“Quem tem demais, tem medo”

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Frei Gustavo Medella

“Quem tem demais, tem medo”. O rico da parábola que Jesus conta no Evangelho deste 18º Domingo do Tempo Comum conversa consigo mesmo sobre a abundância dos próprios bens. Não tem com quem tratar sobre o assunto. Em seus planos não entram outros, afinal, poderiam cobiçar o muito que tem ou então recorrer a ele em caso de necessidade. Haveria ainda a chance de se tornar alvo de cobiça ou, quem sabe, vítima de algum crime: assalto ou sequestro. Outros ainda poderiam provocá-lo à generosidade, sugerindo a partilha de tanta riqueza.

Não reparte nem os bens e nem as informações. Assim é a riqueza quando toma conta do coração humano. Leva a pessoa ao fechamento em si, à vã ilusão de que aquele exagerado ajuntamento de coisas é garantia de uma vida de qualidade e cheia de sentido. Ele pensa não precisar de ninguém. Ao contrário! Quase sempre o outro para ele é uma ameaça.

Jesus tem plena razão ao afirmar que a vida do ser humano não consiste no ajuntamento de posses. Tudo fica para trás quando o possuidor parte ao encontro da finitude, marca própria da humanidade. Cheia de sabedoria a frase do Papa Francisco, quando diz: “Nunca vi cortejo fúnebre acompanhado de caminhão de mudança”. Também tem seu fundo de verdade o ditado popular: “Herança é aquilo que os mortos deixam para que os vivos se matem”. Quantos relacionamentos bonitos entre irmãos e demais parentes morrem junto com o falecido na hora da partilha dos bens. Triste, muito triste!

O apego à riqueza é fonte de muita desgraça: corrupção, tráfico de drogas, assassinatos, prisões, roubos, delações, amizades falsas e de fachada, miséria, exploração etc. Por este motivo, sonhando em ver seus filhos livres de tantos infortúnios, Deus os orienta ao desapego, desapegando-se Ele mesmo de sua divina condição para vir à humanidade encarnado num pobre filho de operário e de uma moça simples de uma vila desconhecida. Bendito desapego! Fonte de vida e salvação para tantos na história. Possibilidade real oferecida com insistência pelo Pai. Que o exemplo de Jesus seja fonte de força e coragem para toda a humanidade, a fim de que, liberta de qualquer tentação vã (o termo vaidade deriva de vanitas, que tem a mesma raiz da palavra “vazio”) para que seja preenchida pelo verdadeiro Amor que se faz partilha e doação.

(Fonte: Franciscanos)

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