Notícias › 13/06/2012

Os fiéis devotos vêm de longe

Moacir Beggo

São Paulo (SP) – Já vai longe o tempo em que o Pari era um bairro residencial que as pessoas usavam paris (uma cerca de taquara ou cipó) para pescar peixes nos rios Tietê e Tamanduateí, hoje totalmente poluídos. Era um bairro povoado principalmente pelos portugueses, que trouxeram a devoção a Santo Antônio e levantaram o estádio da Lusa. Hoje, o bairro deixou de ser residencial e a cada ano ganha novas lojas comerciais.

Aida Rodrigues Carro

A Paróquia do Pari também sente essa mudança. Mas, vem ano vai ano, a Festa de Santo Antônio não muda, tudo porque os fiéis devotos do Santo franciscano vêm dos mais distantes bairros da Grande São Paulo e de municípios vizinhos. A Igreja do Pari é o local de suas preces, pedidos e graças.

Dona Aida Rodrigues Carro (carro como o automóvel) veio do município vizinho de Santa Isabel. Não veio sozinha. “Somos um grupo da Terceira Idade e viemos de ônibus. Passeamos, participamos da Missa, comemos bolo, pegamos pãozinho e depois vamos embora”, explica a devota de Santo Antônio, que nem se importou de sair da fria Santa Isabel bem cedo. “Chuva não impede a gente de sair”, avisa, lembrando que fazem o mesmo quando se trata de outras festas, como Aparecida. “Já fomos até o Santuário do Pai Eterno em Goiás”, conta.

Dona Aida é viúva e tem dois filhos.”Todos muito religiosos. Fiz questão de educá-los na fé. Infelizmente isso não acontece hoje. Não há mais respeito e o casamento não tem mais valor”, lamenta, citando o caso do assassinato do diretor da Yoki recentemente. “Não podemos perder os valores e o temor a Deus”, ensina. Ela tem esperança que a Jornada Mundial da Juventude, no ano que vem, no Rio de Janeiro, ajude os jovens a voltarem para a Igreja.

José Avelino

Tradição também é o que faz com que José Avelino venha do Jardim Brasil para a Igreja do Pari. “Nasci no dia de Santo Antônio, mas venho aqui por causa de uma devoção que tinha minha mãe, uma portuguesa muito forte e religiosa, que vinha todo ano à festa desde que eu nasci”, diz José, lembrando que no seu bairro tem uma igreja dedicada a Santo Antônio.

O aniversariante lamenta a escolha do nome José feita por seus pais, que quiseram fazer uma homenagem a seu avô. “Eu queria me chamar Antônio, mas a tradição familiar falou mais alto”, explicou.

Maria de Fátima de Melo mora no bairro de Cumbica, próximo ao Aeroporto Internacional, na cidade de Guarulhos. Mas trabalha como representante de uma confeccção na capital e aproveitou uma sobra do tempo para fazer a sua devoção. “Acredito muito na intercessão dos santos. E Santo Antônio é um dos que eu procuro muito, além de Santa Rita, Santa Edwiges e Santo Expedito. Poderíamos ir diretamente a Jesus, mas temos eles, que foram santos na terra e hoje no céu são nossos intercessores, que olham para nossas aflições, desejos e necessidades”, disse.

Maria de Fátima de Melo

Passando por um momento difícil em sua vida, Maria de Fátima lamenta que nem sempre consegue o apoio de pessoas que estão próximas. “Por isso, procuro apoio no Alto. Nossa fé precisa se abastecer das dádivas de Deus. Não podemos buscar refúgio em fontes alienantes porque estamos passando por dificuldades. Se fizéssemos isso estaríamos sendo filhos desonestos”, acrescenta.

Maria de Fátima tem dois filhos e sua família é muito religiosa. “Venho todo ano aqui. No ano passado, a família veio em peso no domingo. Até minha mãe de 94 anos”, observa. Apenas seu filho, que é jogador profissional num time da Grécia, não acompanha a família. “Ele está lá há 7 anos. É o que ele escolheu para a vida dele e a gente respeita. Mas, olha, são sete anos de oração por ele”, confessa.

O pároco da Igreja Santo Antônio do Pari, Frei Gilmar José da Silva conta que muitas famílias têm hoje o Pari como referência, mesmo não morando no bairro. “As pessoas ainda cultivam um carinho muito grande pelo bairro”, diz ele.

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