois a dois e dava-lhes poder sobre os espíritos maus. Jesus recomendou que não levassem nada pelo caminho, além de um bastão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura.  Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.  E Jesus disse ainda: «Quando vocês entrarem numa casa, fiquem aí até partirem.  Se vocês forem mal recebidos num lugar e o povo não escutar vocês, quando saírem sacudam a poeira dos pés como protesto contra eles.»  Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem.  Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo.

Os discípulos são enviados para continuar a missão de Jesus: pedir mudança radical da orientação de vida (conversão), desalienar as pessoas (libertar dos demônios), restaurar a vida humana (curas). Os discípulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes de que a missão vai provocar choque com os que não querem transformações.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


Todos nós somos Igreja – Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo que é digno desse nome”.

Primeira leitura: Am 7,12-15
Vai profetizar para meu povo.

Hoje ouvimos um relato biográfico da vocação do profeta Amós. Amós era um pastor de Técua, uma localidade no reino de Judá, 20km ao sul de Jerusalém. Como pastor, Amós circulava pelo reino de Judá e também no reino de Israel em busca de pastagens. Frequentava o templo de Jerusalém e o santuário de Betel, próximo à fronteira de Judá, onde podia participar do culto vender suas ovelhas. Nas suas andanças Amós percebeu a gravidade da violação dos direitos humanos básicos, praticada pelos que detinham o poder político e religioso. Sentiu que Deus o chamava para ser seu profeta (3,8): “Um leão rugiu, quem não temerá? O Senhor Deus falou, quem não profetizará?” As práticas cultuais – dizia – eram uma mentira (4,4-5; 5,4-6.21s). Deus não se agradava das festas religiosas, dos sacrifícios, da música e dos cantos sem a prática da justiça. Antes preferia ver “o direito correndo como água e a justiça como rio caudaloso” (5,21-25). Preocupado com as críticas de Amós, o sacerdote Amasias de Betel denunciou-o junto ao rei como conspirador: “O país já não pode suportar todas as suas palavras”. Pior ainda, Amós anunciava que o rei morreria na guerra e o povo de Israel seria deportado “para longe de sua terra” (7,10-11). Por outro lado, para evitar que o rei mandasse matar Amós, expulsou-o do santuário de Betel. Amasias proibiu Amós de falar em Betel porque era o santuário do rei e não devia usar este púlpito para fazer ameaças contra o reino de Israel, ganhando ali o seu pão. Não devia se intrometer na política do Estado. Amós lhe responde que não falava ali para ganhar seu sustento. Para isso tinha duas profissões, era pastor e agricultor. Foi Deus que o tirou do cuidado das ovelhas para falar em seu nome ao povo de Israel. Amós, como profeta, era o porta-voz de Deus para o povo. Era também a voz do povo injustiçado junto às autoridades. Era ainda o porta-voz do povo junto a Deus: era solidário com o povo sofredor e por ele suplicava (7,1-6).

Salmo responsorial: Sl 84

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
e a vossa salvação nos concedei!

Segunda leitura: Ef 1,3-14
Em Cristo, ele nos escolheu antes da fundação do mundo.

O início da Carta aos Efésios começa com um hino de louvor, que resume a história de nossa salvação. É uma “bênção” dirigida a Deus (“Bendito seja Deus…”) e uma bênção recebida “do seu Espírito, em virtude de nossa união com Cristo”. Trata-se de uma meditação com o tema “Deus em Cristo e nós em Deus”. Os motivos desta “bendição” são nossa eleição e predestinação em Cristo, a redenção pelo sangue de Jesus, a adoção como filhos de Deus em Cristo, o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo.

Aclamação ao Evangelho: Ef 1,17-18

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o Espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou como herança.

Evangelho: Mc 6,7-13

Começou a enviá-los.

Em Marcos, Jesus, depois de expulso da sinagoga (evangelho do domingo passado), nunca mais voltou a pregar em sinagogas. Jesus ganha agora o espaço público, as ruelas e praças das aldeias. Jesus já havia escolhido os Doze “para ficarem em sua companhia e para enviá-los a pregar” (Mc 3,14). Mas, na realidade, não os enviou logo em missão. Eram ainda aprendizes. Faltava-lhes qualificação para pregarem ao povo. Agora que Jesus não entra mais numa sinagoga para pregar e os discípulos estão mais bem preparados, “começa a enviá-los dois a dois”. Recebem a missão de pregar a todos a conversão, preparando-os para boa-nova do Reino de Deus. A pregação é confirmada com o poder de expulsar demônios e curar os “doentes, ungindo-os com óleo”. Devem fazer o que Jesus fazia. Mas Jesus os previne sobre as dificuldades da missão: Deviam levar apenas um cajado de peregrino e sandálias nos pés, para enfrentar as longas caminhadas. Se Jesus não foi bem recebido em Nazaré, o mesmo poderia acontecer com eles. – O Papa Francisco nos pede que sejamos uma Igreja em saída; que saiamos do aconchego de nossas comunidades para estarmos mais junto do povo sofredor; para curarmos suas feridas, as do corpo e as da alma. O Ano do Laicato nos lembra que todos nós somos Igreja e não apenas o clero e os religiosos.

Confira a reflexão da Web Tv Franciscanos:

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