Destaque, Notícias › 13/06/2017

Santo Antônio e a esperança que brota das águas

Moacir Beggo

 São Paulo (SP) – A chuva não arredou pé da capital paulista nesta terça-feira, 13 de junho, Dia de Santo Antônio. Mas ela não impediu que os fiéis devotos lotassem todas as dez Missas que foram celebradas na Igreja do Pari. A Missa solene começou às 19h30, e foi presidida por Frei Gustavo Medella, Definidor e coordenador da Frente da Comunicação da Província da Imaculada Conceição, e concelebrada pelo Vigário Provincial, Frei César Külkamp, pelo pároco Frei Germano Guesser, pelo Definidor  e coordenador da Frente de Solidariedade, Frei José Francisco dos Santos, e Frei Jeâ Andrade, mestre no Postulantado de Guaratinguetá, que chegou com um grupo de postulantes no último domingo para ajudar na festa.

Frei Gustavo partiu do Sermão aos Peixes, feito por Santo Antônio na cidade de Rímini, em 1223, para fazer a sua reflexão. Os hereges desta cidade não quiseram ouvir o frade e ele foi pregar para os peixes nas praias do Mar Adriático. Clamou que o ouvissem e celebrassem com louvores ao seu supremo Criador, já que os homens ingratos não queriam fazê-lo. Diante daquela voz imperiosa, apareceram logo os incontáveis habitantes das águas, e se distribuíram ordenadamente, cada qual com os de sua espécie e tamanho. Os peixes ergueram suas cabeças da água e ficaram longo tempo imóveis, a ouvi-lo. Diz a legenda, que  povo ficou tão assustado com aquilo, que uma grande multidão se reuniu para ouvir Santo Antônio. Se nós tivermos persistência, como teve Santo Antônio, Deus criará novos recursos para que o povo acolha a Palavra de Deus anunciada por nós.

“Meus irmãos e minhas irmãs, eu conto esta história neste dia de Santo Antônio para dizer que estes peixes podemos ser todos nós. Quando no vaivém da vida, das dores, das lutas, compromissos, as contas que chegam para pagar, nos desafios, de repente nós deixamos de contemplar o horizonte da esperança e nos tornamos pessoas tristes, cheias de queixas, amarguradas, desiludidas, e aí precisamos de alguém como Santo Antônio para, mais uma vez, vir em nosso encontro e dizer: ‘Deus é bom, a vida vale a pena, ainda há  esperança, Deus está contigo’. E hoje, neste 13 de junho, nós todos aqui viemos para ouvir de Santo Antônio aquilo que sabemos que é verdade, mas no decorrer da vida nos faz esquecer, que Deus nos ama, que quer nos ver unidos, que o mundo está aí para ser transformado pela força do Evangelho”, animou o frade.

Para ele, quando nós ouvimos estas verdades, a fé nos dá força para irmos em frente, para fazermos a diferença, para transformarmos o mundo para melhor. “E aí, até diante das situações que nos entristecem, não devemos perder o ânimo nem cultivar o desejo de vingança”, insistiu, contando que nesta semana, na igreja franciscana de Rodeio, algumas pessoas entraram e quebraram as imagens de Nossa Senhora. “Diante dessa intolerância que nós temos visto, infelizmente com tanta frequência, em vez de cultivarmos o desânimo, em vez de querermos vingança, ou desejarmos mal a esta pessoa, vamos mudar o nosso propósito e amarmos ainda mais, servir ainda mais e dar mais testemunho de que vale a pena ser filho amado de Deus e contar com a intercessão da mãezinha amada do céu”, enfatizou.

“Diante dessa lama de corrupção que parece quase nos afogar, diante da qual parece que não vemos saída, diante de tanta desonestidade, o Evangelho nos apenas convoca, aí sim, a ser honestos até o último centavo, a trabalharmos com toda a correção. Quando nós vemos esse surto de egoísmo, cada um querendo só para si, aí sim, devemos partilhar, colocar o que temos à disposição. Tudo isso Santo Antônio nos anima”, ensinou.

