Destaque, Notícias › 12/06/2012

Público se encanta com a apresentação da Osesp durante a Festa

Moacir Beggo

São Paulo (SP) – A primeira reação do público que compareceu nesta terça-feira (12/6), Dia dos Namorados, à Igreja Santo Antônio do Pari, foi a de parabenizar o pároco e guardião Frei Gilmar José da Silva pela iniciativa de abrir espaço na programação da Festa de Santo Antônio para a música erudita de primeiríssima qualidade com a apresentação do Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que teve como regente a simpática japonesa Naomi Munakata.

A apresentação começou às 12h30 e foi dividida em dois tempos: música sacra e música popular. No final, para surpresa de todos, a maestrina convidou o público para cantar junto com o Coro, formado por 20 homens e 16 mulheres, a conhecida “Volta por cima”, de Paulo Vanzolini. A escolha não poderia ser melhor para o encerramento do evento.

Para a regente nascida em Hiroshima, o repertório escolhido faz parte do Projeto Osesp Itinerante, que mistura música sacra e popular. “É uma forma de fazer com que o povo não habituado a frequentar a Sala São Paulo tenha oportunidade de conhecer o nosso repertório, que é bem variado”, explica Naomi, que regeu “Locus Iste”, de Anton Bruckner; “Ave Maris Stella”, de Edvard Grieg; “Ave Maria” e “Cor Dulce, Cor Amabile”, de Heitor Villa-Lobos; “Recordare Domine”, de Alberto Ginastera; “Joshua (negro spiritual em arranjo de Robert Sells), anônimo; “Três Canções sobre Sonetos de Pablo Neruda”, Sylvia Soublette; “Cateretê”, de Francisco Mignone; “Bumba Meu Boi”, de Carlos Alberto P. Fonseca; “Modinha” [arranjo Samuel Kerr], Tom Jobim / Vinícius de Moraes; “Rosa” [arr. Marcos Leite], Pixinguinha/ Otávio de Souza; e “Passarim”, Tom Jobim. O Dia dos Namorados não entrou na escolha do repertório, mas a regente lembrou que, com  “Rosa” (Pixinguinha), alguém se sentiu homenageado.

Segundo a regente, 70% das apresentações do Coro – no total são 30 na capital e interior – são feitas em igrejas. “Aliás, a igreja deveria ser um local de ser fazer música sempre. Infelizmente não se faz mais”, lamenta Naomi, reconhecendo que muitas vezes a acústica cause um pouco de reverberação: “Para quem canta é muito gostoso, talvez seja mais difícil para quem ouve, porque embola um pouco”, explica.

Para Naomi, talvez o público se encante tanto com a música e nem perceba isso. Já o público que frequenta a Sala São Paulo é diferente. “Quando fazemos um concerto na Sala São Paulo, o público é bem seleto e mais crítico”, reconhece, enfatizando que o Coro procura oferecer a melhor atuação possível a todo tipo de plateia.

A regente conta que não é católica e foi criada em família protestante. Para ela, a música é um contato direto com Deus. “Eu acredito em Deus. E mesmo que a música não seja sacra, ela faz com que a gente entre em outra dimensão”, afirmou Naomi, que está no Coro Sinfônico do Estado de São Paulo desde que foi criado em 94: “Eu assumi em 95 e fomos agregados à Osesp em 2001”, lembrou, reconhecendo que já perdeu a conta de quantas apresentações fez em 17 anos.

Para Maria das Graças Ribeiro, o horário do almoço foi a desculpa para assistir ao concerto. “Por mim, ficaria aqui o dia inteiro. Mas já estou atrasada para voltar ao trabalho”, disse a vendedora, que saiu correndo da igreja.

Se depender da gerente do Coro da Osesp, Claudia Regonatti dos Anjos, no ano que vem a apresentação estará garantida durante a Festa de Santo Antônio.

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