Destaque, Notícias › 03/04/2016

Tempo Pascal: O sopro que procede do Pai e do Filho

LITURGIA-PASCOAL

 Frei Gustavo Medella

 

“Recebei o Espírito Santo!” O sopro de vida que procede do Criador entra pelas narinas do ser humano por Ele modelado para trazê-lo à vida, conforme se lê no livro do Gênesis (Gn 2,7). No Evangelho deste 2º Domingo da Páscoa, este mesmo sopro de transformação da morte em vida vem do profundo do Filho ressuscitado para vivificar todos aqueles que n’Ele passaram a ser filhos e filhas de Deus. O Espírito Santo não é uma herança convencional, para usufruto apenas dos que a herdam, mas é entregue justamente para ser levado adiante, oferecido gratuitamente como fruto da generosidade salvífica de Deus. E, sendo assim, a imagem do ar, do sopro, é inspiradamente ilustrativa.

Afinal, ninguém consegue prender o ar numa gaiola, guardá-lo no cofre, dele tomar posse exclusivamente. De forma discreta e silenciosa, o ar se faz presente em todos os ambientes, garantindo a continuação da vida. Recebendo o sopro de Cristo, que também é o sopro do Pai, os discípulos se sentem fortalecidos na fé e têm a confirmação de que não empenharam suas vidas num sonho vazio, numa vã ilusão, mas receberam a verdadeira recompensa de uma vida plena de sentido.

E, por falar em sentido, Tomé sente por não ter estado com seus pares no momento de manifestação tão próxima do Senhor. Tem dificuldade de acreditar no testemunho dos demais. Gostaria de ter tido a mesma chance. E Jesus o atende, manifestando-se novamente, oito dias depois, aos discípulos reunidos, desta vez com a presença de Tomé. Apresenta ao discípulo teimoso as mãos, os pés e o lado ferido pelos cravos e pela lança, deixando claro que o sofrimento enfrentado por Ele não fora mera fantasia, mas uma dor vivida em sua plenitude e, por isso, plenamente integrada ao mistério da ressurreição. Tomé deu a mão à palmatória. Reconheceu a presença do Mestre e fez uma das mais belas profissões de fé de todos os tempos: “Meu Senhor e meu Deus”.

Fica para nós hoje o desafio: o de ver e acreditar nos muitos sinais de ressurreição que Deus continua a espalhar no nosso tempo; comprometer-nos com estes sinais e, ainda mais, buscarmos de todo coração ser sinais vivos desta esperança de Cristo, através de palavras e, principalmente, de gestos que contribuam para a promoção da paz e da justiça, para a defesa da vida, para a transformação da realidade. No mistério da Palavra e dos Sacramentos, Jesus permanece a soprar sobre nós, continua enchendo-nos do Espírito Santo e segue esperando de nós uma resposta positiva diante da incondicional proposta de amor que a todo instante Ele nos apresenta.

 

(Fonte: Província Franciscana)

 

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