Frei Gustavo concluiu sua reflexão dizendo. “Em 1223, ao chamar os peixes para a superfície, Santo Antônio tira das águas a esperança, a força. Uma nova possibilidade, em 1717, aqui em São Paulo, ali no Vale do Paraíba, um grupo de pescadores joga as redes e traz das águas daquele rio a Mãe de Deus, Nossa Senhora Aparecida. E mais uma vez, a Mãe diz: “Eu caminho com vocês!”, “eu quero bem a vocês”, “eu sou Aquela que intercede pelo povo brasileiro”. Temos Antônio, temos Maria, temos uns aos outros, e por isso não devemos ficar tristes ou abatidos, mas com a esperança renovada de que vale a pena seguir Jesus Cristo e de que vale a pena seguir em frente!”, finalizou, pedindo um forte “Viva Santo Antônio!”. E Frei Medella foi aplaudido longamente!

AGRADECIMENTOS

Frei Germano agradeceu exaustivamente as pessoas que ajudaram na realização da festa. “Meu muitíssimo obrigado a todas as pessoas que nos ajudaram, a Comissão da Festa, as pastorais, os movimentos, as equipes de liturgia, os voluntários, os colaboradores, os doadores, os meios de comunicação que divulgaram esta festa, aos confrades que nos ajudaram na Trezena, a Frei César Külkamp, a Frei Gustavo Medella, do Conselho Provincial, e especialmente ao Frei Jêa, que veio de Guaratinguetá com os postulantes para nos ajudar. Quero agradecer a todos, a todos mesmo! Por último, quero agradecer ao povo fiel devoto de Santo Antônio, que veio mesmo num dia de chuva”, enfatizou.

Após a Missa, a chuva deu uma trégua e os devotos seguiram em procissão pelas ruas do bairro acompanhados dos frades, seguindo a imagem de Santo Antônio que foi levada num carro.  Ao longo do trajeto, os frades rezaram pelas famílias que residem no bairro e pelo comércio que sustenta muitas famílias. Neste ano, a chuva evitou que a festa terminasse com a queima de fogos.

SEMPRE DEVOTOS

Como acontece todo ano, a Paróquia de Santo Antônio do Pari recebe os fiéis devotos na primeira Missa às 6 horas. O dia mal havia nascido e a chuva ainda não tinha chegado quando os voluntários arrumavam suas barracas para receber os milhares de fiéis que passaram pela Praça Padre Bento, no bairro do Pari, para agradecer, pedir, louvar e render graças a Santo Antônio.

Dentro desta igreja centenária, com suas imponentes torres e colunas de mármore, as celebrações se tornam majestosas. No lado direito, a bela imagem de Santo Antônio era a mais procurada pelos fiéis, para oração e para selfies.

O Vigário Provincial, Frei César, celebrou às 16h30 e Frei José Francisco voltou a celebrar às 18 horas. Frei César falou da importância do Evangelho na vida de Santo Antônio. “Ele foi, de verdade, um grande pregador da Palavra de Deus e a sua preocupação constante não foi apenas o anúncio da Palavra, mas particularmente a aplicação da Palavra à vida concreta das pessoas”, disse, lembrando que ele desprezou as glórias deste mundo, como o poder e o ter. Santo Antônio vem dizer-nos que é preciso voltar ao Evangelho; é preciso escutar e acolher melhor a Palavra de Deus, diz o frade.

Participou da celebração com Frei César o diácono Fabiano Felício, da Igreja Maronita de rito oriental. Ele reside na Catedral Nossa Senhora do Líbano, na rua Tamandaré, na Liberdade.

O PEQUENO ANTÔNIO

No corredor lateral da igreja, um fradinho vestido de Santo Antônio chamou a atenção. Era o pequeno Enzo, de 5 anos. Ele veio junto com sua mãe Lilian Rodriguez para cumprir uma promessa. “Desde os quatro meses de idade, quando chegava o inverno, ele ficava internado devido às crises de asma. Por um conselho de minha mãe, fiz uma promessa a Santo Antônio e desde o ano passado ele não precisou ser mais internado”, contou Lilian, que veio da cidade de Paulínia, próxima de Campinas, para fazer a promessa na Igreja do Pari.

 

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