Os santos, meus amigos

solenidade_santos_alto

Frei Gustavo Medella

Minha avó paterna tinha uma imagem de Santa Rita de Cássia que ficava em sua cômoda. Eu gostava de olhar para a santa e ficava intrigado com aquele machucadinho que ela trazia na testa. A cada 15 dias, chegava outra santinha, esta guardada numa caixinha de madeira. Era a capelinha de Nossa Senhora Aparecida que percorria as casas da vizinhança. Na casa da avó materna, uma Nossa Senhora da Conceição e um São Jorge de louça, com direito a lança e cavalo, sem dragão. Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Petrópolis, perto da porta de entrada, um Menino Jesus de Praga, atrás de um vidro, bem guardado em um bonito nicho. Na mesma igreja, colocada no chão, uma imensa imagem de São Charbel, feita de uma fibra que imitava o bronze.

Desde muito pequeno a figura dos santos esteve presente em minha vida. Esta presença, ainda que discreta e silenciosa, fez-se importante para a minha formação. O contato com aquelas imagens despertou-me para um afeto muito especial em relação àqueles e àquelas que escolheram radicalmente entregar a própria vida a Deus. Aprendi a ter carinho por eles mesmo conhecendo quase nada de suas histórias. Pareciam-me especiais. E verdadeiramente o são.

Mesmo muitas vezes distantes de nós no tempo e no espaço, são capazes de nos despertar grande estima e um raro sentimento de intimidade. Apesar de terem vivido no passado, fazem-se muito presentes em nossas vidas. Obtiveram este atributo de quebrar as quase intransponíveis barreiras do tempo e do espaço porque souberam mergulhar em Deus, Onipresente e Eterno. Fizeram isto vivendo plenamente a própria humanidade.

Não viveram um Cristianismo de fachada, ao modo de uma veste que se põe e se tira, de acordo com a conveniência ou a necessidade. Ao contrário, vestiram-se de Cristo e, por isso deles se diz: “Lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro” (Cf. Ap 7,14). E este sangue não veio para eles em caixinha, ao modo de um sabão concentrado. Eles foram buscá-lo na cruz, dispostos a sofrer as mesmas tribulações que Cristo sofreu por amor.

Souberam percorrer o caminho das Bem Aventuranças, caminho existencial que Jesus propõe àqueles que buscam se realizar no discipulado (Mt 5,1-12a). Deixam para nós um bonito horizonte de esperança por eles percorrido. São testemunhas fidedignas de que aderir a Cristo vale a pena. “Obrigado, Senhor, pelo exemplo que nos apresentais em vossos santos e santas!”

(Fonte: Franciscanos)

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com